sábado, abril 22, 2006

Página a Página

Cansam-me agora todos os livros. Não consigo passar duas páginas seguidas sem voltar atrás para reler e retomar o fio à meada. Não consigo passar o marcador de um lado para o outro, e vejo, três dias depois, que o número de páginas lidas é praticamente o mesmo. O marcador ri-se, naquela cara de porquinho.

Mas é uma fase. Espero.

Os livros também se celebram e este domingo, dia 23, é a vez de o mundo homenagear um a um, os bem escritos, os infantis, os técnicos, os antigos, os exemplares únicos, os best-sellers... O dia mudial do livro é amanhã e faz justiça a cada página, a cada capa e contracapa, a cada lombada que tem, dentro, páginas para folhear a qualquer hora e em qualuqer lugar.

Estou triste com esta minha fase. Gostava de devorar um livro por semana, pelo menos. Gostava de saltar de um para o outro como quem muda de roupa na cama, uma vez por cada sábado; gostava de não me importar se me sinto desconforatável na cama, no sofá ou até na sanita, onde também gosto de ler. Preferia conseguir ultrapassar todos estas barreiras e ler, ler, e ler... até esquecer a minha vida para viver em cada personagem.

Porque já li com gosto e poucas coisas haverá - para mim - melhores que uma boa leitura. E até posso falar de um ou de outro livro que maracaram a minha vida até aqui... por exemplo, na meninince, 'O meu Pé de Laranja Lima' que me fazia chorar e esconder a cabeça debaixo dos lençóis para que os meus pais não ouvissem o pranto literário. Ou um Eça, lido em Maias duas vezes - a primeira pela vez do meu irmão, que no décimo ano odiava letras - ou, mais recentemente, um Zafon, com A Sombra do Vento a não deixar tapar um prazer que não se explica, mas reparte-se.

Ciente de que voltarei ao parazer da leitura, peço livros para o próximo Natal. Tenho mais um Auster à espera, na cabeceira, e uma oferta pessoal, com assinatura, para ver como é. E orgulho-me deles. De todos os que tenho e quero ter. Porque um livro é mesmo uma companhia, é mesmo um confidente, é mesmo uma história que até pode ser a nossa. Que nos leva pelas páginas, como quem segue caminhos dos outros...

Leram bem?

[my] Gift

Encontrei-te hoje à porta do Coliseu. Franzi o sobrolho. Levei a mão à base do pescoço, como faço sempre que fico ansiosa. Acelerei o passo para que percebesses que não queria falar contigo, para que visses que estava acompanhada. Mas ambos sabíamos que não haveria altura mais apropriada para voltares. Seguiste-me de perto. Tão perto que sentia o teu hálito quente no meu pescoço, enquanto trauteavas os primeiros acordes da música que partilhamos no meu tapete vermelho quando voltaste pela primeira vez. Naqueles dias de distância, fomos separados comprar o AM-FM só por causa daquela música. Olhei-te de novo, num último apelo para que me deixasses. Mas acho que também querias ouvir, como ouvimos, lado a lado, a primeira música da aula magna. Chegamos tarde, lembras-te? As conversas eram, nessa altura, como as cerejas. Perdíamos facilmente a noção do tempo. Lembras-te quando o mundo parava para nós? Lembrei-me disso tudo. Daquela noite. Do jantar. Do concerto. Do teu medo, lembrei-me principalmente do teu medo. Até que a Sónia começou a cantar, lentamente, como devem ser vividos os grandes amores. It’s coming back so fast, that I should fake this alone. Esperei que chegassem as lágrimas. Só que desta vez elas faltaram ao encontro. De alguma coisa me havia de valer ter lágrimas de má qualidade. Esperei até entrar o refrão e nada. Esta noite elas, as lágrimas, entraram em greve. Senti que te afastavas. A última vez que te vi estavas sentado junto ao palco. Ouvias a música, que nunca voltaremos a partilhar, com muita atenção. Talvez confirmasses, mais uma vez, que o poeta se enganou. Because even if you break my heart and even if you make things wrong, you will always be the one, you will always be my love. Sorri e deixei-te entrar na caixinha verde alface, onde dormes agora o sono dos justos. Encontrei-te hoje à porta do Coliseu e pela primeira vez não vieste comigo para casa.

quinta-feira, abril 20, 2006

Morte não é Juventude

Nunca vi gente nova tão desmoralizada com tanta coisa, tão distante de tudo, tão metida para dentro, com tantas dificuldades em aceitar derrotas. Nunca vi tanta gente velha a compereeender todas estas atitudes, a não contrariá-las, a achar que é da idade, a pensar que passa aos 18 - que agora já são 25.

Eu lamento a morte de um jovem que é um ídolo porque é actor de telenovela. Tal como lamento a do que morre atropelado na Av. 24 de Julho, ou da criança que perde a vida ao carregar num semáforo de luz vermelha.

Porque a vida me importa e gosto de a ver viver, custam-me as mortes, em geral.

Mas o que me custa mais é a forma como um acontecimento natural, porque vulgar, triste, porque inesperado, possa arrastar doses de loucura, insensatez e aproveitamento de alguns. Chamo voyeurs a uns, ingénuos a outros, cretinos ainda a outros...

A morte será sempre triste para os que ficam. Mas apenas para os que amaram ela é eterna. Os outros esquecem-se, mais cedo ou mais tarde. E o acontecimento serve apenas de tema de conversa, em troca de um episódio que se saltou naquele dia.

É pena.
Porque a morte merece respeito, mesmo quando vive no amor de alguém, como sugeriu Saramago.

Divã IV

Trocou o divã pela poltrona porque queria encará-lo. Queria ver como reagia ele às perguntas, às ausências, aos silêncios. Queria ser ela a psicanalista dele, para variar. Olhou de soslaio para os livros à direita, todos mal empilhados mas alinhados por temas... os sonhos, a vida social, as relações matrimoniais, o eu... e outras lombadas onde se perdia enquanto falava sobre o que lhe vinha à cabeça.

- Doutor, eu estou aqui para resolver vários problemas.
- Eu sei.
- Mas é que alguns não são meus, percebe?
- Não. Explique lá isso melhor.

Pousou os olhos no chão de madeira com aquele tapete repisado onde lhe via a ponta dos sapatos que nem se mexiam. Os dela saltitavam, nervosos, ansiosos por caminhos que dali os levassem, não só naquele fim de tarde, mas para sempre.

- Eu acho que se perceber o outro, fico a perceber melhor o meu problema.
- E qual é o seu problema?
- É ele.
- E percebê-lo em quê?
- Porque é que fez o que fez.... sei lá. Percebê-lo, pôr-me no lugar dele...
- Isso não é possível. Você já o deixou pôr-se no seu lugar.

- Ficamos por aqui, hoje?

Juntou os sapatos e pôs-se de pé para sair. Naquele dia nem pagou...

Incongruência…*

…é comer um cozido à portuguesa [“saí um cozido gordo”] depois de uma aula de ioga.

[*Ou o meu reino por uma cama...]

Infiltrado

Clive Owen, Inside Man (2006)

[O facto de eu ter adormecido no filme não tem nada a ver com este senhor]

No diva III

“E passa, doutora?”
“Não!”. Ainda pensou que estivesse a gozar, mas a negativa tantas vezes repetida ganhava contornos de premonição.
“E passa, doutora!”
“Estou a ver que sim."

quarta-feira, abril 19, 2006

No divã II

"E passa doutora?"
Haveria de passar, tranquilizou-a. Basta que.
Já lá vão dois anos. Não passou. Mas basta que.
Não há um dia que passe sem que ela faça contas à vida entre uma viagem de comboio ou um copo de vinho tinto.
Passará? Ou passar-se-á de vez? Ou talvez não, o que talvez seja ainda pior.
Pelos vistos até em Nova Iorque há coisas que não se revelam.

terça-feira, abril 18, 2006

Dica de amiga

Podes fazer o que quiseres se o quiseres fazer.

Mas não te tenhas em melhor conta do que és, para o outro. Nem te julgues menor perante ele.

Sai fora no momento em que tiveres de sair. Continua se é o que te apetece.

Avalia apenas o outro lado. Nestas coisas das relações, sérias ou não, somos sempre dois.

Conversa barata?
Mas de graça e não custa repetir...

Divã I

Deitou-se no divã como se fosse a primeira vez. Estava calma mas, por dentro, tinha o receio de quem vai despejar uma vida nas mãos de um estranho. 'Então?', lançou ele - 'Começo eu?, perguntou ela.
'Já começou', concluiu o homem.

Fala da janela com vista para o céu e ele lembra-a de que está ali para olhar para dentro, não para fora das janelas. Mas o céu pode ser o paraíso que 'quero ver dentro de mim', responde. Pausa. O céu vê-se através de três grandes janelas e a noite ainda não caiu. Longe de estar perfeito, também não é azul, mas cinzento como aquele interior que ali a leva uma vez por semana, quem sabe mais, se a coisa der para o torto.

E em pequena? Era feliz. Adolescência? Feliz. Idade adulta? Agora? Não. Mas infeliz também não que esses são sentimentos permanentes que ninguém consegue derrubar.

Então é o quê, o que sente? 'Tristeza. Solidão', diz-lhe. 'E passa Doutor?'

Dilemas

Sinto-me incapaz de receber mais do que consigo dar. Ficar pode ser mais angustiante que partir.

segunda-feira, abril 17, 2006

Tento escrever

Tento escrever. Há uma história para contar. Mas não há palavras, nem borboletas, ou mesmo desenhos a tinta da china, que ajudem a esboçar aqueles dias. Rabisco ideias soltas, frases mais ou menos sentidas, em bocados de papel. Mas as palavras não dizem presente quando chamadas para falar do barulho do mar, do céu carregado numa noite em que a terra tremeu ao de leve. Há uma estória para contar…

Entre um blog e outro

“Ele recordou-a:
- Prometeste que apenas ficarias enquanto te sentisses bem...
Ela foi-se embora.”

[Nunca nenhuma das tuas histórias de amor fez tanto sentido.]

domingo, abril 16, 2006

Páscoa


Não costumo discutir religião e só a trago à baila em casos excepcionais(para mim).

Participei ontem numa maravilhosa Vigília Pascal de onde as pessoas saíram a sorrir. E lá dentro, também sorriam, e cantavam a plenos pulmões. Não houve palmas... calma...

A Páscoa é o momento mais importante dos católicos, mais até que o Natal porque nascer, nascem muitos, ressuscitar é que são elas... E ontem consegui integrar esse movimento quase de esperança - de fé, claro - e de convicção de que as coisas podem mudar. O sacerdote não falou muito - o que é bom, uma vez que estas cerimónias têm cerca de duas horas - mas o que disse nem parecia de padre. Era um homem, uma mistura de psicólogo, com político, com filósofo e, claro, com sacerdote... talvez a mistura perfeita para me ter feito - e creio que a outros - pensar.

E pensar em quê?

Que temos de procurar o caminho do optimismo, do ânimo, da coragem. Que acabou - ou tem de abrandar - a era das depressões e das tristezas e das agruras do passado.

Assentou-me que nem uma luva.

Eu não gosto de chocolate, e de amêndoas mais ou menos. Mas a Páscoa faz-me pensar no dia seguinte, coisa que há muito me desinteressa.

A ver vamos. Ou, catolicamente falando, Aleluia!


P.S. Deixo mais uma imagem. Moçambique, Maputo. Transmite esse tal caminho a percorrer, mesmo que sobre as águas, como fez Moisés!

sábado, abril 15, 2006

Coisas que me fazem sorrir 19

Andar de corsários e havaianas.

Eu acredito



que a vida muda em segundos...

91 anos de avó

Sorri pouco, mas quando sorri é linda. Fica toda marcada num rosto onde as rugas já são maiores que a pópria carne que lhe enche as faces pouco rosadas. Adoro as gargalhadas que ainda dá, mesmo quando vejo que lhe dói, rir, porque os cantos da boca já se cortaram por terem sido, um dia, tristes.

Veste de preto há uns seis anos, mais por temor que por convicção. Por mim coloria-a mais, dava-lhe uma roupagem mais jovem, menos pesada. Mas ela teme o dizer, o dizer dos outros sempre tão difícil para quem vive fechado, e com poucos olhares sobre si. Só se sente observado quem consegue contar quantos o observam. E ela consegue. São poucos, porque já só sai à rua com as mesmas pessoas, para os mesmos sítios, fazendo os mesmo percursos.

