Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, outubro 08, 2009

Pós-Amália

O projecto Amália Hoje é do melhor que a música portuguesa fez, este ano. Nuno Gonçalves é um génio. Sónia Tavares uma musa. E Fernando Ribeiro uma surpresa. Paulo Praça é!

domingo, outubro 04, 2009

Amália

Quando era miúda achava que o fado era coisa de velhos. Punha-o no mesmo patamar da ópera e do folclore e dizia "não gosto" com o orgulho de quem vai na flor da idade e ouve dizer assim. Amália não me dizia nada, era apenas uma mulher de negro vestida que cantava fado e que não apreciava. Sabia-a famosa e pouco ou nada mais conhecia sobre ela. Um dia, já nos vinte e poucos anos, quis a minha profissão que me cruzasse com ela. Foi numa noite de fim-de-semana, no Parque das Nações, no teatro Camões onde era convidada após uma actuação. Estava já velha, naquele ano de 1998, quando a Expo '98 a levou ao palco pela última vez. Eu estava lá, no cair do pano, nos bastidores, e vi. Amália era então motivo de risota quer por ser já ida na idade que tinha, quer por ter tiques que muitos ainda imitam com um sorriso - como aqueles das palminhas e das mãos que pedem mais quando diz "obrigada" e repete "obrigada".

Por tudo isto, só dei valor a Amália depois de morta. Agora, que passam 10 anos sobre esse 6 de Outubro que vi na televisão, sobre o dia em que passei para word uma mensagem de condolências a enviar pelo ministro da altura, Manuel maria Carrilho, dia em que o gabinete ficou tão só, ao olhar a multidão que chorava e clamava por ela. Só então, Amália. Que Deus quis fosse o seu nome.

Quando passa esta década sem ela, dedico-me a preparar trabalho sobre Amália. Já passou a Grande Reportagem que há-de repetir e (voltar a) valer a pena; amanhã um Especial para ver quando forem 18H na SIC Notícias, e muitas reportagens sobre exposições e homenagens, a uma mulher que feliz, deixou de o ser para ficar triste e depois morrer. Hoje ouvi Amália e arrepiei-me. A voz que Deus levou era, de facto, única, e nenhuma outra surgiu igual. Bem dizem os que a acompanhavam que nem Mariza nem Mafalda, nenhuma fadista se compara a Amália. Podem ter vida e sucesso e podem ser referência lá fora, mas foi Amália quem lhes deu caminho, foi Amália quem deu ao fado o mérito de ser canção.

A caminho dos 40, eis-me com Amália nas mãos e vontade de escutá-la. Respeito hoje a mulher a quem dei o braço sem pensar mais que de uma velhota se tratava. Vaidosa, fora do tempo, fora de si. E, no entanto, única, como só mais tarde consegui ver. Mas sinto que ainda vou a tempo. Vamos todos.

segunda-feira, agosto 10, 2009

de alma e coração cheios [iii]

Há um post por escrever. Há um fim-de-semana para contar. Praia-concertos-praia-concertos-praia. Podia viver assim. Pelo menos durante mais uma semana. Há gargalhadas intermináveis, há a história de uma ganza que não viu um festival, um telemóvel perdido e a amante de Alcobaça. Há um carro sempre cheio, comigo os miúdos vão sempre atrás, há um desfiar de bandas, canções que marcaram e marcam, conversas longas com os pés dentro de água, vodkas com sumo de morango, marés demasiado cheias e praias sem rede de telemóvel. Há uma pedra no sapato durante o concerto dos Faith No More, saltar muito, voltar a ter dezoito anos, mas só na minha cabeça, porque as costas e as pernas, essas lembraram-me que já não vou para nova, há zero7 em versão demasiado electrónica, uma montanha russa e um cão a querer brincar. Há tudo isso e muito sono. Cansaço bom em todos os músculos. Sobrevivi ao Sudoeste. Adormeço de alma e coração cheio.

segunda-feira, abril 27, 2009

Dias...

