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sábado, junho 19, 2010

de partida, a começar mais um ano

A mala está finalmente feita depois de um martírio que durou, sem exagero, dois dias. Mas tenham dó, são mais de três semanas fora de casa do outro lado do oceano, e uma mulher tem que estar preparada para tudo. Roupa, sapatos, maquilhagem, electrónica, caixa de primeiros socorros com tudo o que é comprimido que possa fazer falta, mais roupa, blocos de apontamentos, livros, e tudo e tudo e tudo. A partida é amanhã às 10 e qualquer coisa e eu não podia imaginar melhor forma de começar os 36 [mas ninguém me dá mais do que 25!]

domingo, junho 13, 2010

rituais de junho

Há rituais que são para cumprir religiosamente em dias de Santo António, mesmo que os 300 quilómetros custem horrores pelo cansaço acumulado nos últimos meses, mesmo que em Lisboa fique tanta coisa por fazer a uma semana de partir para o outro lado do Atlântico. Regresso à serra, ao mimo, ao relvado à volta da piscina, às cerejeiras carregadas de negro e verde. Regresso para comer, dormir, esquecer que o mundo existe, para desligar o cérebro e não pensar em mais nada. Isto és tu a fugir para a frente, mais uma vez, como sempre. Passo metade do fim-de-semana a dormir, a outra metade em cima das cerejeiras. O ritual é conhecido, está escrito e reescrito nos arquivos deste blog, que já leva cinco anos e que este Maio não teve direito a que lhe cantassem os parabéns. Subo às cerejeiras para comer até ficar enjoada, desço para me espraiar na relva, para andar de baloiço, para a frente, para trás, cada vez mais de depressa, com a cabeça virada para cima e olhos colados no céu.

quinta-feira, abril 29, 2010

calendário sentimental

hoje era dia de começar a cumprir o meu calendário sentimental, porque o ano só começa a ser ano com os livros que enchem o parque, com o sobe e desce das alamedas acompanhado por risos e conversas boas. o trabalho não deixou ir hoje ao parque, para um almoço que estava prometido, e também não deixará nos próximos dias. segunda à noite estou lá batida para a happy hour. só não me conformo que tenham antecipado a féria em um mês. ano que é ano só começa a sê-lo no final de maio.

quarta-feira, abril 28, 2010

fuga para a frente ou para qualquer outro sítio

Estou a sair-me particularmente bem a arranjar alternativas para os dias de grandes enchentes. Este fim-de-semana rumo a Norte, logo a pensar em voltar para Sul, fugindo às comemorações do 1º de Maio. E daqui a uma semana embarco para o Brasil, escapando por uma unha negra à sua santidade. Só me falta mesmo arranjar programa para o final do mês. A perspectiva de estar na mesma cidade dos black eyed peas não é propriamente a mais entusiasmante.

sexta-feira, março 19, 2010

em junho


durante duas semanas e alguns dias esta será a minha casa.

terça-feira, março 16, 2010

se não for pedir muito

parece frase feita, mas não acredito na sorte, apenas no trabalho. desta vez, em que o trabalho foi pouco, dava-me jeito ter o meu quinhão de sorte. pode ser?

quinta-feira, março 11, 2010

foi há uma semana

tenho umas quantas fotografias para descarregar, imagens com cores fortes, calor, sol, chuva e sorrisos, tenho um post meio escrito, tenho sons ainda na cabeça, tenho um 'room with a view' para mostrar, tenho muitas memórias desembrulhadas e voltadas a guardar na caixinha verde alface, e tenho muitos horas de sono para pôr em dia, sem que a viagem tenha alguma coisa a ver com o assunto. maputo continua a ser altamente recomendável, o costa do sol também, principalmente ao almoço com o índico pela frente...

sábado, fevereiro 27, 2010

31º

[Maputo 2002]

Regresso nove anos depois, por dois dias e meio com uma agenda de doze horas de trabalho cada. Mas a BBC garante que a temperatura mínima é de 31 graus... com chuva. Na mala irão havaianas e sandálias, pelo sim, pelo não.

fugi de casa

Fugi de casa em grande estado de ansiedade. Fugi depois de tomar banho demoradamente no único sítio da casa onde não me sinto no meio de um furacão, mesmo tendo uma janela. Desconheço se quando voltar a casa estará no mesmo sítio ou se ainda terá telhado. A vista paga-se e também se sente. Num dos sítios mais altos de Lisboa, um 3º andar num prédio desabrigado é dose, mesmo que a vista seja deslumbrante. nota mental: não voltar a mudar de casa no Inverno sob pena de passar a odiar a casa. Não sei a quantos quilómetros soprava o vento, mas é dose, logo para mim que sofro horrores com o mau tempo, que uma tromba de água já me faz pensar em toda a espécie de catástrofes naturais, que passo a vida a mudar de canal para não ver o que se passa na Madeira, que mudo de rádio para não ouvir os mortos do terramoto do Chile. Fujo de casa em grande estado de ansiedade e corro para casa da mamã. Sejamos sinceros. Esta de fugir para casa da mãe está bem justificada. Ainda não me dei ao trabalho de levar para a casa nova a roupa de Verão e vou precisar dela nos próximos dias. Fujo para casa da mãe, arrumo a mala que me acompanhará para o hemisfério sol. Não está errado. É mesmo que sol que preciso.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

that's all folks

pela primeira vez em cinco anos deixei passar em branco a data mais importante do calendário sentimental deste blog, no que me diz respeito pelo menos, lembrei-me agora quando conduzia em piloto automático a caminho de casa. é caso para dizer que estou crescida, ou então é a análise que está a fazer efeito...

