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segunda-feira, junho 29, 2009

da magreza ou post-it [para os outros]

Estou a fazer o jantar e a lembrar-me da conversa do RP que encontrei sexta-feira à noite, por entre o fumo dos grelhadores e o cheiro a febras e a sardinha assada. A bem da verdade, a conversa nem foi comigo, foi com a C., mas para o caso vai dar ao mesmo, porque este post anda aqui a rondar há uns tempos. Dizia ele, a propósito da minha pessoa: ‘Está tão magra.’ Agora, repitam comigo: não se diz a uma mulher que está magra ou muito magra da mesma maneira que se tem o pudor de dizer a qualquer mulher ‘estás tão gorda’, acentuando as sílabas e revirando os olhos para que não restem dúvidas. É uma indelicadeza do mesmo tamanho e igualmente desagradável de ouvir. Há pessoas que são naturalmente magras, sem que isso signifique que estão doentes, que não fazem dietas, que comem o que querem e lhes apetece e não engordam. Ganhar peso é tão ou mais difícil do que o perder. Imagino que isso cause inveja, que por sinal é coisa feia, a muito boa gente, mas seria simpático que fizessem um esforço de não nos chamar esqueletos, da mesma maneira que nós, as magras ou muito magras, não andamos a chamar baleia a muito boa gente. Agradecida. E agora vou jantar.

quarta-feira, março 18, 2009

Em estágio

Sem querer parafrasear os meus pais, ou tantas outras pessoas com mais (ou muito mais) de 30 anos, tenho que dizer que "no meu tempo, é que era"... No meu tempo, ser estagiário era estar interessado, empenhado, era gostar e lutar, era fazer, era aceitar, era tentar. Nunca, durante o meu estágio (não remunerado, durante 7 meses, arranjado por mim e não pela minha Universidade que se estava borrifando para pessoas como eu, mesmo sendo estatal) me lembro de ter dito "eu sei", "sim, sim", "pois claro". Nunca. Durante o meu estágio, e conhecendo já bem a redacção onde estava a fazê-lo (já lá tinha trabalhado durante três anos numa função diferente, é uma longa história...) bebia cada palavra dos meus editores e chefes. Lia com atenção os textos dos outros, procurava erros nos meus e aceitava as críticas sem uma qualquer desculpa esfarrapada. Sei que muitos, anteriores a mim, viram folhas rasgadas, lápis partidos, reportagens acabadinhas de escrever deitadas ao lixo. Já não havia disso, quando cheguei ao jornalismo, já lá vão 15 anos. Felizmente. Os estagiários já não eram tratados como lixo, ignorantes e incapazes. Mas havia respeito, noção, bom senso. Por parte da maior parte de nós, estagiários.

Hoje, não. Hoje, saem já sabichões das Universidades, quase sempre a Católica, muitas vezes a Nova ou a UBI. Tanto faz. Perguntam primeiro se podem ler para o microfone, dar a voz na televisão, mostrar a cara lá para casa. E só depois se lembram (lembrarão?) que ainda nem sabem fazer uma pergunta, que não conseguem escrever uma linha, que têm voz de copo de leite e imagem de quem agora nasceu. E não assumem nada disto. Ser estagiário hoje - salvo honrosas excepções - é ter a certeza de que se sabe mais do que é suposto saber-se. Um estagiário de jornalismo não lê uma página de jornal, mas sente que escreveria qualquer artigo em menos de um "ai". Não vê noticiários em nenhum canal, não questiona, mal sabe que em Espanha há um Rei e que por cá já se vê a República desde 1910, mas acredita que já merece um ordenado jeitoso, mais de mil euros, para começar, porque é preciso dinheiro para os copos e para roupinha nova, talvez um maço de tabaco por dia e duas bicas, pelo menos. Ser estagiário, hoje, é ter uma cara laroca e usar decotes generosos para chamar a atenção. É enturmar-se nas festas e tirar fotografias com os mais velhos. É sair cedo, chegar tarde, não acompanhar um trabalho até ao fim. É trocar a redacção por uma festa ou um jantar de um amigo. É não trabalhar ao fim-de-semana nem ao ensolarado feriado. É chegar a casa e dizer à mãe e ao pai "se calhar não é bem isto que eu quero" (agora que já gastaram uma fortuna em propinas), é não fazer mais do que aquilo que lhes é pedido... mesmo que nas entrelinhas haja oportunidades para agarrar.

