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sábado, novembro 07, 2009

Sábado

Acordo com a enxaqueca de ontem à noite mais poderosa. Um comprimido tomado há mais de uma hora não fez efeito. As dores repetem-se a cada dia, às vezes fazem um intervalo, mas já estou viciada nesta moínha que me traz má disposição e uma vontade louca de vaguear no interior da minha cabeça. A sensação é de alheamento e o estômago revolta-se a cada cinco minutos. A enxaqueca não é uma dor de cabeça normal, é uma espécie de companhia indesejada que se deita e acorda connosco sem termos tido uma noite de sexo. De manhã olhamos para o lado e lá está ela, na nossa almofada, junto ao peito, cabeça encostada à nossa, repousando, à espera do raiar do dia para atacar mais forte. Estranho mais se aparece ao fim-de-semana, como hoje. E já estranho quando não aparece todos os dias. Fez-se parte de mim, esta dor de alma. Não estou nervosa, nem demasiado cansada, nem constipada, nem irritada. Apenas existo a par de uma enxaqueca, dia após dia. A cervical ressente-se e deixa passar o mal-estar pela linha do trapézio. Equilibra-se a enxaqueca neste espécie de circo que é o meu corpo. Sei que não acaba agora e que voltará, mais cedo ou mais tarde. Sábado, sete e 20 da manhã. Desperto com ela no bolso e penso que Sport Billy teria melhores razões para existir. Não tenho a fisga nem o canivete suiço, não tenho nada que me faça falta. Apenas uma quase eterna dor de cabeça que dá pelo nome pomposo de cefaleia.

terça-feira, outubro 27, 2009

O homem ideal

Não existe, bem sei... mas e se existisse? Como seria?
Reúno os comentários das minhas amigas, das colegas, das mulheres que oiço nos restaurantes e paragens de autocarro que não frequento. Hoje, ao balcão, enquanto comia bifes panados com alface, uma estranha dizia estar "em baixo", incapaz de resolver o problema e esquecê-lo, a ele. Outra, que pediu uma água natural, sentou-se no banco do lado e disse que tinha reparado nela, pela manhã, que estava infeliz quando chegou ao escritório. Desliguei da conversa e paguei a minha sopa alentejana que tomei com uma coca-cola. Eu esperava por um homem que fora cortar o cabelo para ficar com um ar limpinho e arrumado. Questiono-me o que importa, realmente, num homem? Leio um e-mail de uma amiga que encontrou, por acaso, um brasileiro lindo, de olhos azuis, e conversa boa para aquecer a alma. Penso na minha colega que há anos não tem vida sexual com o marido mas que teve, há uns meses, uma criança. Uma espécie de obrigatoriedade paternal. Vejo-a apaixonada pelo rapaz do bar ou pelo que trabalha numa qualquer sala fora da redacção. Mas nunca me disse que amava o marido. Recordo alguém que julgou ter nas mãos o homem de uma vida mas, passados uns meses e uma outra mulher, mudou de ideias. E a colega cujo marido nada faz pelo filho e também não trabalha porque tem uma depressão e, "coitado", quer é ficar na cama o dia todo sem que ninguém o mace. E na que tem um companheiro de vida que passa a noite ligado à internet, às vezes com as gatas aos pés, mas nunca junto à cozinha e a ela que faz o jantar. E a que ficou sozinha mal nasceu a segunda filha e que vive agora com outra mulher. E a que foi trocada (tão) pouco depois do casamento e fez almofadas brancas com o vestido do dito. Em comum, estas mulheres têm más experiências com os homens. Não digo que o mal é geral... mas atinge uma grande camada da população feminina. Se Sócrates fosse esperto, criaria o Ministério do Amor e dedicaria parte do Orçamento de Estado a tratar esta gente num bom psiquiatra. Era bom para todos e talvez me decidisse a ir votar nas próximas eleições.

