quinta-feira, abril 23, 2009

O PM e a TVI

Eu não aprecio os modos do Primeiro-Ministro, José Sócrates. Admito que é um homem inteligente, com capacidade de decisão. Mas isso não quer dizer que concorde com as decisões que toma. E, sobretudo, com o modo como as anuncia, como se anuncia.

Eu não gosto da Manuela Moura Guedes. Aceito que seja uma mulher inteligente e com uma vasta experiência (da publicidade ao jornalismo, quem diria? passando pela política). O que não significa que goste da forma como encara o jornalismo e como o apresenta. Como se apresenta.

Por isso... venha o Diabo e escolha...

há homens que sabem elogiar uma mulher

Hoje recebi uma mensagem que dizia: "Página 3 do Guardian: Tu."

quarta-feira, abril 22, 2009

na melhor esplanada de lisboa

Vesti o meu melhor sorriso, soltei o cabelo, deixei os ombros à mostra, deixei que os pés rejubilassem dentro de umas sandálias de sete centímetros. Desci ao rio, senti a maresia, o cheiro que faz saltar da caixinha verde alface mil recordações felizes. Tudo para esconjurar a tristeza e o mau humor.

segunda-feira, abril 20, 2009

Um novo medo

Hoje senti medo de te perder. Ainda nem tinha dado conta da tua idade, da tua fragilidade, dos teus cabelos brancos. Hoje vou rezar por ti, antes de adormecer. E vou querer ver-te, amanhã. E sempre. Porque não consigo imaginar os meus dias sem ti, avozinha.

sexta-feira, abril 17, 2009

Afectos

Um almoço para recarregar baterias para os próximos meses e a certeza que há pessoas que são para a vida toda. Obrigada.

quarta-feira, abril 15, 2009

Sem idade

No dia em que me cai no colo uma peça sobre o mais velho actor de filmes pornográficos do Japão, um assunto de sempre, à hora de almoço. O japonês tem 75 anos e usa placa. Nada o impede de fazer as actrizes 30 anos mais novas darem gritinhos para a câmara, com esgares ditos sensuais e poses arrepiantemente sexuais. Quando era miúda recusei-me a ver um filme de primeiro escalão em casa de um amigo porque, simplesmente, me enojava. Nunca achei piada, nunca me excitou, nunca achei interessante. Nem mesmo quando descobri que "Branca de Neve" e "???uma série de anões???", guardado pelo meu irmão em VHS era, afinal, um filme porno. Ao almoço a conversa da maternidade e da idade para ser mãe e mais não sei o quê... que já se faz tarde e que qualquer dia temos 40. Éramos três. E o raio do homem tem erecções aos 75 e diz que há-de continuar a carreira até aos 80.
Não é injusto, o mundo?

domingo, abril 12, 2009

94

Perguntou-me quantos anos eram. Uma e outra vez. Repeti-lhe a idade e no segundo seguinte esqueceu as minhas palavras. Estou muito velha, sorriu, quase nos 100 anos. Mostrei-lhe seis dedos e disse-lhe que tantos faltavam para o século. Que estava mesmo velha, repetiu. Mas que gostava de cá andar, que Deus Nosso Senhor é que sabia, mas ela gostava, pronto. Tinha uma camisola nova. Preta. Viu a flor que lhe ofereci e reconheu a planta: orquídea. Não mais se lembrou dela. Há-de regá-la, um destes dias, quando perceber que também ela pode morrer. A flor. Parabéns avózinha. 94 anos e um abraço do tamanho de um coração centenário. Com tudo o que cabe dentro de uma vida assim.

sexta-feira, abril 10, 2009

post à facebook

a carrie está a pensar seriamente em matar a samantha...

quinta-feira, abril 09, 2009

Neve II



Neve



segunda-feira, abril 06, 2009

post à twitter

Carrie voltou de férias feliz e com uma “pot belly”.

quinta-feira, abril 02, 2009

Andorra

Há três dias que nao pára de nevar. Levanto-me cedo e carrego o cansaco para o pequeno-almoco. Nada importa. Lá fora há uma brancura cândida, inesquecível, maravilhosa. As botas custam a calcar na entrada para as pistas. Tudo a postos: o gorro e as luvas, o tapa-orelhas e o forfet no bolso de lado. Vou esquiar. E descobri um novo sinónimo de alegria.

sexta-feira, março 27, 2009

acho que alugo aqui uma mesa

Regresso à melhor esplanada de Lisboa. O texto deixado a meio pelas 3 da manhã está finalmente completo, metido num email e remetido ao destino. Demasiado longo, mas ao fim de tanto tempo continua a faltar-me poder de síntese. Arrumo apontamentos, vou acompanhando, num sussurro, a voz da Maria Rita que sai das colunas. Ao fim de dois dias e meio sinto-me finalmente de férias. Espreguiço-me, numa manifestação despudorada de contentamento. Pouco falta para começar a ronronar. O próximo passo é pedir ao Francisco, que me liga o portátil à corrente, e vai passando a perguntar se está tudo bem, se posso alugar esta mesa, mesmo de frente para o Tejo. Assim trocava facilmente o Chiado.

quinta-feira, março 26, 2009

há vidas piores ii


Ainda por cima com este homem mesmo aqui ao lado...

[em versão não há condições]

há vidas piores

O rio corre vagaroso do meu lado direito. Das colunas sai o som de jazz característico das tardes passadas na melhor esplanada de Lisboa. Eu devia estar a trabalhar, mesmo que não me passe pela cabeça deixar este meu lugar ao sol. 4000 caracteres prometidos em dias que se querem de férias. Mas não tenho sorte nenhuma, ninguém me atende o telefone. As palavras, as que deviam ficar agora escritas na folha [quase] em branco não dão sinais de vida. Penso no Vian que deixei no carro para não ceder a tentações. Resta-me descansar a vista e a cabeça.

Pequeninos

Descobri recentemente, na TV Cabo, dois canais surpreendentes: o MVM TV e o RTV. Para quem pensava que o Porto Canal é hilariante, passe, por favor, nos canais 201 e 79. E a depressão vai-se embora. Sem comprimidos e terapias caras. Estou a falar de dois canais regionais que, como quase tudo o que é regional, são pequeninos. Não por terem meios escassos, cenários que são comprados no IKEA, espaços que parecem um TO no Bairro Alto (sem vista), iluminação precária no estúdio(?). São pequeninos porque estão repletos de clichés, apresentadores miseráveis, programas que querem ser ousados mas que se tornam ridículos, miúdas que saíram da escola e ainda nem sabem ler, quanto mais falar para uma câmara. Estou a exagerar? Assisti hoje a um programa - não me lembro como se chama - onde o entrevistado era Mário Dorminsky, o homem do Fantasporto. Talvez por estar agora envolvido na política, ao que parece na Câmara de Gaia, Dorminsky aceitou o convite da televisão local e foi entevistado, num frente-a-frente de nos atirarmos para o chão a rir. Perguntas: "Que amigo escolheria para salvar o Soldado Ryan?"; "Que mulheres escreveu no seu diário?" (numa referência patética aos filmes de Bridget Jones); "Quem escolheria para dançar consigo em Dirty Dancing?"... e assim sucessivamente, perguntas pessoais com a muleta dos filmes mais óbvios do mercado, onde não faltou a pergunta "Qual o seu Instinto Fatal". E Dosminsky respondia, animado, babado com a apresentadora - que, pelo que percebi na ficha técnica é também directora de Informação (!). Uma vez que estive a fazer zapping entre os dois canais, agora da minha preferência, não sei que programa vi em que canal. Porque ontem assisti a uma entrevista maravilhosa, feita por uma tal Sílvia, a um convidado surreal, dono ou director de uma revista que dá pelo nome de Noite.pt. E o apresentador, que iniciava todas as respostas por "Sílvia", era tão cretino como a apresentadora, incapaz de uma pergunta com sentido, de uma questão que valesse a pena.