Tem sentido de humor, apesar de não o exercitar com toda a gente. Faz-se de difícil, às vezes, e protege-se nas doenças que não tem para não dar conversa ou negar qualquer convite que, simplesmente, não quer aceitar. Mas à sucapa lá me vai dizendo umas graças, lá vai fazendo cócegas aos bisnetos para os ver rir e sorrir com eles, lá vai dizendo piadas que poucos compreendem porque são ditas sem mexer os lábios.

Mas isto é o presente.

O passado traz memórias únicas, que podem fazer voltar à velha colher de pau em cima da mesa à espera que um dos três 'meninos rabinos' lhe desse razões para uso - escapei sempre, confesso - ou pelas confidências da adolescência, de 'quando era nova, menina', de quando a convidavam para dançar nos bailes, que ela era bonita e não dispensava festas.

Envelheceu. 91 anos fazem dela uma pessoa diferente.

Mas sempre, sempre, a minha avó. Uma figura marcante ao longo de toda a minha vida e que ainda hoje me faz rir quando me quer obrigar a comer ou a calçar uns chinelos para que não me arrefeçam os pés. Também me faz chorar, mas isso não é para hoje...

Faço-lhe aqui esta homenagem, por mais um aniversário. Nasceu em 1915.

sexta-feira, abril 14, 2006

E para um assunto completamente diferente...

Já disse várias vezes que gosto de revistas femininas. Não estas publicações a imitar uma "Maria" ou "Crónica" mais sofisticadas, mas aquelas que, além de me colocarem a par das últimas modas em roupa, maquilhagem e acessórios, têm algumas reportagens, artigos e entrevistas interessantes e, sobretudo, fotografias belíssimas (para descansar os olhos). Eu, aliás, leio tudo o que é revista (o que me tira tempo precioso para os livros, mas que fazer!) num vício que se reparte pelas que são suplementos dos jornais, as de informação generalista, as de viagens, as minhas adoradas National Geographic e GEO, e por aí fora com alguns exemplares estrangeiros.
Mas vinha tudo isto, a propósito de uma crónica do Luís Fernando Veríssimo no Expresso (já li o livro que compila as crónicas e é delicioso sobre estes lugares comuns da nossa vida moderna). Com o título "Teste", dizia o marido para a mulher:

"É por isso que eu não gosto de revistas femininas. Não têm o menor interesse em homem, a não ser como objecto sexual. São feitas por mulheres para mulheres. E o que é que mulher mais gosta de ler, ouvir e ver? Outras mulheres. Alguém já viu um homem na capa de uma revista feminina? Nunca. É tudo narcisismo. Delas para elas. Até os testes".

O teste, está bem de ver, é daqueles sobre como reagiria a sua "cara metade" se a)b)c)d). Atrevo-me a ver nestas declarações do cronista um alter-ego ofendido. Ora eu recordo-vos do post da "fofa da capa". Não são também mulheres as que aparecem na capa das revistas masculinas? Porque é que eles (sim, são homens que as escrevem!) não escolhem homens para as capas? Objecto sexual? O que é que nós fomos durante toda a história da Humanidade? Ora façam-me um favor e deixem-nos com o nosso "narcisismo", que o vosso já nos dá muito que fazer há séculos!

Os novos pecados e a falta de sacerdotes

Partilho totalmente do post da Samantha. Quanto a ser católica, menos praticante que em tempos, incrédula com os novos pecados e com estas posições do Papa. Mas, hoje também, escrevia o Diário de Notícias que "A falta de sacerdotes na Igreja preocupa o patriarca de Lisboa". Ora se as mulheres pudessem ser ordenadas padres resolviam-se dois problemas de uma só vez (pelo menos). Passando ao lado do facto de 80 por cento dos utentes da Igreja serem mulheres e de elas já fazerem muitos dos rituais católicos, à excepção dos sacramentos, teríamos pelo menos mais 50 por cento de padres (a outra metade deste mundo deve sentir a vocação em termos mais ou menos proporcionais). E, muito importante, ler, ver televisão e navegar na Internet seriam a menor das preocupações da Igreja, que agora teria de ouvir das mulheres opiniões sobre como vai o mundo e como o melhorar.

Estou em pecado pouco original

Eu sou católica.
Já fui mais praticante, mas ainda pratico. Hoje, por exemplo, cumprirei os requisitos de uma Sexta-Feira Santa e amanhã não vou faltar à Vigília Pascal, rezando para que a Ressurreição venha, e de vez, também para mim.

Mas o Vaticano deixa-me doente e quase tenho vontade de negá-lo, como três vezes fez Pedro.

Ler jornais é pecado? Estar na internet é pecado? Ler livros? Ver Televisão? Que inferno!!!

O Vaticano é cada vez mais um mundo à parte, naquele que o Homem, Jesus Cristo, quis criar. Ele levou 7 dias a edificá-lo. Poucos mais levará Bento XVI a dar cabo dele.

E o pior é que somos informados destas coisas pela televisão, o Vaticano tem site na net... e livros para ler, além da Bíblia. E agora?

Pano para mangas, não? Pelo menos para as homilias nos próximos domingos... Boa sorte à classe dos sacerdotes...

Eu não deixarei de blogar.
Amen.

Por partes

Metade de mim é o outro.

Mas eu preferia ser uma mulher por inteiro.

E hoje não se come carne!

Expensive affair

Cheguei nervosa como se nunca tivesse chegado antes.
Esperei. Poucos minutos.
Ele chegou. Tão igual ao que eu me lembrava, desde a última Primavera.
Trocamos sorrisos, o meu meio nervoso. Acredito que se notava.
Mas tinha decidido ir em frente. Estava ali porque não podia ser de outra maneira.
A ausência doia-me, mais do que a recordação do toque daquelas mãos.
Deitei-me tentando disfarçar a ânsia e ele, devagar, seguro de si, inclinou-se sobre mim.
Olhou-me, questionou-me.
Tocou-me com as mãos na boca, como se quisesse sentir nas pontas dos dedos as palavras que eu dizia.
Comecei a relaxar, sabendo que tudo fazia sentido, por mais adiado o encontro.
Entreguei-me. E houve momentos em me vi reflectida nos seus olhos.
Quando saí para a rua sabia que iria regressar.
Marcamos encontro para terça-feira. Tenho dois dentes para desvitalizar.

Vidente do Amor ou a falta de sentido de oportunidade

Restauradores. Marquês de Pombal. Saldanha. Praça de Espanha. Benfica. Telheiras. Carnide. Semáforo sim. Semáforo não. As letras vermelhas sobressaem num fundo amarelo: VIDENTE DO AMOR. Vou ligar. Alguém tem que explicar ao profeta algumas técnicas de marketing. Com sol, cheiro a verão, corpos cada vez mais despedidos e noites afrodisíacas ninguém vai precisar dos serviços do senhor. Que poupe o dinheiro das placas. Guarde as tintas. Volte no Inverno, quando se instalar a S.A.D.. Quando as feromonas esmorecerem e os corações andarem mais cinzentos. Porque se agora a coisa não for lá ao natural, não é com pozinhos e mezinhas que lá vai.

[Se ainda assim resolverem tentar, o vidente do amor adverte que 'pagas após resultados']

A cidade onde irão as desta...



...um destes dias.

Contra o racismo...

terça-feira, abril 11, 2006

Gramática

Sou uma leitora compulsiva. Escrevo milhares de caracteres por dia. Porque gosto. Porque me pagam. Li algures que há palavras que nos dão perfeitos beijos na boca. E não é preciso mais nada. Acredito. Já me apaixonei por um homem que cabia numa folha de papel. Lido mal, muito mal, com erros ortográficos. Nunca poderia amar um homem que não me escrevesse uma carta de amor imaculada.

Da felicidade

Si los hombres fuéramos más inteligentes do que somos, habríamos procurado siempre que las mujeres fueran mas felices do que lo son porque es la condición primaria de la felicidad en el mundo. En la medida en que las mujeres no son felices, no hay felicidad; y por supuesto no la puede tener el hombre.
Julian Marias, La felicidad humana

[post escrito a quatro mãos com ajuda do MP]

Da mudança da estação

Abro o armário. Fecho o armário. Abro as gavetas, uma a uma. Fecho as gavetas. Olho pela janela, enquanto maldigo a hora em que mudei de canal quando começou a meteorologia. Sento-me na cama. Levanto-me. Regresso ao guarda-fatos. Volto a abrir as gavetas. [Suspiro] Não tenho nada para vestir!

segunda-feira, abril 10, 2006

Auto-estima*

Este post é para os homens distraídos, aqueles que aos 30 ainda vivem iludidos, são ingénuos ou simplesmente burros. Tenho dúvidas em que categoria colocar o namorido (marca registada da nossa Samantha) da Miranda. Nunca o tinha tomado por ingénuo... Vem isto a propósito do facto de ele ter questionado porque é que a Samantha foi fazer a depilação se anda a dormir com um saco de água quente.

Ponto 1. Cada uma dorme com quem quer e dá menos trabalho.

Ponto 2. Nós não vamos à depilação, não arranjamos as unhas, não vestimos aquela mini-saia, nem vamos ao cabeleireiro, não compramos roupa nova por vossa causa.

Cada um destes gestos é um acto puramente egoísta. Fazemo-lo a olhar para o umbigo e a pensar na imagem que nos devolve o espelho. Se pelo caminho fizermos virar algumas cabeças, considerámo-lo um bónus. Se ainda por cima conseguimos suplantar a loira boazona do escritório achamos que nos saiu a sorte grande. Mas a única coisa que queremos é sentirmo-nos bem connosco. Entendido?

[Claro que também fazemos isso por causa das outras gajas. Para provar que somos melhores que elas, mas isso não interessa para nada]

* Post dedicado ao nosso visitante francês.

Apaziguamentando


Vim à praia fazer anos como quem toma um banho de mar.
Vim como quem pensa em partir sabendo tão simplesmente que vai ficar.
Esta praia é o meu quintal. Onde arranco ervas daninhas.
E sob este céu que cheira a sal, em sussuro canto-me os parabéns.
Hoje faço anos como quem reza. Em silêncio.

Parabéns Miranda

A Miranda é a minha consciência. Cito de memória um episódio do sexo e a cidade em que a Carrie, a verdadeira, tentava contar à Miranda que andava a trair o Aidan com o Mr. Big. A grande preocupação da minha homónima, a quem a traição não parecia pesar naquele momento, era ter a certeza que a Miranda não se chateava. É assim nesta Cidade sem Sexo. Quando estou em risco de pôr o pé em ramo verde penso no que me dirá a Miranda. Imagino-a tipo ‘grilo falante’, a dizer-me tudo aquilo que não devia ter feito, a enumerar os males e as consequências de cada um daqueles momentos de inconsciência, a abraçar-me e a dizer-me que não tenho emenda... A Miranda é a mais antiga das minhas amigas. Aquela sem a qual sei que nunca poderei viver. É uma mulher de um sentido de humor verdadeiramente caustico, mas subtil. Mas é também uma pessoa de uma bondade imensa... Nada do que possa escrever te fará justiça. Pelos 33 anos, pela amizade, Parabéns, Miranda.


Andávamos nós na Universidade quando conheci a Miranda. Em comum tínhamos o sentido de humor e o espírito de ‘cabra’, que se traduz num sorriso lateral e troca de olhares a ‘gozar o próximo’.
Não sei porquê gostei sempre dela. Temos tendência, nós as mulheres, de não gostar de quem é, de certa forma, parecida connosco. Neste caso foi amor à primeira vista...

De repente perdemos o contacto. Andámos por ali a ver se nos víamos mas ainda passaram uns dois anos de distância e desencntros. Não me esqueço dela na última oral da minha vida, um maldito exame de Ciência da Administração que até hoje me atormenta. Ambas passámos.

Foi n’ ‘A Capital’, o reencontro, Não vou aqui especificar como foi, mas foi também aí que esta Cidade sem Sexo se juntou em definitivo.

A Miranda é sólida. Na sua ironia diz o que deve e não cala o que pode ter medo de dizer. A Miranda às vezes é a minha grande amiga porque aproveitamos o facto de ela não ter carro e de eu lhe dar boleia para termos aquelas conversas que só nós é que podemos ter... e como houve uma altura em que ela morava em Cascais... dava tempo para tudo.

A Miranda é uma miúda que vale a pena. Porque tem os pés assentes no chão – mas está a pensar tirar a carta – e porque não age sem pensar. Pondera, pensa, sabe estar.
E eu gosto.
Bem-vinda aos 33.