terça-feira, fevereiro 16, 2010

porque há coisas que nunca mudam

A D. repete-me constantemente que não posso dizer que vendo a alma ao diabo, mas a superstição dela não chega para me convencer quando a chuva não pára de matraquear as janelas, quando os dedos já roxos de frio ameaçam cair a qualquer instante, quando a pele já passou do branco e se aproxima perigosamente do verde, quando a depressão ultrapassa todos os limites. A carência elevada ao expoente máximo pela falta de sol. Hoje vendia a alma ao diabo por uma nesga de sol quente e temperaturas acima dos 30º. Talvez hiberne até que chegue a primavera, talvez imigre em definitivo para um país onde os termómetros não desçam dos 25º durante o ano inteiro. É que, de repente, não me lembro de outro remédio.

segunda-feira, setembro 14, 2009

uma semana ou nove dias bem contados

uma semana ou nove dias bem contados foram suficientes para perder o ritmo, para que os dedos se troquem no teclado, para que a cabeça perca o tino e deslize para fora do open space, uma semana ou nove dias bem contados passados ao sol, entre letras, os livros do costume, porque jornais nem vê-los. Sim, passei uma semana na montanha sem direito a televisão. Não sei dizer, por muito que queira como foram os confrontos pré-eleitorais, como Sócrates arrasou com Louça, ou se Portas deu cabo de não sei quem. Deu? foi disso que falaste? vês, nem isso fixei... uma semana ou nove dias bem contados para tentar esquecer que o mundo existe e se não o mundo por inteiro pelo menos parte dele.

quinta-feira, agosto 27, 2009

e não acaba?

Irra! semana mais comprida, ainda por cima com sofrimento em formato mensal para fechar com chave de ouro. Não se pode passar já para sábado?

segunda-feira, agosto 10, 2009

da rejeição

"Flora regateava sempre a mínima concessão. E a melhor forma de ela conceder fosse o que fosse era eu não manifestar nem o menor interesse. E não tendo eu interesse em receber, já lhe não era a ela difícil dar. Porque o preço de dar está na valia para quem recebe."

Até ao fim. Vergílio Ferreira

de alma e coração cheios [iii]

Há um post por escrever. Há um fim-de-semana para contar. Praia-concertos-praia-concertos-praia. Podia viver assim. Pelo menos durante mais uma semana. Há gargalhadas intermináveis, há a história de uma ganza que não viu um festival, um telemóvel perdido e a amante de Alcobaça. Há um carro sempre cheio, comigo os miúdos vão sempre atrás, há um desfiar de bandas, canções que marcaram e marcam, conversas longas com os pés dentro de água, vodkas com sumo de morango, marés demasiado cheias e praias sem rede de telemóvel. Há uma pedra no sapato durante o concerto dos Faith No More, saltar muito, voltar a ter dezoito anos, mas só na minha cabeça, porque as costas e as pernas, essas lembraram-me que já não vou para nova, há zero7 em versão demasiado electrónica, uma montanha russa e um cão a querer brincar. Há tudo isso e muito sono. Cansaço bom em todos os músculos. Sobrevivi ao Sudoeste. Adormeço de alma e coração cheio.

sábado, agosto 01, 2009

um outro eu de mim

"Tinha um dedo imperativo no ar. Arrumei os utensílios e dispus-me a sair. Mas quando justamente ia a sair. Porque a vida é assim. Súbitas resoluções sem cálculo. Como se nós trabalhássemos para um lado e a vida para outro. Subitamente foi assim. Havia uma poderosa força vinda de Flora. E eu deixei-me ir, um outro eu de mim deixei-o. No fundo, seria isso? a instintiva certeza de que outra força a trabalhava também. Mas quando a tomei com determinação - a cara rápida voltada de lado, aproveitei a nuca o pescoço. E foi aí. Ela respirava forte sobre o meu ombro."

Até ao fim, Vergílio Ferreira

sexta-feira, julho 31, 2009

terça-feira, julho 28, 2009

as desculpas não se pedem, evitam-se

Oiço-te, engulo em seco e fico com o coração muito pequenino. Perco todas as palavras. Sei que a única que me saí dos lábios, que repito uma e outra vez, de nada serve. Não apagará a omissão. O maior dos pecados entre pessoas que se querem tão bem.

do beijo ou da cegueira

"[...] Devia, antes, concentrar-me na personagem da cantora Kianda, essa mulher tão fácil de amor ("Decifra-me ou devoro-te", promete a Falcato), mas estou outra vez enredado nessas confusas coincidências e, talvez por isso, penso em Walter Lago Bom, no médico de Saramago, em Bartolomeu Falcato e nas muitas formas de alguém contrair cegueira para não ver o mundo tão claramente como via a mulher do médico. Pondero nisto e ocorre-me ainda essa espécie de cegueira que é beijar alguém com os olhos fechados, longamente e sem pressa, como se não houvesse mais mundo lá fora e tudo, afinal, se pudesse resumir a isto. E é bom. É muito boa esta cegueira."

Jorge Marmelo no P2 [sem link directo]

fim

"O que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa."

Dicionário Imperfeito, Agustina Bessa-Luís