Será o homem ideal o que nos compra presentes todas as semanas, mas que se esquece de pagar a conta da luz? Será aquele que é óptimo parceiro sexual mas que está a trabalhar quando é preciso dar banho aos filhos? Será o que tem um emprego altamente qualificado e uma secretária competente, mas que se refere ao nosso trabalho como uma ocupação secundária que para pouco ou nada serve na gestão familiar? Ou o excelente pai de família que quando chega à cama se vira para o outro lado e ressona porque está cansado demais para amar? Todos estes são casos que conheci, ouvi falar, soube por aí... É verdade que uma ou outra mulher estar feliz com o marido que tem. Mas também é verdade que somos cada vez menos exigentes. Falo por mim: contento-me com um homem que não minta, que me telefone para saber como estou, que me diga se vai chegar tarde, que me dê conta das saídas com os amigos e que goste de me levar com ele; contento-me com um abraço, com um beijo carinhoso, com a barba feita uma vez de 3 em 3 dias, com um bom filme visto a dois sentados no sofá. Já lá vai o tempo em que me preocupava com a tampa da sanita, com a pasta de dentes fora do sítio, com a toalha molhada em cima da cama, com o champô aberto na banheira, com as beatas no cinzeiro da sala, com a mania de possuir o comando da televisão, com a loiça suja fora da máquina, com as cascas da tangerina em cima da mesa... Sou uma mulher fácil de satisfazer, já que o meu grau de exigência é quase nulo. Porém, nem eu conheço o homem ideal. E sei que a minha amiga com três filhos e uma casa grande também não o conhece, e nem a outra que teve uma filha porque quis ser mãe solteira; nem tão pouco a que engravidou para solucionar os problemas do casamento.

Não há mulheres ideais. Mas há homens mais exigentes, que não hesitam em somar umas às outras sem que cada mulher saiba algo da segunda. Eles acumulam experiências. Nós assumimos um só para o resto da vida. Claro que nada disto é aplicado a toda a gente dom mundo, mas todo um mundo percebe a quem pode isto aplicar-se.

sábado, agosto 22, 2009

À noite

Recordo de manhã cedo o que me atormentou. Revejo rostos e passagens e momentos e conflitos. A vida é calma e alegre durante o dia, à noite transforma-se num suplício como se tudo corresse mal. Acordo cansada, desgastada, enxaquecas e dores musculares. Tudo acumulado sobre os ombros e a cabeça que rebenta de ansiedade e de culpa. Reconheço aqueles que me passaram pela vista durante a madrugada, num sono atribulado e nada profundo. Muitos fazem-me mal, muitos dos que me são queridos, de quem não tenho uma queixa. Vêm à noite zangar-se, prejudicar-me, indicar-me caminhos que não são meus. Durante o sono percorro outros mundos. Odiosos, tristes, conflituosos. Não sou eu, realmente, naqueles sonhos, mas sim, revejo-me, olho para o meu rosto, sinto o meu coração, penso com a minha mente. A noite cansa-me e acordo como se nunca tivesse adormecido. A noite dói-me. Magoa-me. À noite não há descanso nem repouso, mas tão só problemas e corridas e azáfama e pessoas que me querem mal quando afinal não são elas o inimigo. A manhã acorda com enxaquecas e remorsos de não ter dormido. A noite fica para trás e regressa à noitinha, quando voltar para a cama, e os meus olhos fecharem.

sexta-feira, julho 17, 2009

amanhã é outro dia

Quer queiramos quer não, há dias que nos obrigam a parar, a pensar na vida, frase feita e gasta de ser usada e abusada, a fazer contas de cabeça, a escrever cuidadosamente as colunas do deve e do haver, a olhar para trás, medindo a régua e esquadro, o quanto de nós ficou nos dias que já passaram, quanto estamos dispostos a dar daqui para a frente. Que escolhas faremos no caminho. E por mais que se pense, por mais que se tente ordenar ideias, fazer projectos, traçar planos, há dias em que nada faz sentido e quase tudo parece insignificante e fútil. Nesses dias mais vale juntar amigos à volta de uma mesa, [agora, dia, sou eu a depender das bondade de estranhos], dizer disparates e rir por tudo e por nada para esconjurar fantasmas. E depois, se a receita não for suficiente, é descer ao Tejo, encher a alma de maresia, a cabeça com as palavras dos outros, a pele de sol. Deixar-me embalar no jazz que sai das colunas, retribuir o sorriso do empregado de bar mais simpático de Lisboa e esperar que a amanhã seja mesmo outro dia.

quarta-feira, junho 24, 2009

E agora como é que vou viver?

Sem a calçada que se estende até ao Largo, sem os jacarandás floridos em Maio, sem a conversa dos vizinhos a entrar pela janela, sem a música que sobe a calçada nos dias quentes, a mercearia ao fundo da rua, as lojas da rua Garret, as horas de almoço passadas de livro na mão num dos bancos do largo, sem o cheiro a grelhados, a sardinha assada nos dias de verão, sem o quiosque do Largo, as idas constantes à FNAC, sem o sol reflectido nos prédios das traseiras, sem os cigarros partilhados à entrada, sem o bazar para comprar gomas, sem o vizinho das traseiras na varanda em roupa interior, sem os almoços no Fábulas, sem o linguajar dos turistas, rua acima rua abaixo de máquina fotográfica na mão, sem a má disposição do senhor Zé, sem o bitoques do Alcobaça, sem a descida íngreme do Sacramento e os saltos enterrados nas pedras da calçada portuguesa, sem a sombra dos Jacarandás durante todo o Verão, sem os cafés bebidos à porta da Nespresso, sem as esplanadas cheias de gente...