Questões familiares não me permitiram estar na festa da Miranda, nem antes na da Samantha. Sou também a ovelha negra deste blog e fui a última a escrever neste post de parabéns à nossa querida Miranda. Vai a bold porque estou com um sentimento de culpa negro como a noite. Eu sei que sabem que em espírito estou sempre com elas, mas realmente falhei nestes momentos. Não foi por mal, mas peço desculpas sentidas.
Agora a Miranda, que tal como as personagens a quem roubámos estes psudónimos, é a melhor mistura de gelo e fogo que eu conheço. A Miranda é analítica e centrada, sarcástica e afirmativa. Mas é também uma tábua de salvamento de compreensão para quem precisa e um poço de gargalhadas fantásticas que nos animam qual choque eléctrico. No início do ano pregou-nos um susto com direito a passagem por hospital, mas, como sempre, saiu dessa situação com mais sabedoria e manteve a acutilância e a meiguice em doses milimetricamente misturadas. Eu vou tentar seguir cada mais o teu exemplo. Bem hajas e muitos parabés, querida Miranda.


P.S- Confirma-se o chá com scones no próximo Sábado, na minha casa, para eu me redimir e fazer restante troca de prendas?

domingo, abril 09, 2006

Tenho a minha mãe na reforma

Porque parece que anda toda a gente a fazer anos, a minha mãe, hoje, também os faz.

Escrevo sobre ele porque merece.

A minha mãe tem três filhos, e apesar de não sermos todos iguais - confesso que sou a melhor, a mais atenciosa, a mais carinhosa, a que telefona todos os dias - dizia eu que, apesar de não sermos todos iguais, trata-nos a todos de igual forma.

Recordo que foi ela quem nos ensinou a fazer contas de dividir. Tinha experiência, não só pelo trabalho que desempenhava - e ainda desempenha - mas também, penso eu, porque dividir era palavra de ordem lá em casa, nos anos 70. Nós os 3 insistíamos em não dar com as contas e ela, com a quarta classe tirada, insistia para que fossemos mais longe, sem para isso a nada nos obrigar. E chegámos a partilhar um carro, sem grandes dramas. Tínhamos aprendido a dividir...

Cresceram um engenheiro, um arquitecto e a minha mão ficou feliz. Uma jornalista, e ficou assim-assim. Ela só nos pediu uma coisa 'Não sejam advogados'. Temia ela que um dia, por dinheiro, deixássemos de defender os valores que queria que tivessemos para toda a vida. Talvez se esquecesse que nas outras profissões também se perdem valores. E muitos.

A minha mão é o motor de uma família numerosa, que começa na avó de quase 91 anos - falarei dela um destes dias - e termina numa criança que ainda vem a caminho e que tem meses na barriga da mãe dela. E a minha mãe sabe sempre de todos. E o que fazer a todos. O fulano está com gripe? Telefona e manda tomar 'não sei o quê' e fazer 'não sei que tratamento'. 'Médico, meu filho, vai ao médico', insiste. O cicrano tem um problema de outro foro que não o da saúde. Vai já resolver-se. A filha - única - não tem, como de costume, comida em casa? Pois a alimentação vai até ela. Não tem roupa passada a ferro?. Resolvo-te isso na lavandaria, filha...

A minha mãe é assim, incansável, uma mulher de armas, não se queixaria nem que uma das torres gémeas lhe caísse em cima - há dias sonhei com isso e safámo-nos - e está sempre lá, pronta para desenterrar as forças vivas, aplicá-las nos outros, e deitar-se à espera de mais trabalho para o dia seguinte.

Nem sequer ficará com a sensação de quem cumpre missões, atrás de missões, porque mal terá tempo para pensar nisso.

A minhã mãe nunca lerá isto. Ela não sabe fazer enter, quanto mais o que é um blog.
Mas sabe ser uma grande mãe.
E eu nem sei se um dia quero ser como ela, porque vejo que dá muito trabalho.

Parabéns pelos 65! Não à reforma das mães.

32 razoes para fazer 33 anos

1 - porque é inevitável
2 - porque é inevitável
3 - porque é inevitável
4 - porque é inevitável
5 - porque é inevitável
6 - porque é inevitável
7 - porque é inevitável
8 - porque é inevitável
9 - porque é inevitável
10 - porque é inevitável
11 - porque é inevitável
12 porque é inevitável
13 - porque é inevitável
14 - porque é inevitável
15 - porque é inevitável
16 - porque é inevitável
17 - porque é inevitável
18 - porque é inevitável
19 - porque é inevitável
20 - porque é inevitável
21 - porque é inevitável
22 - porque é inevitável
23 - porque é inevitável
24 - porque é inevitável
25 - porque é inevitável
26 - porque é inevitável
27 - porque é inevitável
28 - porque é inevitável
29 - porque é inevitável
30 - porque é inevitável
31 - porque é inevitável
32 - porque é inevitável

sábado, abril 08, 2006

Que saco!

O que dizer de uma rapariga de bom trato, 33 anos, estado civil a ponderar, discreta e doce q.b., e que há noites consecutivas dorme com... um saco de água quente?

Essa Primavera vem ou não vem???!!!

sexta-feira, abril 07, 2006

Quatro Mãos Cheias de Nada

A seguir com muita atenção...

impulse ou impulso?

Quando alguém nos diz para ler um artigo de opinião que fala sobre amor será Impulse? Ou impulso motivado por reminiscências antigas? Traições do subconsciente que lhe fazem dizer o que não deve a quem não deve?

Concursos

Tenho concorrido a vários prémios na minha área profisisonal. Confesso que sinto um défice de reconhecimento, embora saiba bem que os critérios que ditam os vencedores dos galardões nem sempre são os da qualidade, da justiça e da imparcialidade. Como muitas vezes a minha auto-estima anda pelas ruas da amargura, tenho sempre a esperança de que um destes dias me calhe o prémio. Mas sei também, quando caio nos momentos de bom senso, que essa glória pode ser vã e efémera e não me proporcionar as oportunidades que agora me negam. Sei ainda que o importante é ter feito o melhor que pude e sei. Mas, como trabalho para o público, de vez em quando lá volto a ceder à tentação. Vou, por isso, concorrer a mais um prémio. E enquanto preparo o envio do material, tento convencer-me de que o que conta mesmo é que fiz um trabalho honesto, de forma dedicada. Tento acreditar que essa é verdadeiramente a atitude do vencedor.

quinta-feira, abril 06, 2006

Cinderela

Se à meia-noite me transformar em abóbora, faço obras no jardim!

A vitória da mente... e uma história qualquer

Era uma casa sem telhado. Tinha um jardim imenso e uma piscina que a água cobririria até ao cimo, a ponto de poderem os pés chapinhar à bordinha, revista na mão, bóia lá dentro, colchão virado para o sol.

Era uma casa sem telha mas com tecto. Numa das divisões, a casa-de-banho da suite, era até possível olhar para cima, ver de noite as estrelas e a lua quando estivesse cheia, o céu quando as nuvens o não cobrissem, ou simplesmente a chuva, água a gotejar num vidro suficientemente espesso para não deixar entrar correntes frias.

Era uma casa grande com jardim a toda a volta. Ali plantar-se-iam oliveiras e relva. Ali pôr-se-ia uma mesa de cadeiras dobráveis e loiças coloridas para beber sumos, comer torradas e ao domingo gelatinas. Ali ler-se-ia o Expresso ao sábado, nem que fosse apenas a Única.

A casa tinha uma sala enorme, tipo mésanine. Subia-se para um espaço com uma ampla janela de onde a serra sorria e um palácio espreitava. Descia-se para a mesa de jantar, a lareira a sair da parede, rasgando o espaço para manter a temperatura e para uma porta de acesso a todas as visitas. Mas estava ainda trancada.

Era uma casa confortável. Escritório mais três quartos. Outras duas casas-de-banho, banheiras de imersão, chuveiros de massagem, cores fortes e coloridas nas paredes, chão de madeira, corredor de pé-direito que faria Serralves corar. Uma casa de bom gosto.

Era uma casa com garagem para tudo guardar. O carro nem seria o mais importante. Bom, bom... era ali pôr os apetrechos de jardim e as bicicletas. E as tralhas.

Era uma casa sem curvas, com classe, preparada à imagem de quem a quis ter. Era uma casa e não um lar.

Um dia fizemos amor, nessa casa.
Foi nossa, por uma noite.
Incompleta, de paredes ainda por caiar.
Incompleta como nós.

Decidir

Às 23h30 de uma quinta-feira, já em casa, diz-me o cérebro que escreva, que poste, que comente, que partilhe, que diga, que faça, que actue...

Diz-me o corpo que feche os olhos e espere pelo novo dia.

E ninguém me garante que é já amanhã.

Fazer o quê?

Sonhar acordada

"Se podes sonhá-lo, podes fazê-lo" e - algum tempo mais tarde - "Deus só nos permite sonhar com aquilo que podemos fazer" são duas frases que me caíram no goto. É que eu sou pessoa muito dada a sonhar acordada (tenho a certeza que a palavra sonho aparece em todos os meus textos bloguistas, por muito escassos e comedidos que sejam!).
Passo muito mais tempo em deambulações oníricas de olhos abertos do que quando estou na neverland que o reino dos lençóis nos proporciona. Ainda não vou contra os postes de electricidade, nem sigo de carro até Cascais quando o meu destino é só Carnaxide, mas já vou dando por mim a falar com os botões em voz alta demasiadas vezes. "Tens toda a razão, força com isso", respondem-me eles (os botões, bem entendido, não os transeuntes) e eu fico naquilo horas a fio.
Desde que ouvi ou li as duas frases que encimam este post, que vivo mais descansada com a ideia de que tanta canseira a fantasiar vai ter sua recompensa. De facto, nunca me deu para sonhar (acordada, note-se, porque já tive uns pesadelos) em ser médica ou piloto (a?) de aviões. A massa de que sou feita não dá para isso, já que Deus deve ter escolhido uma forma que não contemplava actividades com bisturi ou painéis de instrumentos. Só de pensar fico arrepiada, quanto mais sonhar com isso!
Logo, se eu sonho em ser xxx e fazer xxxx e conseguir xxxx, vai acontecer de certeza! É tudo uma questão de sonhar bem sonhadinho, de olho bem aberto, confidenciando os pormenores aos meus botões e anotando em papel para não perder nenhum pedacinho do sonho. Tenho resmas destas instruções para ser feliz e qualquer dia Deus manda o meu anjo bater-me à porta para dizer: "Acorda, está na hora de pôr o sonho em prática". Será que ele está atrasado ou anda perdido por aí?

Da Depressão II

Carrie diz:
leste o estranho amor? o blog q te mandei ontem
[encriptado] diz:
sim sim
[encriptado] diz:
gosto
[encriptado] diz:
mas n é este o meu tipo de amor literário
[encriptado] diz:
gosto do antonio de cerveira
[encriptado] diz:
no aesperadeumsinaldivino
[encriptado] diz:
esse faz o meu género
[encriptado] diz:
sofre como um cão
Carrie diz:
como tu gostas
[encriptado] diz:
sim
[encriptado] diz:
coisa que não senti no estranhoamor
Carrie diz:
mas porque é que temos que sofrer????
[encriptado] diz:
traz grandeza
Carrie diz:
não digas disparates
[encriptado] diz:
é verdade*

Digam o que disserem sobre o que escrevo, sobre a forma como escrevo, chamem-me deprimida, elogiem os tons cinzentos com que pinto as palavras, mas isto é algo que não consigo compreender.

Duvido do Vinicius quando diz ‘que todo o grande amor / Só é bem grande se for triste’. Agora, pedirem-me que acredite que a vida só vale a pena se for sofrida, que há beleza no sofrimento, isso, tenham santa paciência, é que não! Nenhuma lágrima pode suplantar a musicalidade de uma gargalhada. Se é para chorar que seja de tanto rir. Nenhuma hora de insónias vale mais que uma noite de conversa com os amigos. Se é para ter olheiras que seja por uma noite de copos. Nenhuma dor, mesmo que por um grande amor, conseguirá superar a paz dos abraços sinceros dos meus putos. Se é para doer que seja a cabeça com as turras do G. Nenhum centavo gasto com uma depressão será um dia dinheiro bem gasto. Se é para ir a falência que seja na Fnac. Nenhuma zanga será melhor do que perder horas numa discussão de ideias. Se for para ser do contra que seja por causa do futebol, da política ou de um filme… A vida vale a pena e não é pelas lágrimas, pela dor, pelo sofrimento.