Numa altura em que a ERC não permite um 5º canal (e acho bem) não se percebe como há espaço e antena para estes canais miserabilistas e miseráveis, com problemas técnicos que davam para parar um comboio durante um ano, e aspirantes a qualquer coisa que a imagem traz à vida das pessoas e que eu não consigo compreender. Aparecer no ecrã é tão importante que justifique esta vergonha? Quem investe nestes canais e permite que tão fraca qualidade vã para o ar? Quem vê estes programas fá-lo por razões de proximidade? (são os parentes das apresentadoras)... Enfim... perguntas sem resposta. A não ser, e se calhar só isso já chega, que estes canais tenham nascido para nos fazer rir. Se assim é, obrigada. Eu rio-me um pouco todas as noites, antes de passar o televisor para o modo DVD, e beber uma chávena de leite a ver mais um episódio de Sherlock Holmes.

domingo, março 22, 2009

lista de compras

Gelado de limão, cachaça e vodka.

sexta-feira, março 20, 2009

primavera

Há demasiadas borboletas e joaninhas à minha volta para conseguir pensar ou escrever. Ando distraída com as cores.

quarta-feira, março 18, 2009

Em estágio

Sem querer parafrasear os meus pais, ou tantas outras pessoas com mais (ou muito mais) de 30 anos, tenho que dizer que "no meu tempo, é que era"... No meu tempo, ser estagiário era estar interessado, empenhado, era gostar e lutar, era fazer, era aceitar, era tentar. Nunca, durante o meu estágio (não remunerado, durante 7 meses, arranjado por mim e não pela minha Universidade que se estava borrifando para pessoas como eu, mesmo sendo estatal) me lembro de ter dito "eu sei", "sim, sim", "pois claro". Nunca. Durante o meu estágio, e conhecendo já bem a redacção onde estava a fazê-lo (já lá tinha trabalhado durante três anos numa função diferente, é uma longa história...) bebia cada palavra dos meus editores e chefes. Lia com atenção os textos dos outros, procurava erros nos meus e aceitava as críticas sem uma qualquer desculpa esfarrapada. Sei que muitos, anteriores a mim, viram folhas rasgadas, lápis partidos, reportagens acabadinhas de escrever deitadas ao lixo. Já não havia disso, quando cheguei ao jornalismo, já lá vão 15 anos. Felizmente. Os estagiários já não eram tratados como lixo, ignorantes e incapazes. Mas havia respeito, noção, bom senso. Por parte da maior parte de nós, estagiários.

Hoje, não. Hoje, saem já sabichões das Universidades, quase sempre a Católica, muitas vezes a Nova ou a UBI. Tanto faz. Perguntam primeiro se podem ler para o microfone, dar a voz na televisão, mostrar a cara lá para casa. E só depois se lembram (lembrarão?) que ainda nem sabem fazer uma pergunta, que não conseguem escrever uma linha, que têm voz de copo de leite e imagem de quem agora nasceu. E não assumem nada disto. Ser estagiário hoje - salvo honrosas excepções - é ter a certeza de que se sabe mais do que é suposto saber-se. Um estagiário de jornalismo não lê uma página de jornal, mas sente que escreveria qualquer artigo em menos de um "ai". Não vê noticiários em nenhum canal, não questiona, mal sabe que em Espanha há um Rei e que por cá já se vê a República desde 1910, mas acredita que já merece um ordenado jeitoso, mais de mil euros, para começar, porque é preciso dinheiro para os copos e para roupinha nova, talvez um maço de tabaco por dia e duas bicas, pelo menos. Ser estagiário, hoje, é ter uma cara laroca e usar decotes generosos para chamar a atenção. É enturmar-se nas festas e tirar fotografias com os mais velhos. É sair cedo, chegar tarde, não acompanhar um trabalho até ao fim. É trocar a redacção por uma festa ou um jantar de um amigo. É não trabalhar ao fim-de-semana nem ao ensolarado feriado. É chegar a casa e dizer à mãe e ao pai "se calhar não é bem isto que eu quero" (agora que já gastaram uma fortuna em propinas), é não fazer mais do que aquilo que lhes é pedido... mesmo que nas entrelinhas haja oportunidades para agarrar.

Fazer um estágio é um exercício de aprendizagem. Partir para tal com a noção de tudo se saber, é a mais errada opção de que consigo lembrar-me.

sofrimento em formato mensal [vi]

Bem ou mal hoje pareceu-me uma brincadeira de crianças...

terça-feira, março 17, 2009

Confirma-se: é o Mestre

Não sou de chorar. Mas emociona-me esta música do filme Gran Torino, cantada pelo próprio Clint Eastwood com Jamie Cullum. Tem de ser ouvida em silêncio, com a alma posta em Paz e o coração em sossego...

segunda-feira, março 16, 2009

Os Produtores


Ossos do ofício, primeiro. Pura diversão, depois. Por duas vezes vi esta versão portuguesa de "Os Produtores", o mais famoso e premiado musical de sempre. Quando entrevistei Mel Brooks - o autor da obra de 1968, primeiro em filme - em L.A., mostrei-lhe o cartaz do elenco português e ele deliciou-se com Rita Pereira. É, sem dúvida, uma mulher escultural. E ele fixou-se nela. Mas a minha chamada de atenção vai para Miguel Dias e Manuel Marques. Miguel tem um voz muito bonita, forte e capaz de encher uma sala (por agora, a do Tivoli, em Lisboa), é bonacheirão q.b. e tem o timing certo para as questões de humor. Manuel Marques é o lingrinhas. E faz o papel na perfeição. E não se pense que é apenas porque o actor é pequenino e magro, como se espera da personagem Leopold Bloom. Não! Manuel, que vimos sempre com Herman José e agora muito bem, na série "Os Contemporâneos", é expressivo, engraçado, canta o suficiente para a interpretação. Pode não ser a Broadway, aqui em Lisboa, mas parece-me que este musical está muito acima daqueles que Lisboa tem e que são todos encenados por Filipe La Féria. A peça é talvez grande demais, mas isso já vem de origem. E os cenários precisam de uns arranjos, pois já andam a rodar desde a estreia, em Portimão. De saudar ainda a interpretação de Pedro Pernas. Nunca tinha ouvido falar nele, mas dizem que fazia anúncios de telemóveis, daqueles engraçados, que estão na moda. Pois no palco sai-se muito bem, tem voz firme e boa presença. Se fecharmos os olhos, nos momentos em que a orquestra ataca os instrumentos, até parece um espectáculo a sério. Para deixarmos de pensar que só "lá fora" é que se fazem coisas boas...

Bosch


Fiquei ali, a olhar para ele.
E depois parei na cafetaria para uma meia de leite.

*Tentação de Santo Antão, no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

domingo, março 15, 2009

...

"mas o problema não é só aprender
é saber a partir daí que fazer"

sábado, março 14, 2009

estados d'alma

Os efeitos terapêuticos de uma boa noite de dança são frequentemente menosprezados.

sexta-feira, março 13, 2009

vou andar por aí



Este fim-de-semana vou andar por aí, com uma igual a esta na mão, a fazer os TPC. A fotografar sem rede, sem segunda oportunidade.