Fazer um estágio é um exercício de aprendizagem. Partir para tal com a noção de tudo se saber, é a mais errada opção de que consigo lembrar-me.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Yo no creo en brujas

Qual é a probabilidade da gaja que nunca fica doente ter uma paragem de digestão no exacto dia em que tem uma viagem marcada para o outro lado do mundo? Qual é a probabilidade de ser ruim ao ponto de nenhum mal lhe pegar quando trabalha 16 horas por dia durante meses seguidos e desatar a vomitar a duas horas de ir para o aeroporto? De fazer o 'check in' e minutos depois estar a pedir à hospedeira para lhe resgatar a mala que desta vez não vai a lado nenhum? De se contorcer com dores de estômago junto da passadeira das bagagens à espera que lhe devolvam a mala sem ter sequer saído da Portela? Toda. É por isso que desta vez não há quartos com vista, nem postais escritos de parte nenhuma. Apenas uma enorme frustração e a certeza de não acreditar em bruxas, sem dúvidas de que elas existem.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Vetem o Carnaval... e o Magalhães

Por mim pode não existir Carnaval. Em toda a parte do mundo, Brasil incluído. Mas abro aqui uma excepção para Torres Vedras. Não por causa do cortejo e das meninas despidas a tremer de frio, todas com celulite e pele de galinha, que muitas são gordas e não é de palha, e outras têm barriguinhas a cair no biquini, e há as mães orgulhosas à volta delas a dizerem umas às outras "ai a minha Marlene está uma senhora, e já o senhor Quintas da padaria mo tinha dito, mas isto o tempo passa e nós achamos que elas são sempre umas meninas, ora veja lá dona Gorete"; não por causa dos homens mascarados de mulheres, que eles não imaginam o que é ser mulher ou não tentariam ser uma, porque só são mulheres quando não têm que gramar os maridos, e o parto, e a depilação, e os ordenados não equiparados e as outras coisas todas más na condição feminina, porque para eles ser mulher é ter mamas grandes e vestidos bonitos e uma bandolete no cabelo com meias de renda nas pernas, às vezes rotas, as meias; não por causa dos gigantones com o Cavaco e com o Sócrates, eles frente-a-frente e com dizeres do povo "toma lá" e um manguito do Zé, mais a carinha do homem que os aguenta nas costas a aparecer no buraco do botão do colarinho e, quem sabe, uma fotografia da Manuela Ferreira Leite de boca fechada, ou à conversa com o Salazar para combinarem a tal Ditadura de seis meses. Não! É por causa do Magalhães que deve haver Carnaval em Torres! Mas só antes da decisão do Ministério Público, porque agora já não tem graça. Quis o MP proibir a sátira ao Magalhães, pois que tinha uma página com raparigas nuas, ai pois tinha, e a pesquisa do google dizia "mulheres" e toda a gente sabe que o Magalhães não procura mulheres porque, como qualquer empregador que se preze, quer é um homem que não vomite na gravidez, nem tenha de sair mais cedo para ir com o miúdo ao médico, "ai senhor doutor que o menino só chora e não tem daquelas gotas para a barriga, as cor-de-rosa, que isto também pode ser dentes". E o MP sabe que é assim. E miúdas nuas no pequeno ecrã de um computador que é o orgulho nacional? Ainda fazia pesquisa sobre as mulheres que o Presidente condecora todos os anos, e já aí está o 8 de Março, não tarda nada, e o Magalhães ainda punha despida uma cientista desconhecida mas mais importante que o inventor do Prozac, ou uma empresária que não a Bibá Pitta, que essa também tem lá os afazeres dela, ou uma jornalista que chamou a atenção para questões sociais e até sabe escrever e trabalha na redacção de um jornal que um dia disse mal do Magalhães. O carnaval de Torres Vedras pôs em causa toda a dignidade de um País que, felizmente, dá para rir o ano todo. E os próximos cinco, já que a crise continua. E para o ano, o MP há-de proibir as meninas a abanar o rabiosque, porque são todas menores de 18 - já o sabemos - mas como uma é filha do senhor Presidente da Câmara, "ai que grande que ela está, e bonita, sim, e bonita, que a miúda faz-se", pois a catraia do Presidente tem direito ao Carnaval, desde que não mencione, nem escreva, no Magalhães. E por tudo isto, odeio o Carnaval.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