[*Conversa no msn]

Parabéns Charlotte! (II)

Quantidade não é sinónimo de qualidade. Aplica-se ao sexo. Aplica-se com mais propriedade ao caso da Charlotte. Há coisas mais interessantes para fazer na vida do que obsequiar-nos todos os dias com nacos de prosa como o que está imediatamente abaixo. Escreve pouco, mas quando escreve é sublime.

A miúda, como se pode comprovar no post da Samantha, é boa miúda. Do melhor com que me cruzei em toda a minha vida. É uma mulher doce, de quem um dia tive ciúmes. Quis o destino que partilhássemos, ainda que em alturas diferentes, o coração do mesmo homem. Mas nada abala esta amizade. A Charlotte é a mais equilibrada das quatro mulheres que compõem esta Cidade. A sua vida está longe de ser perfeita, mas a Charlotte passa por ela, pela vida, com a certeza de que tudo acaba bem e se ainda não está bem é porque ainda não acabou. E assim vai construindo os seus dias com uma segurança que parece inabalável. A inocência, ou a candura como lhe chamou a Samantha, é desarmante. Mas é genuína. Esconde uma mulher de armas. Uma mulher que protege os seus. Imagino-a como uma leoa a defender as crias quando um dia tiver descendência. Deixa-me tranquila saber que posso contar com ela. Como naquela tarde de Verão, há muitos anos [estaremos mesmo a ficar velhas?], em que veio em meu socorro, mesmo sem cavalo branco. E sei que mesmo não picando o ponto todos os dias, a Charlotte sabe sempre o que se passa com cada uma de nós. E quando é preciso chega o telefonema: “Passa-se alguma coisa, querida?”. Parabéns Amiga. Que o ‘presente’ te traga o futuro...

[Não, ninguém te vai expulsar. Esta será sempre a tua Cidade. A Nossa.]

quarta-feira, abril 05, 2006

Balanço nas primaveras

Faço anos na Primavera. É mais uma daquelas épocas (como o Ano Novo e o regresso das férias de Verão) em que aproveito para fazer balanços. Porque faço anos, porque começa uma estação promissora, porque passo a vida a pensar no "deve e haver". A idade parece que ainda não me pesa na aparência (dão-me sempre cinco anos a menos), mas continuo a queixar-me de estar permanentemente com saudades do futuro. Quero acreditar que é lá, nesse tempo ainda por chegar, que vou realizar uma mão-cheia de sonhos. Mesmo que, cada vez mais, saiba que a vida é aquilo que acontece enquanto recordamos o passado e planeamos o futuro. Ela passa, veloz, e nem sempre deixa marcas indeléveis, daquelas que eu gosto de acumular como bandeirinhas no meu mapa de "conquistas". Este ano, o balanço mostra que essas bandeiras por colocar estão quase todas no hemisfério da vida profissional. E então? Percebi que o país do amor do meu namarido (como diz a Samantha), da família e dos amigos (mesmo que um círculo muito reduzido) estão cheios de bandeiras coloridas; que o país da saúde me tem sido fiel (apesar de não ligar aos semáforos vermelhos que ele acende de vez em quando) e que tenho tido muitos e bons daqueles privilégios que apenas o dinheiro pode dar (e nem preccisa de ser muito dinheiro). Depois de me dedicarem um post como o da minha Samantha do coração, não é de doidos não agradecer tudo o que o "presente" me oferece em cada dia?
PS- Não é desdenho, nem preguiça, nem sobranceria. Eu gosto mesmo deste blog. Por favor não me expulsem por falta de assiduidade!

Mudar de Vida

Comprei hoje a minha primeira revista de jardins.

Chama-se 'Jardins', pois claro, e traz 75 truques que garantem 'a melhor Primavera de sempre'.

Por três euros?
Não alinham numa destas?

Parabéns Charlotte!

Chamar-se-ia Candura se no registo tivessem assim deixado pôr. Ela é a mais terna das quatro, a mais meiga, a mais pura, a mais serena, a mais cândida de todas as deste blog.

A Charlotte faz anos (já não hoje, que passa da meia-noite, mas ontem dia 4) e não podemos deixar de dedicar-lhe uma nota, em forma de post, num blog que ela desaproveita, ignora, ou talvez visite com aquele ar de quem pensa 'as miúdas andam entretidas e não preciso de preocupar-me'.

Todas temos problemas. Mas os da Charlotte são sempre os últimos a saber-se. Não os esconde, nada disso. Gere-os e lida com eles como coisas que vão resolver-se. E ela acredita que sozinha, muitas vezes, ou com uma ajudinha de uma certa força que não vemos nem compreendemos, vai resolver tudo. E assim parece ser.

Mas a Charlotte nunca está fora dos outros. Como nunca, fora de si. E até pode ter usado uma maquilhagem mais forte para esconder as olheiras do dia, mas será sempre nas nossas que vai reparar para poder perguntar: 'Passa-se alguma coisa, querida?' Normalmente passa. Passa-se sempre qualquer coisa entre nós e connosco. Havemos de fazer uma grande festa quando as quatro, todas as quatro desta Cidade sem Sexo, estivermos realmente boas. E bem. sem recaídas, depressoes, trabalho a mais, chatices em casa, crises de qualquer forma...

Até lá, faça-se a festinha à Charlotte e juntemos o grupo para mais um chá ou o que for que se beba para brindar a seguir. Que assim nos mantemos vivas. E velhas.

Sopras as velas Charlotte, querida?

terça-feira, abril 04, 2006

Mega depressão

Na verdade não estou deprimida. Mais cansada do que outra coisa diria.
No amor, posso sempre queixar-me, mas mesmo assim não tenho grandes razões de queixa.
Na família há coisas que me incomodam, mas que já não me tiram o sono porque aprendi a lidar com elas.
O trabalho, esse sim, é fxxxxx. Dá-me águas pelas barcas, mas a verdade é que tenho trabalho e que nem ganho mal.
E a primavera está aí. Cheira a jacarandás no ar e maresia entra-me pela janela do quarto.
Então porquê esta mega.depressão. Digamos, que estou indecisa entre descrevê-la como uma tentativa de marketing barato ou uma experiência sociológica.
É que depois de análise detalhada a este blog, cheguei à conclusão de que todos os posts "deprimidos" ou que tal indiciam são os mais bem sucedidos, se o parâmetro for o volume de comentários.
Solidariedade ou voyerismo?

Encontros imediatos

A noite de Sábado estava quente, [quase tão] quente como as noites de Verão. Cheirava a polén e à maresia que subia da foz do Rio. Era uma daquelas noites que convidam as hormonas a dar uns passinhos de dança. Love is in the air. Ficamos na rua, copo na mão, gargalhada fácil, a ver quem chega e quem passa. A dada altura entro no bar, afinal a cerveja não se compra, aluga-se. [freeze] Regra de ouro: Não se engata uma mulher à porta da casa de banho. Princípio básico, daqueles que não se escreve, afinal ninguém acredita que algum homem seja suficientemente estúpido para o fazer. Como comprovei a tentativa na prática, arrisco-me a repetir: Não se engata uma mulher à porta do WC. A conversa deste gajo, que nem sequer primava pela beleza, enquanto eu esperava que vagasse o WC feminino andou à volta do seu pé-de-cabra (se existe algum sentido escondido, aceitam-se esclarecimentos…), que me ofereceu para o caso de eu querer arrombar a porta. Dizia ele que nunca saí de casa sem ele, o pé-de-cabra. Se há quem ande com patas de coelho porque é que ele não pode ter um pé-de-cabra? Não querendo passar por mal educada, disse-lhe que percebia. Porque raio queremos ter sorte se podemos ter um instrumento mais versátil? Bem educada ou não, entrei na casa de banho, morta por me ver livre daquele fenómeno, logo que pude. Mal de mim pensar que as paredes me poderiam proteger. Estou a lavar as mãos quando o oiço perguntar se estava ‘a correr bem?’ (dah!) e logo um ‘como é que te chamas?’. Ficou sem resposta. Claro! O que é que o gajo estava a espera?!

Agora repitam comigo: Não se engatam mulheres à porta da casa de banho…

Da depressão

Dan (Jude Law): If you love her, you’ll let her go so she can be happy.
Larry (Clive Owen): She doesn’t want to be happy.
Dan: Everybody wants to be happy.
Larry: Depressives don’t. They want to be unhappy to confirm they’re depressed. If they were happy they couldn’t be depressive anymore. They’d to go out in the world and live, which can be depressing.

Closer (2004)

domingo, abril 02, 2006

Houve arraial e foguetes no ar...

Preparava-se o José Cid para o concerto no Maxime, e nós, bloguistas desta cidade e de uma Mesa noutro lugarejo do lado já nos preparávamos para aquilo que viria a ser A FESTA.

Não foi preciso o Rei fazer anos - se bem que os fez (39, ups), esta semana - mas a o povo saiu à rua e só faltou a orquestra não parar de tocar. Ainda tentámos levar o CD do Cid ao estilo 'uma mão à frente, e outra atrás', mas não... fomos recebidos com clássica ou então era a Antena 2 que estava ligada e não me apercebi. Tudo para impressionar. Ninguém abre uma FESTA assim....

O que importa é que houve churrasco. Confesso que nem o provei, mais porque preferi dedicar-me às múltiplas e deliciosas entradas - sem pimentos padrón, assinale-se - do que por falta de carne fresca, que ainda vi lavar e tirar sal para voltar ao congelador. Quando é o próximo????

Mas esta era uma FESTA que tinha tudo para correr mal:

- pessoas que não se conheciam bem;
- pessoas que não se conheciam de todo;
- muitos casais (esses conheciam-se entre si, acho);
- muitas crianças(que preferem não ser reconhecidas);
- pessoas que se conheciam bem demais;
- mulheres à beira de um ataque de nervos (porque passam assim a vida);
- homens (era só um, mas amenizemos a coisa porque até parece mal) a querer apresentar todos os amigos disponíveis e a deixar ambos os sexos em pleno ataque de nervos;
- amigos disponíveis, afinal indisponíveis...
- amigas indisponíveis e outras em dúvida sobre o verdadeiro sentido da disponibilidade...

Mesmo assim fez-se. A FESTA.

Consta que a carne era boa e bem assada, os enchidos uma maravilha, o vinho de bom trato, os queijos para todos os gostos, as sobremesesas um doce - havia até uma, feita por uma criança e estragada pela mãe (dela) mas que todos comemos e apreciámos. É que estava mesmo boa se pensássemos que os morangos congelados era apenas um truque de cozinha...

Resultado: Positivo!

Agora...
Pela parte que me toca, acabaram-se as tretas e vamos lá a blogar como gente grande, que já ninguém pode enganar o outro: Eu sei que a Chatterbox não é odiada pelo Leão, que o Vice não é uma transexual, que a Suricata também fala (baixinho) e até dá ordens ao Dr. Bunsen.... ele que parece tão duro nas opiniões por escrito mas, pessoalmente, chega a ter paciência para pessoas como o Sô Manel, impossível de aturar e pessoa capaz de montar uma bicicleta da Barbie em pleno condomínio de gente bem (senão seria uma da Tucha, claro...). Sei que a Meninadalinha não gosta de comportamentos de avó - pelo menos nas tias - que a Tia Guida não é tão velha como quer ser, que o Jonas também acha isso, que a Floresta se preocupa quando a criança está doente... que Aprimazana foi recebida em braços, e ainda bem... que este é um grupo com piada apesar de eu lhes achar graça há já algum tempo.

Mas, com tudo isto, os próximos posts podem ser demolidores.
Para eles, mas sobretudo para nós, inocentes criaturas de uma cidade sem sexo que fomos à procura de um naco de pão e serviram-nos chouriço assado.

Fica apenas o agradecimento pelo convite. A promessa de falar bem da FESTA. E uma leve esperança de que a próxima seja 'entre as dunas e os canaviais', sinal de Verão e de música apropriada.

sábado, abril 01, 2006

Aquecimento Global


Sem prejuízo para o Planeta aguardo algum aquecimento, e que as nuvens desapareçam de vez. Mesmo que para trás fique algum gelo; que isto há coisas que não derretem nem no pino do Verão...

Luz que ilumina o caminho



Nenhuma virgem precisa que lhe segurem na vela.
Senão nunca mais...!

Ainda os homens

Teoria:

Os homens descobriram que as mulheres que andam deprimidas - desde que não em estado absolutamente crítico - se desforram em uma de duas coisas: ou vão às compras, ou fazem limpezas em casa.