quinta-feira, junho 18, 2009

Estou velha p'ra isto

Recebo uma mensagem onde me dizem que às 5h da manhã, em Washington, pensavam em mim. Pedem-me uma explicação para tal, ressalvando o facto de nos termos encontrado 4 dias numa vida que ainda vai a meio mas já conta muitos mais. Não respondo. Já não gosto que se apaixonem por mim. Agora só quero manter o que tenho. Isso basta-me!

quinta-feira, junho 04, 2009

Penso nisto

Sinto que o tempo passa. Encontro pequenos apontamentos do ano passado, um bilhete de avião que é de Novembro e cujas milhas ainda não reclamei, um presente de aniversário que tem de ser gozado até Agosto. Acordo todas as manhãs sem ir ao ginásio que pago desde Janeiro. Prometi não falhar. Falhei. Disse ao recepcionista que não gostava de fazer ginástica, do ambiente dos ginásios, das aborrecidas mudanças de roupa... mas quem falha um compromisso que fica à porta de casa por quase 50 euros? Acordo e penso que é hoje que vou desistir, que vou rescindir, que deixo de pagar a mensalidade inútil. Desisto da ideia que me obrigaria a percorrer 200 metros. Corro para a garagem onde o carro sujo me espera. Penso que tenho de mandar lavá-lo, precisa de uma aspiração, as árvores do estacionamento diário deixam-no manchado e sem cor. E os pássaros. Não encontro o rapaz das lavagens e entro para mais um dia de loucos. Poupo 14 moedas e imagino um azul sem brilho, or mais uns dias. Nem sempre almoço. O telefone toca de minuto a minuto, ora fixo, ora móvel. E se saio em reportagem olho sempre para o relógio. Reparo, anoto, faço perguntas. Nem tive tempo para preparar o trabalho que me dá gozo. Regresso e conto os minutos para tudo o que ainda me falta fazer. Não telefono aos amigos, nem à família, não marco o dentista, os exames que me foram recomendados em Janeiro, falho por dois meses a segunda toma de uma vacina de 150 euros a dose. Não telefono ao banco para baixar o seguro automóvel, nem consigo lembrar-me de anular uma conta e dois cartões que continuam a ter anuidades exorbitantes. E não são usados. Passo tudo isso ao lado e prossigo na tarde até que seja demais. Quando finalmente faço logout corro para casa ansiosa por um sofá e jantar. Aqueço a sopa feita pela empregada à segunda-feira, o empadão que hei-de comer toda a semana, levo o tabuleiro comigo e divago em frente à televisão. Deixo uma nota no facebook e raramente respondo às interpelações. As redes sociais não me tornam mais humana. Vejo duas, três, quatro séries de seguida enquanto mastigo macias fatias de pão de ló. Penso nas calorias. Disfarço com um copo de leite e olho para o relógio enquanto espero um beijo de boa noite ao telefone. Podia ler, mas não consigo virar a página da minha vida. O meu dia acaba enroscada na cama, absorvida pelos pensamentos de tudo o que ficou por fazer. Felizmente tive breves minutos com a minha mãe. Agradeço por isso à rede móvel, que às vezes não interrompe chamadas. Não dispenso esses momentos carinhosos, de cuidado. Sei que a avó já dorme. Respiro fundo. Por vezes faço uma breve oração como que querendo convencer-me que acreditar continua a ser fácil. O sono tarda. Faço planos e imagino que tudo será diferente no dia seguinte, dedico-me a elencar o que me obrigarei a fazer, elaboro jogos para adormecer, alguns inventados na hora, como o que me desafia a escrever, mentalmente, nomes de capitais de A a Z. A minha mente corre e percorre Atenas, Brasília, Bruxelas, Genebra e Santiago do Chile. Muitas são-me desconhecidas mas gosto de imaginá-las. O jogo pretende adormecer-me mas desperta a minha atenção. Dedico-me então aos países, da Áustria à Bulgária, do Paquistão ao Zaire. Desisto de jogar contra mim própria e contra a minha vontade e admito que tenho sono, que devo dormir, repousar. Procuro aconchego na almofada que me ampara a alma mas, por estes dias, não tenho abraços nem conversas de ouvido. Cansada, perco-me na noite e sonho. Sonho até à manhã que me vê acordar de olheiras e memórias vivas de noites atribuladas. Porque a paz não está agora comigo.

