Sexta-feira, Julho 04, 2008

profissão a quanto obrigas

"Uma gaja de vestido a falar com os bombeiros é capaz de sacar notícias. Vou é ter que rapar um frio do caraças por causa disso".
A.B.

Quinta-feira, Julho 03, 2008

alimentar o estômago e a alma

Jantar na minha irmã e sufocar nos abraços e beijos dos putos.

brincadeiras perigosas

Georg: Why are you doing this to us?
Paul: Why not?

Funny Games, Michael Haneke (1997)


Estreia hoje. Vi a primeira versão, numa noite de princípio de Verão no King. Já lá vão uns dez anos. Falada em alemão [o realizador é, senão me engano, austríaco] ficou-me para sempre cravada, num qualquer recanto da caixa verde alface. Não por ser uma boa memória. Apenas por ser memorável pela forma como retrata a crueldade humana. O mal pelo mal. É puro terror psicológico. Michael Haneke revisita agora esta família de férias junto a um lago. Pai, mãe e filho. Bonecos de trapos nas mãos dois rapazes imaculados, pelo menos por fora…

Quarta-feira, Julho 02, 2008

As águas de Junho

Dicilmente encontro prazer maior. Deito-me de costas e deixo que a água me leve, corpo flutuante, o biquini a aparecer à tona, uma barriguinha que se levanta e os olhos fechados a imaginar tudo isto. O céu azul, carregado e azul, umas nuvens brancas, leves, passageiras, sem pressa. E as vozes dos miúdos que já não se ouvem. É hora de almoço e as crianças têm de sair do sol. Deixo-me levar, na piscina de pastilhas azuis e brancas, em contratse com o céu, por cima os pinheiros altos, as pinhas ali penduradas, um pássaro que passa e asas que batem, também o meu coração. Lentamente. São os dias de Junho que querem terminar, mas deixam saudades, a Sul. Abro os olhos e dou uma braçada, mais uma e outra. Encontro-te do outro lado da água, sempre molhado, os pingos a escorrerem-te na face. Dou-te um beijo, suave como os dias. Estamos de férias. E não há nada melhor.

trânsito

Há duas coisas que levam os portugueses para as estradas: o sol e o fim do mês...

'Há-des' ter muitos amigos

"[...] a família tem por objectivo a procriação."

Manuela Ferreira Leite, em entrevista à TVI

Terça-feira, Julho 01, 2008

angústias

quando está no auge o primeiro dia [de cinco] de dores de cabeça, só consigo perguntar quando chega a menopausa...

Segunda-feira, Junho 30, 2008

prazeres de verão

A melancia, quando chegam ao fim os dias das cerejas.

Sábado, Junho 28, 2008

do tempo

"Mas tempo é dinheiro, o senhor está a esquecer isso - disse o coronel.
- Qual tempo! Há tempos em que se pode vender um mês inteiro por cinquenta cêntimos e outros em que não se vende meia hora por dinheiro nenhum [...]"

Anna Karenina, Lev Tolstoi da Relógio D'Água

postais

[cor]


[pele]


[fé]

Junho

Junho dá os últimos suspiros numa brisa morna. Viveram-se as férias. Passaram os Santos. Perdeu-se um campeonato. Fez-se [um]a [outra] festa numa noite ventosa. Junho recebeu-me em casa com 30º graus nos termómetros. Com um vento quente a descer a calçada. O sol a encadear nos prédios. Com os jacarandás contra um azul forte. Comi quilos e quilos de cerejas. Fui para Sul. Encantei-me com a cor do mar. Visitei um mini deserto. Fiquei coberta com a terra vermelha de África. Preguicei à volta da piscina. Pus as leituras em dia. Escandalizei-me com Roth. Deliciei-me com Juan José Millás. Li finalmente Dennis Lehane, o homem que inventou o ‘mystic river”. Comi quilos e quilos de cerejas. As últimas. Negras e doces, muito doces. Fiquei um ano mais velha. E diverti-me. Muito. Junho dá os últimos suspiros e como sempre começo a sofrer por antecipação. Os dias estão a ficar mais curtos e um dia destes, quando não estivermos a olhar, chega o inverno.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

Mais vale tarde...


Parabéns Carrie!!!


P.S.: Esta imagem não é minha. Foi roubada!