Cinco sentidos

Por estes dias a Serra está pintada de todas as cores, o branco das amendoeiras, o rosa das magnólias, o amarelo das Primaveras. Cheira a relva acabada de cortar, cheira a flores e pólen, cheira à promessa de verão. Os pés descalços na relva, as mãos na água gelada da piscina, o calor do sol na pele. Sabem a pouco as últimas tangerinas apanhadas da árvore, sonha-se com o sabor das cerejas. Na serra ouvem-se as abelhas em voo picado, os pássaros e o riso dos miúdos. E fica-se com vontade de não partir.

quinta-feira, março 12, 2009

medo

Na 2: passa '6 Billion Others'. Pessoas de todos os países, culturas, credos, raças, falam do seu maior medo. A fome. A morte. Ataques terroristas. O outro. A seca. A noite. As guerras. A maldade da humanidade. O medo em si. E o teu qual é?

segunda-feira, março 09, 2009

Rio - A Praia

Praia, 40º. A areia queima os pés e não são umas Hawaianas novinhas em folha que me vão salvar a pele. Duas cadeiras e um guarda-sol ferrugento alugam-se por tuta e meia. Pedimos água de coco e como melancia fresca, à dentada. O monte dos "Dois Irmãos" ergue-se lá para trás, quase a chegar ao Morro do Vidigal, uma das favelas maiores do Rio de Janeiro. O sol vai para lá, pôr-se, ao final de cada dia deste quente mês de Fevereiro.


Vende-se de tudo, por aqui. Passam homens e mulheres de corpo quente e bronzeado, muitos páram para tomar um banho no intervalo das vendas, regressam ao grito, à chamada de atenção. E vendem o mate e a linomada, os cremes para quem quer cor, a sanduiche no pão árab(i). Cantam. Calcorreiam a praia de Copacabana ao Leblon. Vendem barato: uma nota de dois reais serve para um cartuchinho de amendoíns com sal. Com 5 reais já se compra um lanche fresco, e bebe-se.


Famosas são as bundas. Brasileiras. Redondas e de calcinha pequena. Bochechas para fora, fio dental para dentro. E regalam-se os olhos dos cariocas. Mas, sobretudo, dos turistas, quase todos europeus - alguns americanos - homens branquinhos de países sem sol.

quinta-feira, março 05, 2009

Mega saldos

quarta-feira, março 04, 2009

Berlin

Vi Berlim pelo vidro de uma minivan. Ao longe o Bundestag, mais de perto as portas de Brandemburgo, o resto são imagens difusas de uma cidade limpa e organizada. Conheci três hotéis, duas salas de conferências e um centro comercial. Vi Berlim através de um vidro, a respirar com dificuldade, com ar condicionado a 40º graus. Mas vi por dentro um centro comercial, com café português de péssima qualidade e uma casa de fados improvisada. Enregelei à porta de um hotel à conversa com um ministro, o cigarro apertado entre os dedos para as mãos não tremerem, o sorriso forçado para não baterem os dentes. Não vi Berlim, a verdade é essa. Resta-me a Friedrichstrasse palmilhada já de noite à procura de sítio para jantar. A ponte sobre o Spree. Restam-me os jantares [um italiano e um vietnamita, com as salsichas prometidas para Munique], de copo de vinho na mão, boa conversa e gargalhadas. Resta-me o caminho entre o hotel e a porta da Brandemburgo e uma noite de [mau] fado. Resta-me o saxofone a aquecer a noite da Pariser Platz. Há uma fotografia da porta de Brandemburgo, a quadriga de frente, virada para leste. A prova que estive aqui. Passei os últimos dois dias na antiga RDA e a verdade é que nem dei por isso.

segunda-feira, março 02, 2009

A room with a view

[Friedrichstrasse, Berlin]

Fui

Chove em Berlim.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

wishlist


[via Pó dos Livros]

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Uma mulher sabe que está velha [ii]

Quando a irmã lhe diz do outro lado do telefone: 'O F. tem uma namorada.' E o F. é o puto que nasceu pouco tempo depois de eu sair da faculdade.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Uma mulher sabe que está velha

Uma mulher sabe que está velha quando nas duas horas seguintes a ter saído do emprego:
1)Vai à farmácia comprar shampoo
2)Vai à costureira buscar o casaco que precisava de um corte nas mangas
3)Vai ao supermercado comprar sal e chá e sai de lá com bacalhau à Braz congelado e flores
4)Vai à tinturaria levantar a sweater do marido que não pode ser lavada na máquina
5)Vai ao sapateiro pedir que arranje a asa da mala que se descolou
6)Vai ao multibanco levantar dinheiro para pagar à empregada
7)Vai ao quiosque dos autocarros comprar senhas para a mesma empregada
8)Vai à papelaria para comprar envelopes para o dinheiro da empregada e o recibo do segundo emprego
9)Vai aos correios enviar o recido do segundo emprego
10)Vai para casa carregada de sacos a desejar sentar-se no sofá para ver o Patrick Dempsey

Beira-rio

As nuvens parecem correr em fast forward, empurradas vertiginosamente pelo magnetismo da água apressada no rio que sobrevoam.
A cortar o horizonte está um bloco de betão e umas aranhas de ferro recebem os raios amarelo-ferrugem que rasgam um pouco o algodão que se move hoje com estranha pressa.
Duas asas desafiam o movimento no sentido inverso a esta corrida de fim-de-tarde.
O sol vai baixando e ofusca-me com o brilho triplicado pelo vidro por onde chega.
Cesária começa a falar desse caminho longo que deixa saudade.
O perfume das folhas negras do Ceilão aguarda dentro da porcelana que o liberte.
Faço-lhe a vontade e tento abstrair-me do palreio em volta.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Querido Sean,


Eu sou a Samantha e adoro-te. Tenho, por ti, a admiração que uma mulher pode ter por um homem que já foi casado com a Madonna (dizem-me que lhe batias, é verdade? Nem quero pensar nesse horror...) e que é um actor prodigioso, apesar de constar, que muito mal encarado. Vi-te em "Milk" e gostei. Ali, sorris como nunca e deixas passar uma imagem de homem doce e carinhoso, apaixonado pela vida... e por outros homens. Eu não me importo. Estiveste tão bem nesse papel que parecias o verdadeiro Harvey Milk, mas mais bonito e atraente.

Querido Sean, que bom que tenhas ficado à frente daquele monstro do Mickey Rourke, que já não estrela ovos na barriguinha de ninguém, mas antes anda para aí aos sopapos como se a vida se fizesse de wrestling e de homens machões e violentos. Mais feliz fiquei que tenhas ultrapassado aquele rapaz bonito, o Brad Pitt, que já basta ter a mulher que tem - linda, dizem-me - e que ganhou protagonismo num filme, para mim, sobrevalorizado. É verdade que se transformou, o rapaz, mas acredito que a maquilhagem e os efeitos especiais, as modernices do cinema, todo ele em computador, sejam os verdadeiros vencedores do Óscar.

Tu, não. Tu não precisaste de mais que uma barba comprida, uma camisa branca e um crachá no casaco. Bastou isso e uns beijos na boca - que bem que beijas, caro Sean - e brilhaste mais que as estrelas do Passeio da Fama em Hollywood. Vou aconselhar todos os meus amigos, para que te vejam neste "Milk". Vou sugerir o teu filme a todos quantos tiverem dúvidas a teu respeito. E no fim, ponho uma colher de "Suchard Express" numa caneca de loiça e bebo um copinho de leite, para adormecer. E só quero sonhar contigo.