quarta-feira, junho 03, 2009

estados d'alma

eu costumava gostar de Junho.

domingo, maio 31, 2009

dias de sol

“Escrevo-me para me distrair de viver”. Vivo para me esquecer de pensar. Os jornais espalhados na mesa por entre garrafas de água e o prato do bolo de chocolate, conversas cúmplices, sorrisos e o amparo de sempre sob um sol abrasador no meio da cidade. Imperais de fim de tarde, descobertas boas, mais conversa, mais risos. Jantar em versão ceia a acabar fora de horas. O cheiro das noites de Verão a subir do Tejo. Música no sítio do costume, brincadeiras infantis, risos. Deitar muito tarde, sem vontade de cair na cama. Os dias e as noites querem-se cheios, fora de casa, rodeada de gente. Joga-se à bola, tiram-se fotografias, fazem-se bolas de sabão, come-se bolo de aniversário e cerejas até ficar enjoada. Recebem-se mimos e confirma-se que é preciso muito pouco para ser feliz. Só o ‘Segundo’ da Maria Rita continua a tocar em repeat.

sábado, maio 23, 2009

estados d'alma

"so you bite on a towel
hope it won't hurt too bad"

[versos que hoje não me saem da cabeça.]

terça-feira, maio 12, 2009

1808

Laurentino falou-me do Brasil e de como a Corte portuguesa lá chegou há 200 anos. Perguntei se José Sócrates deveria agora fazer o mesmo que D. João VI: fugir. Riu-se. Terá tido medo de dizer que sim, que o Primeiro-Ministro devia fugir do País que há muito corre contra ele. A Rainha louca já não é Maria Pia; e o príncipe medroso será um ministro qualquer. Só a perversa Carlota Joaquina continua por aí. Quem tiver ouvidos, que oiça...

quarta-feira, maio 06, 2009

pesadelo sem ar condicionado

A Carrie já esteve mais longe de vir trabalhar de biquini. E ainda estamos em Maio.

segunda-feira, maio 04, 2009

privação

Passei duas vezes pelo doloroso processo de deixar de fumar. O lema é mais do que conhecido, nada de grandes ambições, viver o dia para chegar ao fim sem voltar a tocar num cigarro. Agora descubro que há síndromes de privação bem piores que o da nicotina. E o meu único desejo é que os ponteiros dêem nova volta ao relógio. Uma hora de cada vez parece-me bem mais racional.

domingo, maio 03, 2009

vontades

haverá pouca coisa mais afrodisíaca do que o cheiro de uma noite de verão.

quinta-feira, abril 23, 2009

O PM e a TVI

Eu não aprecio os modos do Primeiro-Ministro, José Sócrates. Admito que é um homem inteligente, com capacidade de decisão. Mas isso não quer dizer que concorde com as decisões que toma. E, sobretudo, com o modo como as anuncia, como se anuncia.

Eu não gosto da Manuela Moura Guedes. Aceito que seja uma mulher inteligente e com uma vasta experiência (da publicidade ao jornalismo, quem diria? passando pela política). O que não significa que goste da forma como encara o jornalismo e como o apresenta. Como se apresenta.

Por isso... venha o Diabo e escolha...

quarta-feira, abril 15, 2009

Sem idade

No dia em que me cai no colo uma peça sobre o mais velho actor de filmes pornográficos do Japão, um assunto de sempre, à hora de almoço. O japonês tem 75 anos e usa placa. Nada o impede de fazer as actrizes 30 anos mais novas darem gritinhos para a câmara, com esgares ditos sensuais e poses arrepiantemente sexuais. Quando era miúda recusei-me a ver um filme de primeiro escalão em casa de um amigo porque, simplesmente, me enojava. Nunca achei piada, nunca me excitou, nunca achei interessante. Nem mesmo quando descobri que "Branca de Neve" e "???uma série de anões???", guardado pelo meu irmão em VHS era, afinal, um filme porno. Ao almoço a conversa da maternidade e da idade para ser mãe e mais não sei o quê... que já se faz tarde e que qualquer dia temos 40. Éramos três. E o raio do homem tem erecções aos 75 e diz que há-de continuar a carreira até aos 80.
Não é injusto, o mundo?