Eu acho que eles escondem o cartão de crédito e, depois, só têm de ficar sentados no sofá...

Exigências para o Churrasco

Leão:

Quero que haja farinheira e pimentos padrón, ok?

BCC com doce de abóbora

Já disse, num post anterior, que comecei o dia a ler o 'Expresso'.

Mas uma mulher dita 'independente', casa própria, sem empregada, tem sábados dolorosos mesmo que viva numa casa linda - como eu acho que é a minha - com todas as máquinas prontas a ajudar nas 'lides'...

O tempo que levei nas arrumações e limpezas não foi assim tão expresso, antes expressivo, e a coisa prolongou-se até ao fim da tarde.

Mas, eis que descubro que a hora mudou e o sol sai mais tarde do meu terraço.

É certo que o jardim mantém a vegetação tipo floresta, Amazónia sem rio, e, graças a Deus, sem macacos por lá deambular - nas redondezas, se exceptuarmos o vizinho de cima que passa tardes a comentar filosofias baratas com a namorada - mas a varanda... Ai, a varanda....

Se soubessem o bem que me soube aquele queijo fresco alentejano, a boiar em doce de abóbora com banana a acompanhar...

Pequenas coisas da vida.
Saborosas.

Ah! E usei factor 40, no creme que tive de pôr na cara.

Nos anais do jornalismo II

E não conta terem uma capa - da 'Única' - com um Stanley Ho vestido de concubina?

Eu também comecei o dia a ler o 'Expresso', ao sabor de uma meia-de-leite morna e de uma sandes de queijo com manteiga.

Não peguei - como nunca pego - no Caderno de Economia, mas vi as gordas do Caderno Principal e fiquei curiosa com a Única.

Um hábito ou uma esperança vã, esta leitura semanal?

Para a semana vem ter comigo. No 'Banho do Manel'o 'Expresso' lê-se com mais sumo...

Nos anais do jornalismo

Mais um sábado.
Mais edição muito anal do Expresso, pelo menos no que toca ao caderno de economia.
Há que dizê-lo com toda a frontalidade.

Qual simplex?

Ninguém me basta. Muito menos eu.
Não admira que até os meus sonhos estejam armadilhados.
Ficar parece quase tão doloroso quanto partir. E para onde, se eu estarei sempre lá?
Procura-se um lugar com a ausência de mim.

sexta-feira, março 31, 2006

Entre um blog e outro*

Os homens são maravilhosos e adoro fazer-lhes muitas coisinhas, como se fossem ursinhos de peluche, mas a verdade deve ser dita: não é possível aturá-los muito tempo, porque são monótonos, desenxabidos, mentirosos ou dissimulados, incapazes de mudar, e infiéis, infiéis, infiéis, infiéis, oh, meu Deus como são infiéis, os cabrões! São execráveis. Isto é científico, não admite refutação.

* Só tenho pena de não ter sido eu a escrever isto...

Inerte

Faltam-me emoções.

As minhas pernas tremem aceleradamente e sem que consiga pará-las, às duas...

Não estou triste.

Acho que saí.

Boa noite.

quarta-feira, março 29, 2006

Classificados III

Procura-se livro de instruções para relações humanas. Serão os cientistas que decifraram o genoma humano capazes de descodificar o sinuoso código genético dos relacionamentos amorosos? Quando caiu em desuso a frase ‘queres namorar comigo’ perderam-se também as, já de si ténues, linhas que definiam relações de intimidade antes que estas passassem pelo crivo da bênção sacerdotal ou a oficialização no registo.

A pergunta pode ser bacoca, ridícula, como são todas as declarações de amor, mas convenhamos que era bem mais fácil! Com o Sim, ou um Não, ponham-se os pontos nos i’s. Esclareciam-se formas de estar. Agora somos todos tão liberais, tão ‘trendy’, que os homens já não pedem em namoro. As mulheres, que se recusam a dar parte de fracas, dizem que isso não as afecta.

Nos últimos dois dias perguntei a dois amigos pelas namoradas. A resposta foi a mesma. ‘Não tenho namorada.’ Ah sim? Então que nome dás à gaja com quem dormes? Que vai contigo jantar fora, a quem mandas mensagens e telefonas a desoras? Como chamas à mulher que vai contigo 'aquele' concerto, ver 'aquele' filme, com quem perdes a noção de espaço e tempo? Amizade colorida? Eu chamo medo de assumir compromissos, que cresce na proporção exacta da intimidade. Mas talvez eu seja conservadora. Bota de elástico, you name it.

segunda-feira, março 27, 2006

Memórias

Há quem tenha memória visual. A minha é olfactiva. E dá uma trabalheira que não sei que lhe faça! Desgraçada da Primavera, que ainda nem assentou arraiais, só está a bater à porta, timidamente, sem grandes confianças, e eu já a maldigo com todos os nomes (feios) de que me consigo lembrar.

domingo, março 26, 2006

Insurreição

Lua enamorada*


* Porque a lua também tem direito, diz o fotógrafo.

Foto tirada da minha varanda no dia 14 de Fevereiro

orgulho aromático*

OS AROMAS

OS AROMAS DO MAR
OS AROMAS DO VERÃO
OS AROMAS QUE NOS LEVAM
A MAIS QUE UMA RECORDAÇÃO

O AROMA A PRAIA
O AROMA A AREIA
O AROMA DO JANTAR
O AROMA DA CEIA

E OS MELHORES AROMAS
OS DO AMOR E DA AMIZADE
QUE CHEIRAM A ALGO FRESCO E LEVA
COMO O AROMA A FELICIDADE

*Poema roubado ao blog da minha sobrinha de 12 anos :)

Finalmente... vi-a!

Andou toda a manhã no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Estava vestida de sol e com nuvens daquelas azuis que fazem recortes bonitos no céu.

Nas redondezas todos corriam por ela. Ao pescoço traziam medalhas e vestiam t-shirts patrocinadas a condizer pouco com o resto da indumentária trazida de casa. Eram às centenas e fecharam Avenidas para, todos juntos, correrem na estrada sozinha. Diz-se que correram com pessoas importantes da Nação, homens da política e do meio social, que gostam de envergar calções de lycra, ou outros mais discretos, nestas ocasiões em que a discrição fica longe da meta.

Mas eu não. Segui o caminho contrário. Nunca gostei de correr e nas aulas de ginástica improvisadas num Pavilhão qualquer da Escola secundária da Damaia a professora dizia-me 'tu não sabes correr'. Ai não? Pois só correrei se e quando necessário, para o que for preciso. Claro que deixei de correr para apanhar transportes públicos, deixei de correr para às aulas, e odiei correr na ginástica.

Eu gosto é de andar calmamente. E hoje vi-a por causa disso. Também ela ignorou o rebuliço dos corredores de meta e encheu-se de música e flores dentro do CCB. Andei por lá a ouvir cantares de outros tempos, a ouvir e a ver umas fantásticas artistas, performers que punham o mundo a rir, tocavam lindamente violino e ainda deixavam marcas de lábios pintados nas caras dos pais que ali chegavam com os seus curiosos miúdos. E vi as flores. Corredores imensos de flores que conheço, outras novas, cheiros que nunca tinha experimentado, cores bem misturadas e a assentar bem naquele cenário.

Levei o meu sobrinho à Festa.
E vi, finalmente, a Primavera.

Que fique entre nós.

Mais uma hora

Quando peço ao tempo para andar depressa ele atrasa-se e faz-me perder num passado que não deixa o presente.

Hoje, que preciso tanto de dormir, lá me rouba mais uma hora.

Preciso de aprender a gerir cada minuto, para não me voltar a incomodar com estas coisas passageiras.

sábado, março 25, 2006

Há companhia por aí?

E que o faz tão uma miúda tão gira quanto eu sozinha em casa num sábado à tarde cor de cinza a ouvir roxy music? Resposta: fantasia com o que não deve. Ou será que no reino da fantasia tudo nos é permitido?
Dance away the heartache.

sexta-feira, março 24, 2006

Primavera

Então mas ela não chega?

E vocês deixam-me sozinha neste blog, assim, à chuva?

Onde estão todas? As minhas amigas bloguistas e a Primavera?

O que aí vem... lá vai

Pode o futuro ser certo se o presente parece uma grande incerteza.
Pode a certeza valer a pena se um dia já se viu que certo, certo, nada é?

Pode uma mulher gostar de um homem quando, já se já sabe, a priori, não vai resultar, aquela relação?
Pode a relação resultar se ela não acreditar em pontos de partida viciados?

Pode o amanhã começar hoje a mostrar caminho? Pode o camino fazer-se com as passadas de hoje?

Poderia isto tudo ser mais claro se me deixasse de tretas????

Não me parece. Não seria capaz.

quinta-feira, março 23, 2006

Dúvidas

Há noites em que não me largam, as dúvidas. Então, deito-me. E espero que a que dizem ser boa conselheira me faça acordar com respostas.

Será amanhã?

terça-feira, março 21, 2006

No Dia da Poesia

Eu, que não a aprecio, roubei um texto a um amigo, que também é namorado, que também é jornalista... e que hoje escreveu isto, para publicar na 'caixa'.


"O Poeta é um fingidor.
Finge tão completamente,
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente".

Sabe-se com segurança que as estrofes são de Pessoa. O Fernando que era poeta e que tinha vários nomes. Com menos segurança se sabe se o poeta finge, realmente e, a ser verdade, o que finge. Portugal, rectângulo salgado pelo Atlântico, é há oito séculos país... e sempre foi de poetas. Populares como Aleixo, eruditos como Camões, pragmáticos como Gedeão, contemporâneos como Eugénio de Andrade, inconformados como Ary dos Santos, revolucionários como Manuel Alegre.

(...)

Não se sabe também se a Literatura afasta os Portugueses, ou se são os Portugueses que se afastam da Literatura. A verdade é tão mais... verdadeira quanto se fala, de menos, em Poesia. Coisa erudita, dirão uns, inantingível, acusarão outros, inútil rotularão os menos atentos. Porque se o não fossem talvez entendessem que um verso, uma estrofe, uma redondilha, uma rima, uma quadra, não são conceitos de escola, são apenas modos diferentes de ver o que se vê, de dizer o que se diz.

(...)

E assim Portugal pode ser de poetas. Todos dias. Desde que o queiramos. Os livros estão aí, e com eles os autores. Todos os autores; e as palavras deles. Por vezes só faltamos nós. E aquilo que de nós disse Natália Correia:

"Ó subalimentados do sonho.
A poesia é para se comer".

Que bem que se está no campo

Gaja que é gaja nunca perde a compostura. Anda de saltos de cinco centímetros, calças pretas, casaco cintado e óculos Gucci a segurar o cabelo, mesmo quando é para limpar o pinhal*. Gaja que é gaja talvez perca a figura quando leva com uma nuvem de fumo nas ‘ventas’, porque o vento mudou. Sufoca no meio de uma cegueira branca, tosse e quase perde o equilíbrio para dentro do poço de queima controlada (isto de fazer queimadas no dia mundial da árvore parece-me muito pouco ecológico). Gaja que é gaja diverte-se a arrastar ramos para dentro da fogueira, a apanhar pinhas, a enterrar os saltos na terra amolecida pelas chuvas dos últimos dias. A arranjar ramos para depois acender a lareira [como quando tinha cinco anos e queria imitar a avó a levar um braçado de lenha à cabeça]. Gaja que é gaja gosta do campo.

[* ‘Dondoca’, mas não tanto(!), principalmente porque não é prático. Tinha acabado de chegar da cidade e fui ver de onde vinha o fumo. Acabei por ficar a ajudar.]

A noite em que a química ficou em casa*

Ponto prévio: Juro que não ando a ouvir Rui Veloso. Limito-me a ter uma memória extraordinária para coisas inúteis. Esclarecida aquilo que me parece ser uma questão de bom gosto, vamos ao tema da posta. Diz a música que “não se ama alguém que não ouve a mesma canção”. Reformulo e adapto: não amo alguém que não lê os mesmos livros.

Anos de experiência comprovam a ‘teoria’ que me caiu em cima na noite em que a química ficou em casa. Na noite em que sai com um homem lindo de morrer e não pensei em me apaixonar. Incomodou-me esta falta de vontade. Intrigou-me não sentir vontade de o seduzir. Nunca fui conquistada, sempre conquistei. Percebi que um homem que nunca leu Auster, nem Philip Roth, que não sabe o que é percorrer as ruas de Barcelona à procura da Bea, que nunca se encantou pela Teresa de Perez-Reverte, nem chorou com as angústias de Briony, que não se apaixonou pela sensatez de Clea, preterindo-a a estouvada Justine, que não aprendeu o que é a solidão com o Ballester, não é homem para partilhar os meus lençóis.