Sempre tua,
Samantha.

sábado, fevereiro 21, 2009

Aufwidersehen



Mais vale tarde que nunca. 20 anos depois da queda, ich gehe nach Berlin.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Yo no creo en brujas

Qual é a probabilidade da gaja que nunca fica doente ter uma paragem de digestão no exacto dia em que tem uma viagem marcada para o outro lado do mundo? Qual é a probabilidade de ser ruim ao ponto de nenhum mal lhe pegar quando trabalha 16 horas por dia durante meses seguidos e desatar a vomitar a duas horas de ir para o aeroporto? De fazer o 'check in' e minutos depois estar a pedir à hospedeira para lhe resgatar a mala que desta vez não vai a lado nenhum? De se contorcer com dores de estômago junto da passadeira das bagagens à espera que lhe devolvam a mala sem ter sequer saído da Portela? Toda. É por isso que desta vez não há quartos com vista, nem postais escritos de parte nenhuma. Apenas uma enorme frustração e a certeza de não acreditar em bruxas, sem dúvidas de que elas existem.

Este blog não tem fax!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Vetem o Carnaval... e o Magalhães

Por mim pode não existir Carnaval. Em toda a parte do mundo, Brasil incluído. Mas abro aqui uma excepção para Torres Vedras. Não por causa do cortejo e das meninas despidas a tremer de frio, todas com celulite e pele de galinha, que muitas são gordas e não é de palha, e outras têm barriguinhas a cair no biquini, e há as mães orgulhosas à volta delas a dizerem umas às outras "ai a minha Marlene está uma senhora, e já o senhor Quintas da padaria mo tinha dito, mas isto o tempo passa e nós achamos que elas são sempre umas meninas, ora veja lá dona Gorete"; não por causa dos homens mascarados de mulheres, que eles não imaginam o que é ser mulher ou não tentariam ser uma, porque só são mulheres quando não têm que gramar os maridos, e o parto, e a depilação, e os ordenados não equiparados e as outras coisas todas más na condição feminina, porque para eles ser mulher é ter mamas grandes e vestidos bonitos e uma bandolete no cabelo com meias de renda nas pernas, às vezes rotas, as meias; não por causa dos gigantones com o Cavaco e com o Sócrates, eles frente-a-frente e com dizeres do povo "toma lá" e um manguito do Zé, mais a carinha do homem que os aguenta nas costas a aparecer no buraco do botão do colarinho e, quem sabe, uma fotografia da Manuela Ferreira Leite de boca fechada, ou à conversa com o Salazar para combinarem a tal Ditadura de seis meses. Não! É por causa do Magalhães que deve haver Carnaval em Torres! Mas só antes da decisão do Ministério Público, porque agora já não tem graça. Quis o MP proibir a sátira ao Magalhães, pois que tinha uma página com raparigas nuas, ai pois tinha, e a pesquisa do google dizia "mulheres" e toda a gente sabe que o Magalhães não procura mulheres porque, como qualquer empregador que se preze, quer é um homem que não vomite na gravidez, nem tenha de sair mais cedo para ir com o miúdo ao médico, "ai senhor doutor que o menino só chora e não tem daquelas gotas para a barriga, as cor-de-rosa, que isto também pode ser dentes". E o MP sabe que é assim. E miúdas nuas no pequeno ecrã de um computador que é o orgulho nacional? Ainda fazia pesquisa sobre as mulheres que o Presidente condecora todos os anos, e já aí está o 8 de Março, não tarda nada, e o Magalhães ainda punha despida uma cientista desconhecida mas mais importante que o inventor do Prozac, ou uma empresária que não a Bibá Pitta, que essa também tem lá os afazeres dela, ou uma jornalista que chamou a atenção para questões sociais e até sabe escrever e trabalha na redacção de um jornal que um dia disse mal do Magalhães. O carnaval de Torres Vedras pôs em causa toda a dignidade de um País que, felizmente, dá para rir o ano todo. E os próximos cinco, já que a crise continua. E para o ano, o MP há-de proibir as meninas a abanar o rabiosque, porque são todas menores de 18 - já o sabemos - mas como uma é filha do senhor Presidente da Câmara, "ai que grande que ela está, e bonita, sim, e bonita, que a miúda faz-se", pois a catraia do Presidente tem direito ao Carnaval, desde que não mencione, nem escreva, no Magalhães. E por tudo isto, odeio o Carnaval.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Uma mulher sente-se velha II

Quando ...
1. se ri e os olhos já não riem com ela
2. olha em redor e escasseiam amigos
3. já não consegue ver a beleza no simples nem simplificar a beleza
4. tem a vista demasiado cansada para ler
5. não tem avós
6. os sobrinhos já não pedem mimos
7. perdeu a agilidade no humor
8 . os seus decotes deixem de ser uma provocação para ser um atentado
9. as meias de leite já não lhe sabem como antigamente
10. já tem pouca vontade de saborear a vida

Não é o caso. Principalmente a parte do decote :)

Muitos parabéns neste post atrasado. Mas tenho chegado a casa sem vontade de vir para o computador. Estou a ficar velha...

Rio... p'ra não chorar


Voltamos à Cidade Maravilhosa, logo após a loucura carnavalesca, para nos entretermos em mais uma livraria com cafetaria. Um suco de abacaxi com hortelã e um cheirinho a maresia.

36

Uma mulher percebe que o tempo passa quando vê uma criança e ouve o tiquetaque, tiquetaque, tiquetaque num volume inusitado, cá dentro, o miúdo a sorrir e a apertar os dedos da mão direita, o tiquetaque, tiquetaque sem parar, a altos gritos. Uma mulher sente-se velha quando todos pensam, no dia do seu aniversário, que ela é, afinal, muito mais nova. Quando os ovários estão mais acabados que o rosto, mais enrugados, mais cansados de esperar. Uma mulher sente-se velha quando lhe oferecem um curso de cozinha, uma receita de waffles e uma máquina a compôr o arranjinho culinário. Quando lhe dizem que querem provar dos seus petiscos, das suas iguarias, coisas que ela não faz porque não tem, ainda, bocas pequenas para alimentar. Uma mulher sente-se velha quando recebe vales-oferta para uma loja de lingerie, quando a oferta é de 100 euros e requer tempo para escolher; ou quando recebe outro vale, outra oferta do mesmo valor, mas agora num SPA perto do sítio onde trabalha. Espera-se que saia, um dia, cansada e de olhos rasos, que entre pelo SPA adentro e diga bem alto "vá lá, dê-me 100 euros de uma nova vida". Uma mulher sente-se velha quando são muitos os sobrinhos a telefonar, já falam, já cantam "Parabéns a Você", já sabem que a tia faz anos e uma festa. E velha, quando não aguenta duas noites seguidas de folia, quando a cabeça cai na manhã seguinte, quando não bebe e, ainda assim, parece estar de ressaca. Uma mulher sente-se velha quando faz 36 anos, num qualquer dia 17 de Fevereiro de 2009.

De partida

A frustração de passar horas e horas fechada dentro de um avião é proporcional à vontade de partir. De andar de sandálias e camisolas de alças. De sentir na pele o calor de África. De me deixar embriagar pelas cores, pelo cheiro do calor. Regresso sete anos depois a uma terra que odiei à primeira vista, mas pela qual que me apaixonou perdidamente. Esta viagem é acima de tudo um recomeço. Cheio de sorrisos. Com muita vontade.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Quando a vida se transforma numa BD

"Você é o Calvin e ele o Hobbes."