Música no CCB. Pelos corredores, sons de piano e teclados de quem nada sabe interpretar. Outros, talentosos, experimentam lentamente o de cauda ou o outro, vertical, e sabem de cor o que lhes canta o ouvido. Encontro um menino de doze doces anos que me diz gostar muito de Rachmaninov. Sorrio. Diz que é por causa de Rap II e Rap III - as mais célebres obras do compositor russo do séc. XIX. Tem um olhar seguro, o rapaz, e as mãos ágeis no piano que toca há seis anos. Mais ao lado, um casal de "jovens" idosos. Ambos de cabelos branquinhos, ela de braço dado com ele, mais baixinha, rabiosque de mais de 80 anos - nunca repararam como se percebe a diferença? - e um olhar atento aos pianos para venda. Conversam. Perguntam. No concerto de Filipe Pinto-Ribeiro, aquele onde o pianista assimila o tema musical BACH (que se traduz em notas musicais, em alemão)vêem-se olhos rendidos, fechados, uma sala cheia. Noutro lado, os contrabaixos dos Carlos - Barreto e Bica - parecem conhecer-se há anos e ali estão, em conversa, alegre, às vezes quase silenciosa. O concerto dura mais do que é previsto porque a plateia gosta. De Bach, sei que teve 20filhos, 7 da primeira, 13 da segunda mulher. Aprendo a compreender. O cravo para o qual compôs, o cravo que no 25 de Abril vejo andar, de um lado para o outro, carregado pelos homens a quem cabe o transporte de instrumentos. E fazem-se filas. Há iô-iôs com Bach gravado na face, concertos para todas as idades, crianças que escutam como se a música já fizesse parte da vida. E faz.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

em modo repeat

segunda-feira, setembro 15, 2008

Diva






domingo, maio 04, 2008

BSB

Consegui os bilhetes à borla. Levei os meus sobrinhos mais velhos - ela de 10, ele de 7 - e uma amiga deles. Depois da típica refeição no McDonalds, o Pavilhão Atlântico. Não vamos ver nada, pensei. Enganei-me. Plateia a menos de metade e bancadas cheias. Bilhetes em pé, para a plateia a meio gás. Os mais velhos encostados às paredes; os mais novos - filhos, irmãos ou sobrinhos - junto ao palco, aos saltos. Os meus mantiveram-se ao meu lado, cá atrás, de onde se via melhor. A amiga era a que mais que mais dançava. Nunca tinha estado no Atlântico! Falámos do concerto que tinham visto dois dias antes: os GNR com a banda da GNR. E agora, ali estavam, à espera de ver aparecer os Backstreet Boys. Alguma cerveja a copo rodava no público, mas também se vendiam pipocas. Comprámos. Depois de um rapper qualquer, lá veio a banda dos quatro (ou cinco? perdi-me...) rapazes, outrora apetecíveis, 15 anos de carreira e alguma energia e estilo próprio. Mudaram de roupa três ou quatro vezes, durante o espectáculo. Os passos ensaiados, os gestos simultâneos, em coreografia. Vimos no you tube, não sabíamos quem eram, disseram-me os meus. E então? O meu pai gosta desta música, confidenciou o mais novo. Gosta? Uma daquelas conhecidas, de outros tempos. Lembrei-me de cinco amigos que chegaram a subir ao palco imitando os "rapazes da rua de trás". Cantavam os hits do momento e faziam o mesmo que eles, mas em gestos descoordenados. Um dia gravaram um vídeo na praia. Risos na sala. Vestidos de fato e gravata, camisa branca, uma autêntica Boys Band da Damaia. Genial! Aqueles eram os verdadeiros. Ri-me outra vez. As miúdas guinchavam por eles. Os pais, cá atrás, encostados. Os meus miúdos quiseram sair mais cedo. Já passava das 11 da noite. Ficaram para trás os aplausos e os gritos. Para a próxima vamos ver o Aznavour. É mais para a idade deles.