* Work in progress

domingo, março 19, 2006

Dia do Pai

Quem diria que saberia hoje que este dia também vai ser teu?

Dilúvio

Ao fim de dois dias, nada me espantaria menos do que ver a Arca de Noé a descer pela Serra abaixo.

Pai

Não te zangues quando chamo primeiro 'Mãe'!
Nõ estás esquecido, nem tão pouco em segundo plano.
Ela às vezes ouve melhor porque tu não estás à espera de ser chamado.

Amanhã vou a um casamento...

... Não é o meu.
Mas faz-se no mesmo sítio onde um dia também celebrei um.

Vou a um casamento de uma rapariga que mal conheço e de um rapaz que conhecerei sempre, porque, sendo mais novo do que eu, é daqueles com quem cresci e vi crescer. Em certa medida, e presunção à parte, daqueles que 'ajudei a criar', como diz o outro...

O M. é um rapaz pacato. Já não se fazem assim. Toca viola, dá catequese, também ensina viola e faz da vida uma aprendizagem. Usa assim uma barbichinha daquelas pequenas - que não aprecio - mas que nele fica bem, porque o envelhece sem o fazer velho e faz-me ver que já não é o puto a quem dei conversa e mais conversa sobre temas do género 'fazer o melhor pelos outros', 'nunca desistir dos projectos em que acreditamos' etc, etc, etc.

Amanhã vou ao casamento do M. Acho que o dele vai durar. Vão viver para casa da mãe dele, porque o pai morreu no ano passado e a casa que ambos remodelam há uns anos ainda não está pronta. Quando casei, andava a construir uma casa com o meu namorado. Decidimos casar, mesmo assim, porque estava 'QUASE' pronta. O quase durou mais tempo que o nosso casamento. Mas com o M. não! Vai ser diferente. Digo isto com convicção porque sei que ele ponderou tudo, porque sei que aceita com calma e candura, paciência e lealdade tudo o que corre mal na vida. E recebe com um sorriso o que corre bem.

Eu quase não falo com o M. Há alguns meses. Valentes... (tirando a parte do convite)Mas trago-o na memória em situações tão dignas e tão bonitas que nunca poderei esquecer. Como o dia em que subimos aquela montanha suiça, cansados, mochila às costas - alguns, porque o M. às vezes levava duas - sol na saída, chuva quando a montanha ia a meio, e neve já no topo. Uma viagem na qual a transformação do clima parecia querer provar-nos que até podemos estar em diferentes fases da vida, em diferentes estados de humor, mas a montanha será sempre a mesma, e teremos de chegar lá a cima, seja como for... preferencialmente juntos. Todos.

Amanhã vou de branco ao casamento do M. Não como noiva - nem queria tal coisa e atenuo a cor para não parecer deselegante - mas vou como uma espécie de tia que se vê de quando em quando, e que vai chorar quando sentir que o 'sim' dele, esse sim, será para sempre.

Como as amizades. Mesmo as que assentam no passado muito atrás.

sexta-feira, março 17, 2006

Mais um recado

«Ele censurou-se: "Pelo amor de Deus pára! Pára de pensar! Abre os olhos! Vê! Deixa o mundo entrar!"»

Se tiveres dúvidas... volta lá ao lugar onde foste feliz...

Quinta-feira, 20H. O Café Medeia serve hamburguers e massas para quem tem pressa e quer comer para aguentar duas horas de filme. Fomos lá por acaso. Não íamos ao cinema. Tínhamos dois bilhetes para um espectáculo diferente, com mão de Chico Buarque, nome de ópera e malandrice no título. Era no Coliseu daí a uma hora: A Ópera do Malandro.

Mulheres da cidade, cientes do que acontece no Rossio quando há Coliseu cheio, La Feria em cena e não sei mais o quê... metemo-nos num taxi. Pontaria: 4 euros depois estávamos à porta e ainda evitámos a chuva que começava a cair.

Camarote 26. Vista satisfatória. Sala Cheia.

Começa o espectáculo, sotaque brasileiro - já se sabia - uso e abuso de expressões só por eles usadas, um Rio que ficava, para mim, ainda mais distante... outros tempos, outras expressões, e um cantar quase sempre afinado que, de quando em vez, me fez sorrir. Nunca aplaudir.

Eu e a Carrie saímos no intervalo. Quando desci a rampa do Coliseu olhei para trás só para me certificar de que não estava a sair da Canção de Lisboa, ou assim... Eu até gosto de musicais. Tenho visto alguns... Revista é que não suporto e muito menos suporto espectáxculos onde as pessoas só se riem se se fala de sexo, quando se diz puta ou quando se apalpa um rabo em palco. Como diriam os brasileiros... baixaria. Não chega, para o preço dos bilhetes...

Somos umas resistentes da Cultura e sabíamos que (quase) ali ao lado, no Lux, Ursula Rucker tinha outro tipo de música para dar. Subimos a Avenida a pé. Primeiro a da Liberdade, depois a Fontes Pereira de Melo que, talvez pela ligação às águas (apenas no nome), trouxe de volta a chuva. Chegadas ao carro lá fomos, Avenida - desta vez -abaixo, destino : Discoteca Lux.

Esgotados os bilhetes para a Ursula, esgotavam-se também as nossas possibilidades de fazer qualquer coisa de digno, nesta noite que decidimos cultural. Nisto eram já 23h30... e nem um pingo de sono.

Podia ter havido uma operação STOP naquela bendita Avenida que as probabilidades de sermos apanhadas aumentavam. Voltámos a subir, direcção Saldanha, em concreto, cinema Monumental.

O Syriana é um filme que requer atenção. Está filmado com cores assim de documentário - disse a Carrie e eu concordo - o Clooney não está bonito, nem feio, mas está muito bem no papel de Bob (óscar de melhor actor secundário merecido). E o Matt Damon também está bem, com aquele ar sempre de inocente, puto perdido por quem nos apaixonamos no fim. A história é uma autêntica teia que nos leva a viajar de Teerão para Marbella, e depois para os Estados Unidos, e de volta ao Irão e com planos (cinematográficos) que podem ser de um mundo onde árabes, chineses, europeus e norte-americanos se misturam. Um mundo real, portanto... O petróleo é o ponto de partida. Ou a gota d'água, se preferirem... E foi filmado no Dubai!

Nós escolhemos o Syriana. Deixámos o 'Boa Noite e Boa Sorte' para outro serão com menos voltas e com outro Clooney, ainda a preto e branco. Mas sentimos que esta valeu a pena. No fim o Medeia estava fechado mas, a mim, ainda me chegou à boca o bom sabor do Tagliatelli...

terça-feira, março 14, 2006

A felicidade depende de quê?

Se voltar ao lugar onde fui mais feliz volto também ao lugar onde fui mais infeliz. E se a companhia nesses dois estados de alma era a mesma, de quem é a culpa? Do lugar ou da companhia?

Talvez seja minha...

É por isso que nunca sei se, para onde, para quem, e quando voltar...
Deixo-me estar?

Volta sempre aos lugares onde foste feliz

Não voltes a um lugar onde foste feliz. Diz a sabedoria popular, dizem as ‘regras da sensatez’ escritas pelo Carlos Tê. Lembrei-me destas palavras enquanto apanhava sol numa esplanada onde fui feliz. Acto contínuo, saltaram da caixinha verde alface, milhares de frames coloridos de sorrisos. O cenário eram as ruas desta cidade, mas também o rio da minha adolescência, o pelourinho que nos acolhia nas noites quentes de Agosto, uma casa em miniatura numa aldeia da costa algarvia. O areal da Comporta. O som das gargalhadas, o barulho do mar, as cigarras da Serra, acompanhavam a sucessão de imagens como banda sonora. Percebi que nunca poderia deixar de voltar a cada um destes sítios. Não voltes a um lugar onde foste feliz. Aforismo idiota. Regressar é ter de novo um pouco de nós mesmos. É perceber quanto de nós ficou no umbral de um edifício centenário numa rua de Lisboa. Quantos neurónios perdemos com as ganzas fumadas no parque infantil. Compreender como ficamos mais ricos por ter vivido cada um daqueles momentos. O que aprendemos com os outros. Esclarecer de uma vez por todas se aquela história ficou resolvida. Seguir em frente. Dói quando percebemos que ainda há pontas por atar, mas de cada vez que o fazemos corremos o risco de ser um bocadinho mais felizes. Por isso volto todos os anos àquele Rio, ao recanto de uma igreja sobre o elevador da Bica, ao mar da Comporta, volto todos os dias ao meu tapete vermelho…

Geografias

- O que procuras nela?
- Quero contar-lhe as sardas, Piloto. Já reparaste…? Tem milhares, e quero contá-las a todas, uma por uma, percorrendo-as com o dedo como se fosse uma carta náutica. Quero traçar rumos de cabo a rabo, ancorar nas enseadas, fazer navegação costeira na sua pele… Compreendes?
- Compreendo. Queres fodê-la.


O Cemitério dos barcos sem nome
, Arturo Pérez-Reverte

Dúvidas

A minha melhor amiga convida-me para jantar com três homens lindos. Todos eles comprometidos. Começo a questionar-me sobre se valerá a pena manter esta amizade ou se bastará mandá-la a um psicoterapeuta para tratar estas tendências sádicas.

domingo, março 12, 2006

Time out

(...)
- Quer jogar?
- Não, eu não jogo.
- É uma pena. Tencionava apostar o meu restaurante contra o seu carro. Se perdesse, esperava pelo fim das chuvas, atravessava o rio a pé e seguia viagem. Se ganhasse, pegava no carro e voltava para trás, para a vida que deixei...
Eu não queria voltar para trás. Não queria regressar à vida que havia deixado. Hesitei um instante e depois disse-lhe que sim, que estava disposto a jogar, que aceitava a aposta. Os olhos dele brilharam. Tirou do bolso das calças um par de dados muito gastos. Reparei que lhe tremiam os dedos e que tinha as unhas manchadas de nicotina. Venceu-me sem dificuldade. Entreguei-lhe as chaves do carro e pedi um café. Sentia-me de repente muito cansado.
- Então isto é o fim?
- Não. – Respondeu-me Máximo sem perder o sorriso. – Não há fim. O que há são intervalos.

Eduardo Agualusa in Pública

De olhos bem abertos



Tantas vezes ouvimos dizer 'a minha vida dava um filme' que também acreditamos ser esse o destino da nossa. Logo de seguida pensamos que só podia ser um drama, uma comédia, um filme de terror... ninguém diz, de si, que a história da vida que leva terminaria, por exemplo, num romance em tela grande...

Eu adoro cinema mas decoro poucas coisas. Melhor dizendo, a minha capacidade de memória fica àquem das personagens desse fantástico filme de animação que conta a história de uma fuga, a partir de uma galinheiro. O meu cérebro é bicado todos os dias, como se lá se abrissem buracos de onde sai tudo o que aprendi, absorvi, nas 24 horas que antecedem a bicada...

Por isso, e antes que me esqueça, aqui seguem as razões para ver dois filmes sobre vidas reais e inventadas, sobre dramas e histórias de terror... que vi ultimamente no cinema.

Os filmes chama-se 'Capote' e 'Coisa Ruim' e em nada (?) são comparáveis. Mas ambos devem ser vistos para que, realidades que desconhecemos ou outras que nos omitem, sejam pensadas, ponderadas, lembradas. Nem que seja apenas no momento em que nos sentamos ali, naquela cadeira dobrável.

Por ordem cronológica das minhas idas ao cinema...

'Coisa Ruim' é um filme que roça os medos. Foi apresentado no Fantasporto deste ano - aliás, abriu-o, com a honra de ter sido, pela primweira vez, um filme português a fazê-lo. Foram precisos 26 anos para que tal acontecesse - e tem uma beleza estranha e que nos agarra a um filme que nos quer, afinal, assustar. A fotografia é maravilhosa e os diálogos fazem sentido. E se não fazem é de propósito, porque ir ao cinema é também pensar no que pode ser e no que gostaríamos que fosse. O actor principal - Adriano Luz - é muito bom, e o miúdo da história - Afonso Pimentel - cresce ao longo do filme como um actor que vale a pena fixar. Coisa Ruim leva-nos a um mundo de interiores. Não é só o de uma casa, o de um País, o de uma Serra coberta de curvas de vento e geada. Coisa Ruim fala de tradições, chama as coisas pelos nomes, e remete-nos para um Portugal que todos sabemos que existe. Mas que não faz parte dos roteiros.