6 anos

A cabecinha loira corre atrás de uma bola. É um dos gostos, uma das paixões da vida que hoje celebra 6 anos. Meia dúzia, como numa caixinha de ovos bem composta e arrumada na dispensa para omeletes. Chama-me de tia e é o único. Os outros sabem de cor o meu nome. Mas este insiste no parentesco, instigado pelos pais que assim preferem. Como se o respeito se visse só desta forma. mas não reclamo. Afinal, é o que sou: uma tia! E babada. Recordo as mãos pequenas e as exclamações que me fazem rir, penso nos livros que li e nas estórias que inventei. Preparo-me para a festa e levo presentes mais um beijo cheio de afecto. G. faz hoje seis anos e recordo os segundos de atraso na chegada à maternidade no dia em que nasceu: foi tudo tão rápido. Um aviso e já estava cá fora. E eu que corri para conhecê-lo e consegui, de fugida, avistá-lo numa maca encostadinho à mãe. Era o primeiro filho. Hoje não será preciso correr. Apenas por um beijo quando chegar junto dele. Terá tanta gente a querer mimá-lo. E serei apenas mais uma. Mas a tia. E isso conta...

Menina do Rio

Queixo-me da chuva mas deixo-me molhar pelas gotas que espaçadamente caem e me deixam com a marca de água. Rio porque faz rir, o momento. Rio que se fez de livros e de passeios, de boa comida e novos restaurantes, de algumas visitas e mais um doce pintado com suco de abacaxi. Perco-me nas compras dos preços baratos e caio na asneira do saco cheio. Faço contas e tenho vontade de partir. Tarde demais. Embrulho as sandálias em papel esmagado e trago tudo para casa. Umas para cada dia da semana. Quase. Não resisto ao chamamento de uma lembrança para ti, para ti, e para ti... os que amo receberão o meu riso, carteira vazia e um presente. Sei que não devo. Nem temo. Mas volto. E trago para a mãe, para o pai, para o petiz. E as amigas que fazem anos. Os mimos da feira Hippie. Tudo isto me custa. Tudo isto me vai deixar mal. E bem. Porque é assim que gosto. Embrulho o sol de uma manhã de praia em Ipanema e protejo-me da queima com mais um creme caríssimo. E novo biquini, a estrear no Posto 9. Retiro-me com a chegada da noite e procuro então aonde ir. Vamos. Damos as mãos de alegria porque a sorte nos trouxe aqui outra vez. Contamos os dias, fazemos promessas, nova viagem para fazer. O Rio sabe bem. Não é o melhor que sei, mas o melhor que posso. Um "oi" disfarçado de "olá", um gesto universal, uma hawaiana no pé e somos todos iguais. A visita ao camelot deixa-me embriagada: o cheiro a amendoim torrado, as marcas da contrafacção, o Rolex que não o é, e o Gucci que sonha sê-lo. A pobreza está ali. Desboqueiam-se telefones e as play stations que for preciso. Corro para sair de lá mas não me deixam. Prende-te o gosto pela maré, mar de gente que sabe a Brasil. Saímos. Venho de mãos a abanar. E a "Confeitaria Colombo" deixa-me com água na boca, 1001 sabores, doces que são, e uma memória que data de um século passado. O Presidente da República de Portugal mostra-se numa fotografia, à porta, ele e a mulher, que ali foram de visita. Sento-me à sombra de um espelho, as caravelas atrás iluminam a sala, em cima um espaço para refeições e dois namorados que se deixam fotografar. Tiro também a minha fotografia. Outra. Numa perspectiva de voltar. Porque o Rio vê-se por várias vezes.

Entretanto...

A caminho de Berlim, regressada do Rio (pela segunda vez, este ano), eis-me de volta à cidade capital. Tempo para pensar, reflectir, fazer planos e continuar. Tempo para tanto e falta muito mais. Sobram uns dias para o sol e a costumeira visita à Quinta do Lago. Sem custos adicionais.

Andou este blog interrompido e nada se pôde dizer. Mas há muito para contar. Vamos por partes. Deixarei aqui a minha, em breve.

Terça-feira, Junho 17, 2008

Mudança de Planos


Amanhã, e durante uma semana...


Domingo, Junho 08, 2008

Vamos?


O filme já estreou!


E depois...



... de dois meses consecutivos de trabalho, vou aprender e ensinar a importância desta capital na Segunda Guerra Mundial.


Eu fui...


... e vi-as chorar por causa dele!


Terça-Feira, em executiva...



Sexta-feira, Junho 06, 2008

[par]a Sul

Ainda ando por cá. Mas só mais um bocadinho. Os girassóis estão à espera que me vá embora. As coroas imperiais também vão florir. Quando estiver a sul. Entretanto as marchas vão descer a avenida. Vão comer-se sardinhas assadas com cerveja a rodos. Vai encher-se a Bica. Alfama. Vão continuar as vendas de livros no Parque Eduardo VII. Lisboa vai encher-se de sol, prometem os meteorologistas. Eu vou encher-me de areia. A pele a saber a sal. A sul.

