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sábado, setembro 02, 2006

Conto[s] III

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Focos de luz sobre o palco acentuam a escuridão na plateia. Gente alinhada de pé. Ele abraça-a pela barriga. Faz subir ligeiramente a t-shirt colada à pele. A mão descansa a milímetros do cós das calças de ganga. Os dedos vão apalpando terreno. Ela não resiste. Aconchega-se nos seus braços. Sente o hálito quente no pescoço. A pele que se arrepia. Ele vai testando o seu pudor numa sala cheia de gente. Ela vira a cabeça. Quer dizer com o olhar que aqui não. Ele sussurra-lhe ao ouvido. Ouve a música. Os dedos ágeis desapertam o primeiro botão. Ela encolhe a barriga para lhe dar espaço. Sente os beijos no pescoço. Os dedos vão descendo mais e mais. Ela morde o lábio. Olhos fixos no vazio. Ao som de um suspiro que é quase um gemido, ele abraça-a. Ficam agarrados até ao fim do concerto.

[Este é, muito provavelmente, o meu último conto. Não quero correr o risco de me convidarem para escrever Sabrinas e Harlequins]

quarta-feira, agosto 23, 2006

Conto(s) II

Fechou os olhos para sentir melhor. A língua dele deslizava-lhe pelo ventre sem deixar nem mais, nem menos saliva. Apenas a suficiente, para escorregar. Tocou-se para sentir que estava molhada, a condizer, e sorriu. Ele continuava, devagar, numa lentidão propositada de quem usufrui de cada segundo para se impôr. Leve, muito ao de leve, passou-lhe a língua pelas pernas, pelo interior, na zona onde ela sempre se envergonhara de ter mazelas. Não importava, agora, a celulite. Esqueceu-se disso. Depois empurrou-lhe a cabeça e ele foi. Directo. Sem hesitações. E mergulhou nela com um arfar que os dominava. Era uma parte dos preliminares.

terça-feira, agosto 22, 2006

Conto[s]

O
Agarras-lhe pela cintura. Beijas-lhe o pescoço. Há uma mão que tenta afastar-te. Insistes. Indiferente aos cheiros dos ingredientes para o jantar. Encostas-lhe o corpo contra a bancada da cozinha. A mão desce por entre as pernas nuas sob a mini-saia. Ela evita tocar-te. Refila por causa dos cheiros. Pela hora do jantar que se aproxima. Mas beija-te o pescoço. Sabe a sal. A mar. É um jogo de forças. A responsabilidade contra o prazer. As convenções contra o prazer. Vira-la para ti. Desapertas o fecho da saia que cai. Continuas a beijá-la enquanto a fazes deslizar para fora da cozinha. As resistências começam a desmoronar-se. Os olhos dela, transparentes, são agora uma súplica silenciosa. Pegas-lhe ao colo. Não há tempo para chegar ao quarto.

[Este conto tem dono. Foi pago a um euro.]