Outra coisa é Capote. Primeiro porque me mostrou um Truman Capote que não imaginava. Um escritor que é um vígaro, um mentiroso, um egoísta, um homem capaz de tudo, tudo mesmo, para ter a sua história. E não precisava de tanto... a sua própria história, como é contada neste filme, basta-nos. E o Phillip Seymour Hoffman é, simplesmente, genial. O óscar para melhor actor é mesmo merecido. Pela minha parte, agarrou-me ao filme, fez-me pensar que até podia ter pena daquela criatura intragável, que até podia compreendê-la mas que, sobretudo, tinha de lê-la. E já tenho comigo o 'A Sangue Frio', obra que desconhecia...

Quando era miúda e jogava ping-pong com os meus irmãos, era frequente levar 'Capote', o mesmo que dizer 7 a zero. Essa coisa ruim que eles me faziam - ganhar todos os jogos - também me fez crescer com o sentimento e a vontade de tentar ganhar o próximo. É o que farei no cinema. Não posso perder os bons que por aí andam. E os que hão-de vir.

Há bilhetes?

sábado, março 11, 2006

De tolos todos temos um pouco

Zangaram-se. Brigaram feio. Não foi a primeira vez, não seria certamente a última.
Em jeito de desafio, ele disse: "Aposto contigo que amanhã até às tantas horas arranjo outra namorada".
Ela esperou para ver. Dito e feito. Ele cumpriu, ela comprou bilhetes de camarote para assistir.

E os desafios continuaram e por vezes ela pegava no carro a meio da noite e fazia quilómetros impensáveis ao longo dos quais ia perdendo o orgulho. E a lucidez de cada vez que lhe vasculhava o telemóvel à procura de pistas feitas ou provas recebidas. E a auto-estima em cada insulto ou agressão

Foram loucos os dois ao não perceber que o respeito é o pilar de qualquer relação sã.
Se calhar, fomos todos os que assistimos e celebramos um pouco tontos. É difícil contrariar o brilho dos olhos apaixonados. Querer acreditar é mais fácil. Até ao dia...
Já era altura desta história terminar. Não fosse ela acabar mais tarde e pior. Há vida pela frente.
Disse-te há dias, querida Samantha, meio a brincar, que a auto-comiseraçao não combina contigo. Se tivesse tido coragem, tê-lo-ia dito de forma mais assertiva.

sexta-feira, março 10, 2006

Não existem filhos (as) da puta... Apenas tolas e tolos

Raramente uso saltos altos e muito menos sapatos de ponta certeira capazes de bicar o fecho da braguilha à minha frente sentada. Nesse aspecto, não sou uma filha da puta.

Se conheço um tipo interessante com quem fico umas boas horas a falar, mudo de tom se ele tem aliança, se me fala da 'mulher' ou da 'namorada', mesmo que me venha com a conversa da tanga 'as coisas não andam bem', 'sinto-me sozinho', 'ela nunca aceitaria o facto de eu ter uma amiga...' Tenho por princípio evitar os comprometidos - o que é difícil, hoje em dia - o que talvez faça de mim, outra vez, uma 'não' filha da puta.

Porém...

E para tentar provar que não existem filhos, nem filhas da puta, deixo-vos hoje - haverá mais - um caso que quer provar a existência, isso sim, de gente tola. Gente burra que aceita tudo por causa de um tipo ou de uma gaja que se julgam filhos da puta. Não o são. Os outros é que são demasiado tontos.

Senão, vejamos:

Caso 1:

Seguem cinco pessoas num carro de marca fraquinha, idades entre os 16 e os 22 anos, flor da idade, esperanças e outras parvoíces da geração. Um casal - novos - segue à frente. Ele conduz. As curvas - da estrada - são sinuosas e ele conhece-as bem. Mas há perigo. Ela alerta-o. Ele prossegue. 'Tem cuidado', diz ela quando o carro resvala - há um ribanceira à direita dela, suficientemente inclinada para dar cabo daquela tarde que se previa quente a mergulhar numa fantástica barragem de águas azuis.

Sai! Diz ele. Se não estás segura, sai. Pára o carro - desafia ela. O carro pára. Ela bate a porta e segue a pé. O carro avança com uma daquelas acelerações viris e nervosas.

Ela conhece-o. Ela sabe que ele voltará para vir buscá-la assim descarregue o resto da miudagem. São sete quilómetros até ao destino, entre pinheiros e eucaliptos que erguem para o alto as chatices daqueles dois miúdos a jogar ao 'rato e ao rato'. Ele regressa, como previsto. Não a vê. O arvoredo esconde-a de propósito.

Vão cruzar-se sete quilómetros mais à frente, ele já deliciado nos mergulhos da piscina natural, ela cansada e de orgulho ferido. Mergulha, ela própria, numa profundidade que não será apenas a das águas.

Refrescada, decide regressar sozinha. Ignora todas as perguntas de vizinhos e amigos que por ela passam. Ali todos se conhecem e ela segue a pé porque quer. O carro dele há-de passar. E passa. Não pára, não abranda, nada. Segue como se passasse por mais um arbusto ali plantado à beira da estrada, daqueles que as rodas tocam e por pouco não estragam. Ela não sabe se o retrovisor repara nela. Ela já não vê nada.

Está quase a chegar a casa quando o velho carro se aproxima. Já só traz o condutor. Anda, diz-lhe ele, não vou, responde ele. Tens de vir, está a ficar frio, insiste. Não quero, diz ela.

A Lua desce.

E ela acaba por ir. Faltar-lhe -iam uns 500 metros para acabar aquele percurso e ter um bom pretexto para pôr fim ao jogo. Mas não. Desistiu quando era fácil parar. A tola desistiu e acreditou que os lugares vagos no carro eram todos para ela. Seriam sempre... Não eram.

Naquele entardecer na serra o carro seguiu com os dois. Mas a gasolina teria acabado ali mesmo, se houvesse verdadeira justiça. Não acabou. E chegaram juntos como se nada se tivesse passado naquele tarde.

quarta-feira, março 08, 2006

A hora da verdade... ou o sexo dos anjos?

Na sequência de posts anteriores e respectivos comentários, é então altura de abrir hostilidades. Estarão os homens e as mulheres condenados a reclamar para todo o sempre a incompreensão do sexo oposto? Genuinamente, seremos assim tão diferentes? Até onde é que essa diferença nos afasta e nos atrai?

Como não sou sabedoria no tema, recorro aos académicos. A editora Difusão Cultural tem dois livros editados: "ELE - Chaves para a piscologia masculina" e "ELA - chaves para a psicologia feminina", da autoria de Robert A. Johnson, psicanalista da escola de Jung de renome internacional que recorre, no caso dos homens ao mito do Santo Graal e, no das mulheres, ao mito de Eros e da Psique.

Diz o entendido:

"A crónica da vida de uma mulher pode descrever-se na sua luta e evolução em relação ao princípio masculino da vida - quer a encontre exteriormente numa criatura humana, quer no seu íntimo, como animus"

"O homem depende largamente da mulher para a existência de luz na família, pois não está bem preparado para encontrar um significado só por si. A vida apresenta-se lhe frequentemente seca e árida, até que alguém lhe incute um significado"

"A mulher é a portadora do crescimento, na maior parte dos relacionamentos. O homem receia isso, mas ainda mais a sua ausência".

Tentei ser imparcial, mas o autor não colaborou :) Por isso, vejo-me na obrigação de pedir ajuda a Ruth Barnhouse, da universidade de Harvard. Que diz:

"As mulheres sabem muito menos do que imaginam a respeito dos homens. Desenvolveram, ao longo dos séculos, técnicas notáveis para se lhes adaptarem, mas isso não significa que os compreendam."

terça-feira, março 07, 2006

Faz-me um desenho

A tinta da china. Traço carregado. Faz-me um desenho para que eu perceba onde foi o fim da linha. Mostra-me, preto no branco, qual o comboio que perdi. Diz-me com todas as letras, tens o alfabeto inteiro, em que apeadeiro fiquei. Ajuda-me a subtrair os dias que perdi, multiplicando as horas mal dormidas, somando as noites vazias. Ensina-me a prova dos nove para que eu perceba se nesta equação ficarei sempre a perder.

segunda-feira, março 06, 2006

Filhas da Puta – Modo de usar

Mais Cidade que Sexo proundly presents: Leão da Lezíria

Depois da saudável discussão sobre o facto de algumas mulheres gostarem de homens que as tirem do sério, impõe-se um estudo sério sobre o “modus operandi” que os filhos de Adão deverão seguir quando têm a sorte de lhes sair na rifa uma daquelas mulheres com uma moral sexual vincadamente masculina, das que tiram os homens do sério. Uma filha da puta (fdp), portanto.

Uma boa definição de fdp será aquela colega de trabalho que se senta à nossa frente no jantar de Natal da empresa. Depois de fazermos saber a mesa que nossa mulher está grávida de oito meses e são trigémeos, sentimos um pé descalço, vindo da cadeira em frente à nossa, percorrer languidamente a nossa calça do fato às riscas, detendo-se quando chega ao joelho. Um olhar de relance permite-nos concluir que é a fdp a iniciar a sua versão de Missão Impossível III. Há que reagir.

Uma reacção básica e de todo desaconselhável será a de entregar imediatamente o ouro à bandida. A travessia do deserto por que estamos a passar (lembrem-se: oitavo mês de gravidez…) tira-nos discernimento. Os menos avisados sairão do restaurante rapidamente, na esperança de que a fdp os siga. Bem podem esperar, a fdp não gosta de tanta facilidade. Nestas condições, em que entregamos os pontos, podemos contar com o desprezo eterno da fdp, que se rirá de nós no dia seguinte e ainda insinuará junto da Dona Maria da Paz (a senhora reformada que serve os cafés) que a tentámos assediar. “Coitadinha da mulher, no oitavo mês de gravidez…Animal!”, dirá a Dona Maria da Paz, que passará a olhar-nos com asco e passará a servir-nos o café em copos de plástico.

Uma reacção mais aceitável será a de ir a jogo. Tentar controlar a situação. Se os sapatos não forem daqueles com atacadores, podemos descalçar-nos recatadamente e responder na mesma moeda, isto é, afagando com o nosso pé descalço a perna da provocadora. Algumas precauções: antes de mais certificar-se que é efectivamente da fdp o pé que nos afaga (imaginem que, por erro de paralaxe, se nos afigura ser o pé da fdp quando, na verdade é o tipo do marketing). Por outro lado, ter a consciência que, no nosso caso, não nos livraremos de dar uma frouxa imagem de nós próprios se restringirmos o afago á zona abaixo do joelho. Durante toda esta acção devemos manter-nos imperturbáveis, continuando a falar animadamente sobre a OPA do Belmiro com quem está ao nosso lado. Esta acção requer técnica e muito treino, se não tivermos a certeza que conseguimos mover apenas a parte no nosso corpo abaixo da bacia, mais vale estar quieto e parar o exercício de contorcionismo.

Na hora de levantar, após o discurso do Administrador, ficar longe da fdp, isto para além de nos certificarmos que voltámos a calçar o sapato. Estratégia de toca-e-foge, portanto. Continuar a dar-lhe a primazia de ser ela a comandar a situação. Que será, será…

Normalmente a fdp nunca leva carro para os eventos sociais, pelo que será de esperar que nos aborde e pergunte se lhe podemos dar boleia para o sítio onde vamos continuar a noite. Esta é a ocasião para decidir se queremos ou não ir a jogo e, não indo a jogo, temos ainda que decidir se não vamos a jogo só esta noite (mantendo uma janela aberta para o futuro) ou se a queremos despachar definitivamente.

Não indo definitivamente a jogo, uma forma elegante de sair de cena é dizer-lhe que a nossa mulher não dorme sem nós chegarmos a casa e que Massamá Norte ainda é longe. Podemos ainda deixar o extracto de conta-ordenado em cima do banco do pendura. As fdp abominam gente que more em Massamá Norte, e abominam ainda mais homens que necessitem de ter uma conta-ordenado para pagar as contas. Prova superada, portanto.