Quinta-feira, Maio 29, 2008

em contagem decrescente

[António Sá - Rotas & Destinos]

Quarta-feira, Maio 28, 2008

dor de alma [ou o papel...]

É como se arrancassem bocados de mim, devagarinho, de imprevisto, quando não estou a olhar, como se assim pudessem enganar a dor. São bocados importantes de mim, que um dia, logo no primeiro dia, me farão falta.

- Mas eu não quero ir.

- Então não vás.

- Mas eu não posso não ir só porque...

- Então vai.

- Mas eu não quero ir.

- Então não vás.

- Mas se eu for...

- Então vai.

- Mas eu não posso ir só porque...

- Então não vás.

[...]

[És grande. Muito grande]

Terça-feira, Maio 27, 2008

Viagem no tempo







Depois de 50 anos de ditadura entrámos num clube de ricos que nos ajudou a minorar o que já pareciam séculos de atraso. Mas no velho continente ainda há milhões à espera desse salto em frente. Como na Geórgia, onde os "inimigos" do regresso ao berço europeu estão apenas do outro lado das magníficas montanhas do Cáucaso. (Embora ainda haja catinhos em Portugal onde estas imagens não destoam).

A feira

À primeira vista, ainda do outro lado do parque, não havia razões para tanto. Uma dúzia de pavilhões entrincheirados junto à tenda dos pequenos editores. Pavilhões com livros lá dentro, a mesma coisa uns metros mais abaixo. A diferença está na cor. O que me leva a pensar que não percebo a má vontade da Leya. Afinal as barraquinhas da feira até foram pintadas este ano! Como é que podem acusar a APEL de não querer inovar? Também barulho para nada.

Digam o que disserem, que a feira está morta, que este formato já não funciona, que é preciso modernizar, digam tudo isso, mas ainda assim não me convencem a deixar de ir. De Cumprir o meu calendário emocional. De me sentar no topo do Parque Eduardo VII com o rio lá bem ao fundo, os telhados de Lisboa pelo meio, e o burburinho das conversas em volta. Nada como descer a calçada entre as barracas, folhear livros, comparar preços com os desejos que colei nos pulsos agora na contracapa da Moleskine, subir a calçada pelo lado contrário, demorar tempos infinitos nas barracas preferidas, temperar tudo com o açúcar das farturas. O que não combina com a Feira do Livro é o frio de rachar, a chuva torrencial, os pés alagados e o corpo a tremer de frio. Não achasse eu que este blog está a um passo de se transformar num site da meteorologia e desatava a mandar vir com o tempo. Mas hoje não. Fico por aqui que já gastei as palavras para uma semana.

Sexta-feira, Maio 23, 2008

3 anos de Mais Cidade

A dizer coisa nenhuma. Ainda assim, gosto de aqui estar. Às minhas companheiras de viagem um ‘bem haja’ por existirem na minha vida. Aos outros, os que passam e deixam marca, os que vêm sem dizer palavra, o meu [nosso] obrigada.

[É estranho como me lembro tão bem do primeiro dia, da escolha do nome – autoria da Samantha -, dos primeiros posts, escritos em catadupa, quando a Carrie ainda não era Carrie, antes Bea, personagem de um livro que marcou uma vida, do enorme vazio que este espaço preencheu, do gozo que me deu desde o primeiro minuto. E apesar da dificuldade que tem sido estar mais presente, gostava sinceramente que continuássemos...]

status report

Girassóis, dálias e coroas imperiais devem florir dentro de dias. Os malmequeres, depois de lhes ser diagnosticada a morte prematura, estão verdejantes. Continuam a existir várias espécies não identificadas.

Quinta-feira, Maio 22, 2008

Identidade

Sabe quem eu sou? Demasiadas pessoas o sabem. Muitos descobriram já que esta Samantha não é loira como a da série, não dorme todos os dias com um homem diferente, não fala de sexo oral ao pequeno-almoço (mesmo que toque no assunto ao jantar)... A minha identidade foi descoberta e não sei se gosto disso. Venho menos a esta cidade por ser reconhecida. Venho a medo, sem saber se os que aqui passam me vêem como sou ou como imaginam que seja. Estas coisas dos blogs são estranhas e não me habituei a ser quem se sabe que sou. Prefiro o tempo em que Samantha, assumidamente é apenas uma mulher de mais de 40 anos, amiga das amigas do sexo e a cidade, desbocada, corrosiva, ordinária sem ser vulgar. Mas eis que o meu rosto saiu à rua e a minha personalidade passou a ter uma imagem. Eis que as minhas palavras passaram a ter um eu e os meus pensamentos são mais do que pura imaginação. Penso se vale a pena vir, desta forma. Venho para fazer companhia. Ficarei?