[Ainda não sei se gosto da comparação...]

domingo, fevereiro 15, 2009

Marylin

Hollywood Boulevard é um misto de realidades. Ali estão o Teatro Chinês e o Kodak Theatre, aquele que todos os anos recebe a cerimónia dos óscares. Ali se encontram os turistas do mundo, sobretudo os do mundo chinês, e ali pisam as estrelas os visitantes, os actores e músicos, realizadores e artistas que a América reconhece. No chão, a assinatura e as mãos de Clint Eastwood, lado a lado com as da rapaziada do Harry Potter, ainda miúdos, pequenos. E eis que encontro Marylin. Duas, aliás. Vestem de branco como a actriz, moram ali, ao lado do pecado da luxúria, e arriscam fotografias a troco de uma nota de dólar. Convivem com o Pirata das Caraíbas e com Chaplin, não temem King Kong e sorriem para Batman e Robin, amigos. Uma mulher de mais de 50 anos interrompe-me o olhar para perguntar porque não falo com ela, porque não entrevistá-la? Porque sim?, pergunto. Diz-me que é Marylin, Marylin Monroe. Levanto o microfone e peço-lhe que se apresente. Vira-se de frente para a câmara e actua como uma estrela de Hollywood. Está ali. Pode ser uma. E não será demasiado velha para ser assim, Marylin?, pergunto. Explode. Que Hollywood não tem lugar para velhos, que ali está há muitos anos e sempre foi ela, a diva. E que a Marylin de branco, uma delas, é até alemã. Como pode uma alemã ser Marylin? Está zangada comigo e não percebe que, para mim, ela mais parece saída de O feiticeiro de Oz. A vestimenta lembra-me Mary Poppins e a maquilhagem não se adequa. Tenho pena dela mas, ao mesmo tempo, acho-a detestável. Pergunto porque não escolheu outra personagem, já que Marylin morreu bem mais nova do que ela é agora. Nova explosão. Ela quer ser Marylin, e mais nada. Nem se atreve a pensar numa Meryl Streep ou numa Susan Sarandon. Não, são velhas para a personagem que quer investir. Escolhe por isso a juventude e a beleza que já não pode imitar. Nem mostra as pernas, nem o decote. Pintou o sinal na cara e parece-lhe que basta. Sinto que tenho matéria para escrever e digo-lhe que a vejo como uma actriz. Pelo menos, assume a realidade que já não tem.

As Pipocas

A publicidade no cinema não é para a minha idade. Sento-me e vejo raparigas semi-nuas, que se chamam Joana, Catarina ou Teresa, miúdas sem um pingo de celulite e com as costelas todas marcadas sob a pele. Vejo rapazes de cabelo comprido, melenas a cairem-lhes sobre os olhos, boxers de marca, abaixo da cintura e jeans meio-rotos, largos, a pender nuns ténis All Star. Elas têm olhos grandes e maquilhados, cabelos compridos e soltos, saídos de um frasco de Élseve Lóreal. Meneiam o corpo ao som de uma batida pujante e juvenil, bebem cerveja ou falam ao telemóvel, respiram sexo, deixam na sala um certo mau-estar entre a juventude, os "vintinhos", rapazes de namorada ao lado e pipocas na mão. Doces. Viro-me para a frente e para trás e percebo que sou das mais velhas naquelas cadeiras da Lusomundo, bilhetes comprados com cartão zon e, por isso, a metade do preço. Eu e a Charlotte, as mais velhas. O filme é "O Estranho Caso de Bejamin Button", nem de propósito. A idade, a velhice, a meninice e o que levamos dela. E à nossa volta sorve-se coca-cola em copos gigantescos, ouve-se o palpitar dos dentes nas tais doces pipocas. Salgadas, também. Concentro-me no filme e esqueço a publicidade anterior. Oiço-os rirem-se nas partes em que apenas esboço um sorriso. Vejo que não compreendem como eu, aquele filme. Talvez não esteja assim tão entradota... talvez seja isto a experiência de vida. E não fui ao cinema pela carinha laroca do Brad Pitt...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

a caminho [iv]

[Set.02]

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

tragam-me a metralhadora

Eu, romântica incurável, que derrete com mensagens pirosas como “o que não é normal é tu existires, porque os sonhos não tem realização material”, que viu dezenas de vezes o ‘Sleepless in Seattle’ e outros tantos filmes de argumentos lamechas com a Meg Ryan, que ainda este domingo reviu o ‘depois do amanhecer’, que verte lágrimas no cinema sem grandes pudores e que adora finais felizes, jantares à luz das velas, banhos de espuma, a acompanhar com um bom vinho, eu romântica incurável confesso que odeio, com todas as letras a capitular, o dia dos namorados. Sim. Tenho um problema com ursinhos e coraçõezinhos e todos os ‘inhos’ possíveis, mas odeio acima de tudo a massificação do sentimento, da banalização das datas, da obrigatoriedade de estar a dois e de mostrar ao mundo quanto se amam os pombinhos, mesmo que seja por um único dia em 365, que nos resto do ano ela ponha maquilhagem para esconder as nódoas negras e ele se arraste no trabalho para chegar a casa o mais tarde possível. Nada disso conta a 14 de Fevereiro, o que interessa é ter namorado e não sair da linha. Para não parecer anormal.E juro que pego na metralhadora ao próximo email/press release a lembrar a bela da data.

'restos' do almoço

"[...]Essa cena da vitimização é tramada. És tu e o Sócrates!"

Com o sol a bater no rio, peixe grelhado e bom vinho. É bom voltar ao reino dos vivos.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

tempo ii

Lido muito mal com o tempo. Com o que me falta. Pior ainda com o que tenho em excesso. Lido mal com os dias que se esfumam. Que passam por mim sem que os viva verdadeiramente. Lido pior com as horas que não passam. Sem que eu saiba o que vêm a seguir.

Vida


Roubadas em olhares.aeiou.pt

terça-feira, fevereiro 10, 2009

LA 2




segunda-feira, fevereiro 09, 2009

LA 1

Venho mais tarde contar as estórias. Para já, a ressaca, o cansaço. Mais de 35 horas sem ver uma cama. Dia difícil, após o regresso. Ainda bem que não ganho óscares todos os anos, ou não aguentaria a pedalada...

Modéstia

Quatro mulheres, esta manhã, no bar:

- A minha preferida é a Samantha.
- A minha também. Ela é fantástica.
- É a única insubstituível!

Eh, eh...
Falavam do filme. Não deste blog!

As minhas cuecas de Los Angeles

5 pares por 25 dólares e ainda ofereceram o cãozinho de pano. Tudo na Victoria's Secret. E porque a British Airways fez o favor de perder a minha mala em Londres. Valeu-me o cheque de 72 dólares para recuperar a higiene pessoal.

domingo, fevereiro 08, 2009

fora de prazo

uma mulher percebe que está de facto exausta quando quase adormece na marquesa enquanto lhe fazem a depilação.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Mudança [ii]

Primeiro estranha-se. Faz comichão na boca do estômago. Um nó na garganta. Depois, quando o coração que tudo ordena dá um descanso, pesam-se os prós e os contras. Rasga-se um sorriso. Ensaia-se uma gargalhada. E depois entranha-se. Ainda há [promessa de] vida para além do caos.

[mas continuo a precisar de shots de tequilha com sal e limão. só que agora por outros motivos]

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Um conde visionário ou a história de Serralves


O segundo Conde Vizela, Carlos Alberto Cabral (1895-1968), para além de ter sido um grande industrial, foi um homem culto e viajado que procurou aos mais renomados artistas do seu tempo para construir, mobilar e decorar a Casa de Serralves.