Querendo deixar a continuação do jogo para uma oportunidade futura (porque bebemos demais e não estamos capazes de fazer boa figura com uma fdp), uma saída clássica é dizer que temos um jogo de póquer clandestino num bar mal afamado e não a podemos levar porque é perigoso. As fdp gostam da adrenalina, mas não lhes apetece acabar a noite numa espelunca na Cova da Moura. No entanto, sentir-se-á ainda mais atraída por nós, com a nossa vida paralela no bas-fond. No dia seguinte perguntar-nos-á se ganhámos ou perdemos. Naturalmente, diremos imperturbáveis e sem vacilar que perdemos cem mil euros e que estamos a precisar de desabafar com alguém. Segue jogo.

E pronto, como a comunidade masculina não me perdoaria se eu revelasse os ancestrais códigos para lidar com uma fdp, resta-me ficar por aqui, sempre à disposição, na secreta esperança de ter dado mais uma achega a esta fascinante temática.

domingo, março 05, 2006

A minha sogra casou-se*

Tentei interpretar o facto de estar presente no casamento da minha sogra ainda antes de ter estado no meu próprio enlace com o filho dela. Uhmmm... Não interessa elencar aqui as razões pelas quais ela deu o nó, nunca o tendo feito antes, e os motivos porque eu ainda não dei o meu, apesar de ter vontade disso. É talvez mais importante concluir que as convenções não nos devem prender sejam num sentido ou noutro. A minha sogra chegou à conclusão de que valia a pena fazer algo em que até agora não tinha acreditado, outros acalentaram este sonho toda a vida e tiveram uma desilusão. Ou seja, o importante é acreditar que os rituais são isso mesmo: partilharmos com família e amigos um momento singular na nossa vida. Pode ser o prelúdio de um desastre ou, de facto, o início de uma bela história. O importante é vivê-la, recordar os bons momentos e seguir em frente quando acabar. Para que, com ritual ou sem ele, vivamos todas as histórias que destino nos reservar.

Não tenho sogra. Se tivesse provavelmente também não estaria a casar-se. Gostava de assistir a um casamento este ano. Uma festa muito especial, de uma mulher que adoro. Adiante. Há temas que só para algumas de nós ainda fazem sentido. Hoje tivemos jantar a quatro. Juntamo-nos pela segunda vez este ano. Não foi precisa nenhuma desgraça, nenhum quarto de hospital. Estamos juntas porque sim. Para trocar mimos e prendas de Natal. A senha hoje pertence à Samantha. Assumidamente, a mulher do momento.

A minha 'sogra de facto' é divorciada. Já passaram mais de 10 anos e ela nunca superou o facto de lhe terem trocado as voltas quando parecia que já não era altura de dar mais volta nenhuma. Fugiu-lhe o tapete de debaixo dos pés, quando ela já nem se lembrava que ele estava lá.
A minha mãe é viúva de um casamento de merda. Já lá vão dois anos e ainda lhe vêm lágrimas aos olhos quando se recorda do meu pai.
E eu estou acompanhada há vários anos. Bem acompanhada. E mesmo assim são muitas as vezes em que me sinto demasiado só. Moral da história? Não sei se a há e nunca fui demasiado moralista. Mas talvez estas três histórias - e não só estas três - revelem que dificilmente nos bastamos a nós próprios. Se assim fosse, talvez algumas coisas fossem muito mais fáceis. Mas muito menos coloridas e ternas, certamente. Às minhas amigas do peito, desejo-lhes o mesmo que a mim própria: a manutenção do laço que nos une e que, quando tudo o mais falha, nos ajuda a atenuar a dor e a manter a capacidade de nos conseguirmos rir das nossas mágoas e ridicularidades menores.

A minha sogra é casada. E bem casada. Mas eu já me divorciei do filho dela. A minha sogra manteve um casamento feliz com um homem que a respeita mas não soube dar aos dois filhos a necessária 'formação' para eles lhe seguirem o exemplo. E ao pai. -- Só para que se saiba, e actualizando o encontro desta noite - a senha é agora da Carrie! -- Continuando... Os filhos da minha sogra - diz-se que esses laços familiares nunca terminam, mesmo que o casamento morra - casaram-se: um com uma mulher dominadora que o controla a 100 por cento; o outro comigo. Eu não controlei a coisa e lá se foi o casamento.
Como diria o Chico Buarque: 'Foi bonita a festa, pá...' mas acabou-se.
A minha sogra é boa pessoa. Ainda o é, de certeza, apesar de não nos vermos há mais de dois anos. Creio que não voltarei a ter outra. Creio que não voltarei a ter outro marido - mas nunca digo nunca, no que a este assunto diz respeito - mas tenho a certeza que, solteiras, casadas, juntas ou divorciadas, as três amigas deste 'mais cidade que sexo' me bastam.
E se alguma delas casar, lá estarei! Porque apesar de já não ter idade para o 'chá de panela', não desdenho uma boa festa de 'trem de cozinha'.


*Escrito a 8 mãos, com votos de felicidade à D. Conceição.

sexta-feira, março 03, 2006

Amizade

Almocei com um dos homens da minha vida. O meu maior amigo de liceu, o único que mantenho até hoje. Da última vez que estivemos juntos passei dois dias a pensar porque raio nunca me tinha apaixonado por ele. Perguntei-me mil vezes como pude deitar fora a paixão assolapada que tinha por mim. Hoje voltei a pensar no assunto. No final do almoço, enquanto conversávamos sobre a vida um do outro, ele deu-me a resposta. Disse-me qualquer coisa como “nunca consegui ser amigo das minhas ex-namoradas”. E eu seria incapaz de perder esta amizade. Guardo-te para a vida. Toda. Mesmo que esta tenha sido injusta e nos tenha separado durante tanto tempo.

Coisas que só a mim apoquentam*

Já foi um vício maior. A Miranda chama-lhe actividades pidescas. Concedo. Pelo Statcounter sei quem visita esta Cidade (conheço alguns IPs de cor, outros já me esqueci), como cá chegam, por onde andam, quais são os posts mais lidos. A verdade é que tudo isto é absolutamente irrelevante. Mas há uma coisa que me intriga há semanas. Porque raio temos nós uma visita da Sérvia? A sério! Ao início achei que era engano, mas depois percebi que é recorrente. Todos os dias, pelo menos uma vez. Por isso, todas juntas: Olá à(ao) nossa(o) leitor da Sérvia e já agora dê notícias. Chegue-se à frente. Apresente-se. Será sempre bem-vinda(o).

* Título gentilmente roubado ao Quatro Caminhos.

Uma verdade por Dia

Quando estamos com amores bomba relógio em mãos, quando há uma forte possibilidade de sermos felizes, que merda, que incrível chatice, deita fora, parte para o próximo, quero um gajo casado, um cheio de filhos e ex-mulheres problemáticas, quero curar um homossexual da sua bichice, quero um menino bonito, quero um toxicodependente, só quero amores impossíveis.O amor é tanto maior quanto a sua impossibilidade. O amor é inversamente proporcional à probabilidade de um final feliz.

Para o JP

"Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre.”
A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

Se os conselhos valessem de alguma coisa não se davam, vendiam-se. Por isso, por não saber o que te dizer, mesmo que me tenhas dito que não precisas que te diga nada, deixo-te uma citação que me fez pensar. Pensar e agir. Também sei que não há dois casos iguais. Conheço quem tenha pensado muito nesta mesma frase e tenha decidido ficar. Pelo que vejo é feliz.

Os filhos da puta

Manuel Maria Tolentino escreveu 'O Livro dos Filhos da Puta'. É da Editorial Notícias e não é caro. Pouco mais de 5 euros.

A Feira do Livro decorre em Lisboa de 25 de Maio a 13 de Junho. Actualmente, o Mercado da Ribeira tem livros a um euro para celebrar a Primavera que aí vem. Até domingo, no primeiro piso...

Na FNAC não há nenhum exemplar disponível.

Achei que podia dar jeito, a informação...

quinta-feira, março 02, 2006

Há vidas piores...


Rio de Janeiro, S. Conrado

* mas não prestam. O ponto cor de laranja na primeira foto sou eu. A sensação de liberdade e leveza, que substitui o pânico inicial, é absolutamente indescritível. Na segunda estamos já em pleno voo…
[Créditos fotográficos: Borboleta]

quarta-feira, março 01, 2006

Quem tem uma mãe tem tudo

E para finalizar o capítulo das fofas nas capas, não resisto a aconselhar uma espreitadela à última edição da GQ. Sob o mote "jardins poibidos", Cinha e a filhota pimpinha desfilam num verdadeiro show de lingerie ao longo de 10 páginas. Diz a mãe que o fez porque tem muito orgulho na filha. Diz a filha que, se fosse para outra revista, talvez não o fizessem juntas (??????). Gostam muito uma da outra.
A minha mãe também diz que gosta de mim, mas é muito mais careta. Tentei convencê-la mas não consegui. Para começar, percebeu tudo ao contrário. "Uma revista de jardins??? Ah, que interessante..". Depois, apenas me disse que agora não tinha tempo porque andava a tratar dos papéis da reforma. Ora bolas. Ainda dizem que quem tem uma mãe tem tudo...

Pontes

Gosto da Vasco da Gama porque me leva a casa do meu irmão. Gosto dela por ser bonita, vista de qualquer sítio de Lisboa. Gosto de vê-la da margem sul, de observá-la do lado norte. Gosto desta ponte inaugurada 'à feijoada' e com um recorte fino de uma arquitectura que nenhum enchido envergonha.

Gosto da 25 de Abril. Gosto da história que traz na travessia, da infância que recordo quando, por ela, soube quem era o 'Dr. Oliveira Salazar' e ali ouvi falar de uma Revolução com cravos. Até cheguei a pensar que o material nela usado - aço, parece-me - era assim, vermelho, por causa da insurreição militar e das flores. Gosto porque se vê do alto, quando os aviões voam vindos do sul. Gosto, porque Lisboa é um presépio iluminado quando sobre ela já vimos Belém.

Gosta da Ponte de Brooklyn. Atravessei-a a pé com uma amiga que me fica na memória das viagens. Mesmo as imaginárias, porque ainda as fazemos. Por ela - pela ponte - comprei um livro do Paul Auster que me fez gostar - ainda mais - do autor norte-americano que vive do lado de lá, fora da grande Manhatan. Gosto da estética e dos cabos cruzados a deixarem ver arranha-céus aos quadradinhos. Gosto de sentar-me nela para observar as outras que também conduzem à Grande Maçã. E gosto de senti-la sobrevoavada por gente com as economias estabilizadas, o suficiente para circularem de helicóptero em Nova Iorque.

Gosto da Ponte de Vila Franca. Sei que tem um nome importante, mas não o recordo agora... Lembra-me tempos idos quando fazer a recta do Infantado era gozar uma viagem de mil quilómetros (parecia) e que, no sentido Lisboa, queria dizer 'estamos quase a chegar'. Gosto da antiguidade que tem e do rio que me ensinou a conhecer, ainda no estado puro. Além de recordar o medo de atravessá-la. Sempre.

Gosto da London Bridge. Gosto de vê-la iluminada mesmo que não sejam jóias as de uma coroa que vemos. Também gosto da nova ponte, a que celebra o milénio, em Londres. Gosto de ver a Tate de um lado, linhas direitas e cores rosadas e, do outro - mais ao fundo, e já noutra travessia - as linhas clássicas de um Palácio onde rainhas e princesas podiam ser, no imaginário, uma história de encantar...

E gosto da Ponte de D. Luís. Imponente sobre a invicta, a recordar outro monumento numa capital com classe como é Paris. Gosto de passar sob ela e ver a Ribeira, sentir-lhe o cheiro, ouvir os sons que das janelas saem sem pudor. E também gosto da outra, mais adiante, a da Arrábida, mais recente... marca de betão que um dia foi a maior arcada do mundo.

Podia referir mais... uma maravilhosa nos Picos da Europa, numa terra cujo nome esqueci mas que associo a uma feijoada (outra) célebre, das Astúrias. Uma ponte romana de cruz erguida ao meio... e uma mais pequena, mais simples, feita há menos tempo, mas há tanto outro, que por ela passou o meu avô enquanto menino. Numa Ribeira a que assim chamaram por por lá correr um fiozinho de água, mais forte no Inverno.

De tantas pontes eu gosto.




Só detesto as do funcionalismo público. Não é por não gozá-las. Mas por saber que, por causa delas, o dia de amanhã - hoje, tendo em conta a hora - será bem mais difícil de gerir. É que os que a ponte gozaram vão querer atravessar a semana mais depressa. E eu é que não caio ao rio...