quinta-feira, março 26, 2009

Pequeninos

Descobri recentemente, na TV Cabo, dois canais surpreendentes: o MVM TV e o RTV. Para quem pensava que o Porto Canal é hilariante, passe, por favor, nos canais 201 e 79. E a depressão vai-se embora. Sem comprimidos e terapias caras. Estou a falar de dois canais regionais que, como quase tudo o que é regional, são pequeninos. Não por terem meios escassos, cenários que são comprados no IKEA, espaços que parecem um TO no Bairro Alto (sem vista), iluminação precária no estúdio(?). São pequeninos porque estão repletos de clichés, apresentadores miseráveis, programas que querem ser ousados mas que se tornam ridículos, miúdas que saíram da escola e ainda nem sabem ler, quanto mais falar para uma câmara. Estou a exagerar? Assisti hoje a um programa - não me lembro como se chama - onde o entrevistado era Mário Dorminsky, o homem do Fantasporto. Talvez por estar agora envolvido na política, ao que parece na Câmara de Gaia, Dorminsky aceitou o convite da televisão local e foi entevistado, num frente-a-frente de nos atirarmos para o chão a rir. Perguntas: "Que amigo escolheria para salvar o Soldado Ryan?"; "Que mulheres escreveu no seu diário?" (numa referência patética aos filmes de Bridget Jones); "Quem escolheria para dançar consigo em Dirty Dancing?"... e assim sucessivamente, perguntas pessoais com a muleta dos filmes mais óbvios do mercado, onde não faltou a pergunta "Qual o seu Instinto Fatal". E Dosminsky respondia, animado, babado com a apresentadora - que, pelo que percebi na ficha técnica é também directora de Informação (!). Uma vez que estive a fazer zapping entre os dois canais, agora da minha preferência, não sei que programa vi em que canal. Porque ontem assisti a uma entrevista maravilhosa, feita por uma tal Sílvia, a um convidado surreal, dono ou director de uma revista que dá pelo nome de Noite.pt. E o apresentador, que iniciava todas as respostas por "Sílvia", era tão cretino como a apresentadora, incapaz de uma pergunta com sentido, de uma questão que valesse a pena.

Numa altura em que a ERC não permite um 5º canal (e acho bem) não se percebe como há espaço e antena para estes canais miserabilistas e miseráveis, com problemas técnicos que davam para parar um comboio durante um ano, e aspirantes a qualquer coisa que a imagem traz à vida das pessoas e que eu não consigo compreender. Aparecer no ecrã é tão importante que justifique esta vergonha? Quem investe nestes canais e permite que tão fraca qualidade vã para o ar? Quem vê estes programas fá-lo por razões de proximidade? (são os parentes das apresentadoras)... Enfim... perguntas sem resposta. A não ser, e se calhar só isso já chega, que estes canais tenham nascido para nos fazer rir. Se assim é, obrigada. Eu rio-me um pouco todas as noites, antes de passar o televisor para o modo DVD, e beber uma chávena de leite a ver mais um episódio de Sherlock Holmes.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Novela da noite

É raro ter a televisão ligada nos canais generalistas, por esta hora. Mas aconteceu. Na SIC a novela brasileira; na TVI, mais uma portuguesa. Eu não vejo telenovelas desde os tempos da "Dona Xepa". Detesto-as. A todas. Não posso deixar de ficar uns minutos a ver a emissão nacional. Vejo quatro actores, em cerca de 5 minutos. Todos muito maus. Penso no share de mais de 40% que têm as novelas portuguesas. Questiono-me como. Maus argumentos, cenários sofríveis, planos sem raccord, actores com péssima dicção. E no Brasil, uma realidade que não nos pertence. Mudo de canal. Ainda bem que pago TV Cabo todos os meses!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O dia depois

Já não tenho idade para noitadas. Uma festa até às 5 da manhã - mesmo sem uma única gota de alcool - dá cabo de mim. Dores nas costas, sono, dores de cabeça. E a terrível sensação de que não vou recuperar até Março. E as estágiárias que ficaram depois de eu sair, andam aqui frescas que nem alfaces... Outros tempos!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

desejos

Os títulos dos jornais falam de frio polar, as câmaras lembram-se dos sem-abrigo, na rádio dizem que se morre mais de frio do que de calor e o meu carro avisa-me, quando o ligo, que há risco de gelo e o computador de bordo pisca incessantemente nos 3º. Penso por minutos que estou algures na Sibéria para descobrir rapidamente que afinal o trânsito é o mesmo de todos os dias. Não há ursos polares ou icebergs nas redondezas, mas os meus dedos, brancos como cal, ameaçam cair ao primeiro toque mais violento e os pés estão transformados em blocos de gelo. Quero palmeiras, água de coco, havaianas, esplanadas, vestidos curtos, biquínis, mar azul e temperaturas acima dos 30º. Tudo isto 355 dias por ano. Será pedir muito?