Entre eles, destaca-se o francês Émile Jacques Ruhlmann, um famoso decorador ao qual recorreu após visitar a Exposição Internacional de Artes Decorativas que teve lugar em Paris, em 1925.

A casa começou a ser construída nesse ano e os trabalhos terminaram só em 1944. Foi "um projecto ambicioso", que o conde conseguiu concretizar ao mesmo tempo que geria a Fábrica de Fiação e Tecidos do Vizela, uma das maiores do seu tempo.

A construção encontra-se amplamente documentada através da correspondência que o Conde Vizela e Ruhlmann mantiveram entre 1926 e 1939, "por vezes quase diária", segundo referiu o director do Museu de Serralves, João Fernandes.

"Tudo vinha de Paris", salientou João Fernandes, observando, no entanto, que "o Conde Vizela é o grande autor da Casa de Serralves", mas com Ruhlmann por trás.

Eurico Cabral ainda se lembra bem do tio, da casa que ele teve em Biarritz, França, e de como Serralves foi o seu "primeiro choque cultural", quando pela primeira vez lá entrou, em 1947.

"O meu tio reuniu praticamente toda a família aqui, quando inaugurou a casa", recorda ainda. Segundo conta, o segundo Conde de Vizela era homem de poucas falas, "sempre muito sério e que vivia muito isolado, sobretudo aqui em Portugal".

Tudo mudava quando se encontrava em Biarritz. "Ia às compras ao mercado, andava sempre sem gravata, coisa que nunca vi aqui, vestido com casacos desportivos, e ia à praia", conta Eurico Cabral, que guardou este acervo "em caixotes" porque se mudou há pouco tempo para Lisboa.

A Fundação de Serralves pretende "pôr à disposição do país" este acervo, de que também fazem parte fotografias tiradas pelo célebre Domingos Alvão, de modo a poderem ser consultado e sobretudo integrado numa "grande exposição" que vai fazer sobre a Casa de Serralves a partir de Julho deste ano.

A exposição integra-se no programa de comemorações dos 20 anos da criação da própria Fundação de Serralves. A propriedade onde se encontram a Casa e o Museu de Serralves foi depois comprada, em 1957, por Delfim Ferreira, Conde Riba d' Ave, a quem se deve a preservação deste património. Em 1986, o Estado português comprou-a.


Em contrapartida, estou a comer cerejas em Fevereiro.

dias de chuva

É oficial. Preciso de me embebedar até cair.

[adenda: de preferência com shots de tequilha]

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Próxima conversa

Mel Brooks, a propósito do musical "Os Produtores"...

Próximo destino


quinta-feira, janeiro 29, 2009

A menina da franja

Perdi o medo da franja. Nem sinal de Beatriz Costa e alguns elogios convenceram-me de que fiz bem. Arriscar e mudar: verbos a utilizar com frequência em 2009.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

A farm in Africa

A minha amiga não pára de se referir à frase de Karen Blixen, que Meryl Streep passou ao ecrã, em África Minha: "I have a farm in Africa". Hoje mandou-me um primeiro e-mail, de Joanesburgo. Feliz da vida, escrita leve, letra animada. Dá gosto. Foi atrás do amor e de uma aventura. Coisas que já tinha por cá, garantidas, mas quis continuar. Gosto de pessoas que arriscam. Apesar de, confesso, não estar certa de que poderia fazer o mesmo. Em tempos, numa realidade semelhante, disse "nem pensar". E penso agora se não terá sido um erro, não ter pensado no assunto de outra forma. A minha amiga está verdadeiramente realizada: uma casa, uma creche para a criança, um jardim, um bairro simpático... e um alarme ligado a uma empresa de segurança. Mas não podemos também morrer a atravessar a estrada? Porque não? Porque havemos de ter sempre medo? A coragem move montanhas... e não só a fé.

Serei constituída arguida?

Fui ao Freeport e comprei um vestido maravilhoso, na Adolfo Dominguez, por... 19 euros!

terça-feira, janeiro 27, 2009

A folga

Almoço com vista para o Rio. Tarde numa casa de chá de nome singelo: "O Chá", em Alvalade, junta meninas todas iguais e tias com mais de 70 anos. Numa zona onde haverá, por certo, mais cabeleireiros que mercearias, um espaço dividido em dois, com o primeiro andar para os scones e para as variedades da infusão. No andar de baixo caixas e bules, malas e móveis chineses, a preços até convidativos. Bom ambiente, loiça singular, espaço reservado, empregados competentes. Eu saboreei o chá mistério.

e chorar é sinal de fraqueza?

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Avozinha

Fim-de-semana acompanhada. Avósitting. Só existe em Portugal, e eu faço-o. Além das provas de amor, das declarações repetidas, fica a história dos tempos em que vestia um avental branco na Rua Morais Soares. Era a criada do menino. Criada, e não empregada, nem senhora, nem mulher-a-dias. Há 80 anos era-se criada. Sem vergonha.

Sábado volto a recebê-la. Para lhe dar banho e passar-lhe as mãos molhadas pelo cabelo branco. Para vesti-la, quando já não chega lá. Para lhe servir o descafeínado que tão bem lhe sabe. E mesmo que a noite seja dividida em 10, mesmo que os olhos estejam em permanente alerta, mesmo que o sono nunca durma comigo... mesmo que a manhã me traga dores de cabeça, vale a pena ficar com ela.

sábado, janeiro 24, 2009

Freeport

E ninguém fala dos saldos maravilhosos? Do estacionamento gratuito? Da saia que comprei a 10 euros na Purification Garcia. E nos casacos da Adolfo Dominguez? Disso ninguém fala, não é?

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Novela da noite

É raro ter a televisão ligada nos canais generalistas, por esta hora. Mas aconteceu. Na SIC a novela brasileira; na TVI, mais uma portuguesa. Eu não vejo telenovelas desde os tempos da "Dona Xepa". Detesto-as. A todas. Não posso deixar de ficar uns minutos a ver a emissão nacional. Vejo quatro actores, em cerca de 5 minutos. Todos muito maus. Penso no share de mais de 40% que têm as novelas portuguesas. Questiono-me como. Maus argumentos, cenários sofríveis, planos sem raccord, actores com péssima dicção. E no Brasil, uma realidade que não nos pertence. Mudo de canal. Ainda bem que pago TV Cabo todos os meses!

My left foot

Comprei umas botas a 29.90 euros nos saldos. Cheguei a casa e quis calçá-las, dois dias depois. Tiro do saco uma, depois a outra. Ambas para o pé direito. Resultado do preço? Ou da incompetência da empregada da loja do Centro Comercial?

Dias na Invicta











terça-feira, janeiro 20, 2009

Aluga-se

Respirei da alívio quando finalmente pude subir à avenida sem me sentir violada pelas bolas gigantescas que, com o patrocínio de uma marca de telemóveis, transformaram o Marquês, num recinto de feira. Ou quando deixei de ver a bandeira norte-americana plasmada na árvore de natal no topo do Parque Eduardo VII, patrocinado por outra empresa qualquer. Durou pouco a ausência de poluição visual. Hoje, e presumo que durante o resto da semana, o Marquês está de novo alugado. O Marquês, os Restauradores, o Saldanha. Só para falar das praças que vi. Pergunto-me se o António Costa também aluga o seu gabinete ou o jardim lá de casa.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Para a Samantha

E não só.

Na edição de Fevereiro da Vanity Fair, que faz capa com a Cate Blanchett, o questionário de Proust, que encerra a revista, é respondido pelo Dustin Hoffman.

À pergunta: "Which living person do you most admire?"
Ele responde: "The portuguese director Manoel de Oliveira, who is 100 years old and still working."

