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sábado, agosto 22, 2009

À noite

Recordo de manhã cedo o que me atormentou. Revejo rostos e passagens e momentos e conflitos. A vida é calma e alegre durante o dia, à noite transforma-se num suplício como se tudo corresse mal. Acordo cansada, desgastada, enxaquecas e dores musculares. Tudo acumulado sobre os ombros e a cabeça que rebenta de ansiedade e de culpa. Reconheço aqueles que me passaram pela vista durante a madrugada, num sono atribulado e nada profundo. Muitos fazem-me mal, muitos dos que me são queridos, de quem não tenho uma queixa. Vêm à noite zangar-se, prejudicar-me, indicar-me caminhos que não são meus. Durante o sono percorro outros mundos. Odiosos, tristes, conflituosos. Não sou eu, realmente, naqueles sonhos, mas sim, revejo-me, olho para o meu rosto, sinto o meu coração, penso com a minha mente. A noite cansa-me e acordo como se nunca tivesse adormecido. A noite dói-me. Magoa-me. À noite não há descanso nem repouso, mas tão só problemas e corridas e azáfama e pessoas que me querem mal quando afinal não são elas o inimigo. A manhã acorda com enxaquecas e remorsos de não ter dormido. A noite fica para trás e regressa à noitinha, quando voltar para a cama, e os meus olhos fecharem.

segunda-feira, abril 07, 2008

Pesadelos

Estava na Jordânia e não me lembrava do nome da capital. Só me vinha à cabeça a cidade maior do Paquistão. Mas eu estava na Jordânia. Havia helicópteros e eu, jornalista, ia num deles com o meu caderninho de capa castanha, o que trago agora na mala. Iam mais jornalistas, todas mulheres, naquele helicóptero que sobrevoava a cidade em chamas. Havia casas a arder e podíamos ver as pessoas a fugir, as divisões vazias, os telhados caídos que tudo deixavam a descoberto. Havia mais jornalistas e o R. estava entre eles. Perdi-me dele mas sabia que nos voltaríamos a encontrar. Quando acordei lembrei-me de Amã.

O meu irmão insistia em perseguir-me, em mentir-me, comprou um carro em nome dele e queria convencer a minha mãe de que o carro era para os dois. O meu irmão do meio. Havia um prédio de vários andares e correu atrás de mim piso a piso. Eu passei por famílias a ver televisão, cozinheiras de momento, sofás vazios... e ele à minha procura, aparecia sempre onde eu julgava estar escondida. Chorei toda a noite.

Eu nunca estive em Amã e nunca fui jornalista de guerra.
Eu e o meu irmão sempre nos demos lindamente e, nos tempos em que partilhámos carro, fomos sempre justos um com o outro... Já lá vão uns 7 ou 8 anos.

Que sonhos são estes, então? Virá Freud explicar-me?