Dia Obama


É já amanhã. Eis-nos à espera da mudança.

domingo, janeiro 18, 2009

Artes plásticas

Estavamos em Barcelona, faz agora um ano, quando olhei para elas com invejas dos tantos cabelos brancos, visíveis já em mim, mas ali ausentes. Nesse fim de semana descobri que era a única que não os pintava.
Um ano depois, olho-me num espelho portuense e pergunto-me o porquê da vida me estar a brindado com uma cara tão cansada e pouco luzidia. Partilho o desabafo. Lição 2: era a única que não me maquilhava. Volto então para Lisboa com uma super-blendale perfecting foundation, um pressed powder e um poudre eclat couleur na mala.
Mais uns fins de semana fora e se isto continua assim ainda descubro como regressar a casa com 1,80 me as medidas todas no sítio. Compro uma bimby e meto-me lá dentro?

Atoalhados

Quatro mulheres dentro de um carro, seguem viagem para o Porto. Percorrem o caminho em conversa animada, paragens para cigarros e meias-de-leite. Também cafés. Quatro mulheres acima dos 30, quase todas a dobrar a idade mágica que aproxima os 40. Angustiam-se, por isso. Mas riem. Nos planos, uma ida ao teatro, um actor atraente, uma peça de Shakespeare. E ainda um Museu, o último dia de uma exposição, figuras inanimadas que movem os lábios e pensam. Um hotel barato e camas de casal. Dormem duas a duas, as quatro. Entram numa farmácia e divertem-se com o anel vibratório da Durex. Mas acabam por comprar comprimidos para as dores de cabeça, para a tosse, para a dor ceática. O anel fica lá. Quatro mulheres chegam ao Porto e páram nas lojas de acolchoados. Fogem, quando dão conta que podem comprar, ali, um lençol de flanela ou uma toalha de linho. As quatro mulheres deste blog podem estar a ficar velhas, mas não são completamente loucas. Esta noite dormirão nas camas de sempre, duas sós, duas acompanhadas. Ou não. Esta noite dormirão a pensar que, a anterior, foi bem mais divertida. E sorriem quando recordam a conversa sobre sexo. E sobre Brecht. Cabe de tudo numa viagem ao Porto, mesmo que a invicta nos receba de chuva na ponta dos dedos. Cabe tudo. Até esta amizade que temos.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Imagem do Dia


A vida a correr (ou é o amor senhores)

Já lá vão 15 anos. E aguardo com imenso prazer os 15 que seguem.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Choque religioso

Eu não casaria com um muçulmano.

novos vícios [ii]

Ou mais uma boa razão para gostar do Chiado. Aqui

da possibilidade de trocar de emprego

Aos poucos devolvem-me este canto da cidade que sinto como meu. Esvaziam-se as ruas. Arranja-se lugar para almoçar. Acabam-se as filas intermináveis. Os encontrões, as pessoas cheias de pressas, carregadas de sacos, que atropelam qualquer ser que tenha o azar de lhes atravessar o caminho. Aos poucos volta-se a respirar no Chiado. O Largo está mais vazio, até os turistas partiram em debandada, talvez por se sentirem se enganados na ausência do alegado clima temperado. Há apenas as pessoas do costume, são quase como se fossem da família, a vida de todos os dias que sempre parece mais fácil por baixo daqueles jacarandás imensos. E ao canto, o quiosque fechado há tantos dias. Hoje passei-lhe em frente, convencida que tinha fechado de vez. Nas janelas uma folha A4, escrita com cuidado a desejar boas festas e a avisar que está fechado para férias. Parece que começaram a 23 de Dezembro e acabam a 18 de Fevereiro. A mim parecem-me umas excelentes férias. E estava capaz de trocar de emprego.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Câmara Oculta

Questiono-me porque pode uma jornalista de desporto ser candidata a Presidente de Câmara? E porque pode um ex-Inspector da PJ, alegadamente "especialista em Maddie" ser, também, candidato a Presidente de Câmara? E ainda: porque pode um ex-jornalista, comentador em programas para idosos e donas-de-casa, ser candidato a uma Câmara Municipal?
Haverá uma verdade oculta, nas Câmaras do nosso País?
Ou serão tão maus, os políticos, que qualquer dia tiramos cursos de medicina se queremos ser Presidentes da República?

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Primavera de papel

Pode dizer-se muito da futilidade das revistas femininas, mas não há dúvida que elas cumprem algumas funções não discipiendas em determinadas alturas do ano. Uma delas é, indubitavelmente, quando o frio ataca. Atacar é mesmo o termo porque vivo num país que não está preparado para estas incursões de vento polar. A Estónia pareceu-me muito mais acolhedora nesta altura do ano, apesar do meu ar de boneco da Michelin quando saía com o meu casaco comprido de penas. Era passar a soleira de qualquer porta e o calor entrava pelas narinas, afagava a pele e envolvia-me no seu carinho. Por aqui parece que as paredes andam em despique com o congelador. A lareira é um sorvedouro de lenha que faz desaparecer um cesto de toros num ai e o aquecedeor deixa apenas um pequeno halo com dez centímetros de diâmetro.
Por isso, voltando às revistas femininas, nada como folhear aquelas páginas da edição de Fevereiro (estão sempre um mês adiantadas em relação à ida para as bancas) cheias de vestidos floridos de algodão, sandálias de cores citrinas e maquilhagem pastel. As sugestões de férias mostram já os spas mais em voga e os típicos questionários falam em renovação espiritual e como começar a perder os quilinhos para o biquini que - não tarda nada - teremos de enfiar.
Lá fora o sol é só de brincadeirinha e no armário nem sinal de linho, algodão, seda ou tule, mas nas págimas das revistas já é Primavera, ainda que de papel. Bem hajam!

pergunto-me se serei o único português vivo que não suporta o Cristiano Ronaldo.

Post-it

Quando te "sussurram" ao ouvido ‘estamos a ir para aí’ deves ficar perfeitamente imóvel com um sorriso à espera para dizer ‘bom dia’ e nunca, mas nunca, nunca, resolver fazer qualquer gesto com as mãos à frente da cara. Estamos entendidas?

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O dia depois

Já não tenho idade para noitadas. Uma festa até às 5 da manhã - mesmo sem uma única gota de alcool - dá cabo de mim. Dores nas costas, sono, dores de cabeça. E a terrível sensação de que não vou recuperar até Março. E as estágiárias que ficaram depois de eu sair, andam aqui frescas que nem alfaces... Outros tempos!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

maldita terapia

Pois a história é esta: vai Janeiro já a dia 8 - com cinco dias úteis de trabalho - e estou a ser aparentemente bem sucedida na minha missão de ano novo sem stress no trabalho. Há quem não acredite muito e passe por mim todos os dias para aferir qual a temperatura do meu temperamento. Quem olhe para mim e faça uhhhhhhhhmmmmmm em tom de mugido meditativo. Então, continuas zen? - perguntam-me. E eu, nesta minha auto-induzida-e-não-medicamentada-condição, esclareça-se!, respondo que sim. Mas ainda nem passou uma semana e já sinto que esta calma está a dar cabo de mim. Acho que não sirvo para zen.

desejos

Os títulos dos jornais falam de frio polar, as câmaras lembram-se dos sem-abrigo, na rádio dizem que se morre mais de frio do que de calor e o meu carro avisa-me, quando o ligo, que há risco de gelo e o computador de bordo pisca incessantemente nos 3º. Penso por minutos que estou algures na Sibéria para descobrir rapidamente que afinal o trânsito é o mesmo de todos os dias. Não há ursos polares ou icebergs nas redondezas, mas os meus dedos, brancos como cal, ameaçam cair ao primeiro toque mais violento e os pés estão transformados em blocos de gelo. Quero palmeiras, água de coco, havaianas, esplanadas, vestidos curtos, biquínis, mar azul e temperaturas acima dos 30º. Tudo isto 355 dias por ano. Será pedir muito?

8 anos

E 24 horas por dia de notícias.
Continuo a gostar de cá estar.

Caminho junto ao mar

"A vida é o que acontece enquanto recordamos o passado e projectamos o futuro". (Acho que foi um Beatle que disse isto. Um dos que já morreram).

Faz frio, mas o sol espreita e dá algum brilho ao mar encrespado. No caminho acimentado que o ladeia, desfila um cortejo variado. Alguns diálogos, poucos risos, muitos olhares perdidos. Um casal de meia-idade, de polar e cachecol, ombro com ombro, sem palavra. Um colosso de músculo, de óculos espelhados e camisa de cavas a transpirar as estopinhas. As crianças almofadadas nos joelhos, nos cotovelos, na cabeça, em tons rosa choque ou cinzento, empoleiradas na bicicleta, nos patins, no skate e outros meios de locomoção com pequenas rodas. As amigas pós-aborrecentes de umbigo à mostra e mp3 que falam alto. O velhote de boina, meias brancas e blaser de xadrez que sorri às senhoras de xaile e cabelos brancos. Os namorados de longa data, os de primeiras descobertas e os outros. E ainda os que não passam mas ficam, encostados às canas que vasculham o mar. E os outros que não ficam mas passam, encavalitados nas ondas que desfazem com uma tábua lustrosa. E os representantes do reino animal: os cães em terra e as gaivotas no mar.
Eles e eu, neste início de ano, a recordar o passado. Ou a projectar o futuro. Antes que comece o presente. Quando a vida acontece.

2009 IV

Em 2009 vou manter o peso, depois dos cinco quilos que perdi. Vou ao ginásio três vezes por semana e fazer caminhadas outras duas. Vou comer menos doces e beber mais água. Vai ser o ano de arrumar o escritório, deitando fora milhares de páginas de papel amarelecido. Vou escrever sinopses de documentários e começar a filmar pelo menos um deles. Vou passar da 20ª linha da história que comecei a escrever. Vou estudar francês e espanhol e pensar numa pós-degradação ou amestrado. Vou conhecer pessoas novas e vou ver mais as pessoas que já conheço. Vou ser mais poupada. Vou tentar ganhar mais dinheiro. Vou continuar a ir a espectáculos e a fazer shiatsu. Seria bom poder ir a mais spas e viajar até ao Oriente. Talvez voltar a Nova Iorque. Vou brincar com os meus sobrinhos, treinando para os meus filhos. Vou amar mais. Vou escrever mais nesta cidade virtual. Será?

terça-feira, janeiro 06, 2009

futilidades

uma mulher percebe que precisa de uma máquina de secar quando ir apanhar a roupa se transforma numa expedição ao Alasca

percebe que precisa de dormir quando liga o ferro de engomar e só dez minutos e três verificações de temperatura depois vê que ligou a torradeira invés do ferro de engomar

que precisa de novos horários - uma mulher a dias interna também serve - quando se senta para jantar à meia noite.

E lembrei-me da minha caderneta



Há dias em que ainda é possível ler jornais e sorrir!

Crianças de seis e sete anos fogem de casa para casarem em África
Duas crianças alemãs fugiram de casa com a intenção de «se casarem em África», mas acabaram por ser apanhadas pela polícia quando chegaram a uma estação de comboios

Um rapaz de sete anos de idade e uma rapariga de seis que moram em Hannover, no norte da Alemanha, fizeram as malas e fugiram de casa. As crianças conseguiram chegar até à estação de comboios da cidade, onde foram interceptados pela polícia.

Segundo as crianças, queriam «ir a África para se casarem e viverem lá». Os 'fugitivos' tinham feito as malas e levavam a irmã da menina, de cinco anos, para servir de «testemunha do casamento».

Na bagagem, as crianças levavam fatos de banho, um colchão de ar, óculos escuros e comida. Queriam apanhar o comboio para o aeroporto na estação central de Hannover.

Funcionários da estação chamaram a atenção dos polícias, que conseguiram convencer as crianças de que sem bilhetes e sem passaporte não conseguiriam chegar a África.

Como consolação, as crianças puderam fazer um passeio guiado e exclusivo pela esquadra da polícia da estação, incluindo uma visita a uma cela.

Os pais, que ainda não tinham percebido a fuga, já que os seus filhos saíram da casa enquanto estes dormiam, foram buscar os filhos à esquadra.

As crianças disseram que queriam viver em África porque «lá é sempre quente».

Actualmente, a Alemanha está a passar por um duro Inverno com temperaturas abaixo de zero.

SOL com agências

Sem idade

Oiço agora, na televisão, um homem de quem nunca gostei: Mário Soares. Não posso, porém, deixar de admirar a lucidez e a sanidade mental de quem já passou dos 80. É certo que não sabe se leu no "El Pais" ou no "Le Monde", mas sabe o que leu e comenta. É certo que não sabe se ouviu na SIC ou na RTP, uma entrevista ao Ministro das Finanças, mas sabe o que ele disse e sabe porque não concorda com Teixeira dos Santos.

Não é caso único, Mário Soares. Felizmente.

No pós 80, temos nomes como Eduardo Lourenço, José Saramago e, claro, o centenário Oliveira. Todos eles são capazes, capazes de saber, de fazer, de estar. Parece que a cabeça faz o corpo funcionar. É como se trabalhar a mente, ao longo da vida, a pudesse prolongar. Vale a pena viver, desta forma.

As nossas avós deviam ser assim. Não arrogantes, como já foi Saramago (acho que já não é); não irritantes como já foi Soares... mas lúcidas, capazes de pensar até ao fim dos dias, prontas para raciocinar sobre qualquer tema. Eu gostava que a minha avó ouvisse. Ouvisse a minha voz, pelo menos. Já não falo sobre ouvir os telejornais e as notícias de última hora. Mas que ouvisse a minha voz em fundo.
Gostava que ela visse. Que visse a paisagem e as árvores, ao fundo. Já não peço que visse as letras miudinhas de um jornal diário. Mas que visse a cor dos meus olhos.
Gostava que a minha avó se lembrasse do que comeu ao almoço. Nem sequer quero que ela se recorde dos dias vividos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas que saiba, de memória, quando nos vimos pela última vez.

Mas a minha avó foi habituada a trabalhar a terra, não a mente. Foi obrigada a servir, não a ser servida. Aprendeu a ler já adulta, quando o meu avô a ensinou a juntar as letras. Aos 94 anos, pouco mais saberá discutir que a doença que sente (e não a que tem, porque não tem nenhuma, felizmente); pouco mais saberá dizer que o nome de dois ou três comprimidos; pouco mais quererá fazer que sentar-se no sofá, ao calor do aquecimento, com o gato a roçar-lhe nas pernas.

Eu gosto da minha avó como é. E admiro esta gente, que ainda é gente depois dos 80.
Se lá chegar: quero ser doce, como a minha avó, e lúcida como tantos outros.

higiene mental


Não ouvi nem um segundo sequer da entrevista do nosso primeiro. E sinto-me tão sã por isso.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Dilema

O que fazer às 20H45? Ver a entrevista de José Sócrates na SIC, ou ir aos saldos procurar um casaco cor de beringela?