tragam-me a metralhadora

Eu, romântica incurável, que derrete com mensagens pirosas como “o que não é normal é tu existires, porque os sonhos não tem realização material”, que viu dezenas de vezes o ‘Sleepless in Seattle’ e outros tantos filmes de argumentos lamechas com a Meg Ryan, que ainda este domingo reviu o ‘depois do amanhecer’, que verte lágrimas no cinema sem grandes pudores e que adora finais felizes, jantares à luz das velas, banhos de espuma, a acompanhar com um bom vinho, eu romântica incurável confesso que odeio, com todas as letras a capitular, o dia dos namorados. Sim. Tenho um problema com ursinhos e coraçõezinhos e todos os ‘inhos’ possíveis, mas odeio acima de tudo a massificação do sentimento, da banalização das datas, da obrigatoriedade de estar a dois e de mostrar ao mundo quanto se amam os pombinhos, mesmo que seja por um único dia em 365, que nos resto do ano ela ponha maquilhagem para esconder as nódoas negras e ele se arraste no trabalho para chegar a casa o mais tarde possível. Nada disso conta a 14 de Fevereiro, o que interessa é ter namorado e não sair da linha. Para não parecer anormal.E juro que pego na metralhadora ao próximo email/press release a lembrar a bela da data.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

As minhas cuecas de Los Angeles

5 pares por 25 dólares e ainda ofereceram o cãozinho de pano. Tudo na Victoria's Secret. E porque a British Airways fez o favor de perder a minha mala em Londres. Valeu-me o cheque de 72 dólares para recuperar a higiene pessoal.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

dias de chuva

É oficial. Preciso de me embebedar até cair.

[adenda: de preferência com shots de tequilha]

sábado, janeiro 24, 2009

Freeport

E ninguém fala dos saldos maravilhosos? Do estacionamento gratuito? Da saia que comprei a 10 euros na Purification Garcia. E nos casacos da Adolfo Dominguez? Disso ninguém fala, não é?

sexta-feira, janeiro 23, 2009

My left foot

Comprei umas botas a 29.90 euros nos saldos. Cheguei a casa e quis calçá-las, dois dias depois. Tiro do saco uma, depois a outra. Ambas para o pé direito. Resultado do preço? Ou da incompetência da empregada da loja do Centro Comercial?

terça-feira, janeiro 20, 2009

Aluga-se

Respirei da alívio quando finalmente pude subir à avenida sem me sentir violada pelas bolas gigantescas que, com o patrocínio de uma marca de telemóveis, transformaram o Marquês, num recinto de feira. Ou quando deixei de ver a bandeira norte-americana plasmada na árvore de natal no topo do Parque Eduardo VII, patrocinado por outra empresa qualquer. Durou pouco a ausência de poluição visual. Hoje, e presumo que durante o resto da semana, o Marquês está de novo alugado. O Marquês, os Restauradores, o Saldanha. Só para falar das praças que vi. Pergunto-me se o António Costa também aluga o seu gabinete ou o jardim lá de casa.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Câmara Oculta

Questiono-me porque pode uma jornalista de desporto ser candidata a Presidente de Câmara? E porque pode um ex-Inspector da PJ, alegadamente "especialista em Maddie" ser, também, candidato a Presidente de Câmara? E ainda: porque pode um ex-jornalista, comentador em programas para idosos e donas-de-casa, ser candidato a uma Câmara Municipal?
Haverá uma verdade oculta, nas Câmaras do nosso País?
Ou serão tão maus, os políticos, que qualquer dia tiramos cursos de medicina se queremos ser Presidentes da República?

terça-feira, janeiro 06, 2009

futilidades

uma mulher percebe que precisa de uma máquina de secar quando ir apanhar a roupa se transforma numa expedição ao Alasca

percebe que precisa de dormir quando liga o ferro de engomar e só dez minutos e três verificações de temperatura depois vê que ligou a torradeira invés do ferro de engomar

que precisa de novos horários - uma mulher a dias interna também serve - quando se senta para jantar à meia noite.

terça-feira, dezembro 30, 2008

sofrimento em formato mensal [v]

e pode dizer-se asneiras em blogs de família?

domingo, dezembro 28, 2008

Crise

Nos dias que antecederam o Natal, os portugueses gastaram, média/hora, 7 milhões de euros. Eu nem sabia que havia quantias tão altas...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Pecado

O Padre chama-me à parte. Estado civil? - pergunta. Sei que sabe o que sou. Confirmo. Digo-o em voz alta no interior da sacristia e tudo me parece gelado, a batina que ele então despe, os paramentos que retira devagar, o olhar cravado no meu. E estás a resolver isso? - nova pergunta. Que sim, que tenho namorado, que - quem sabe - casarei outra vez. Não, não será a mesma coisa, perante a Igreja, mas ainda assim quero-o. Volta à carga: E porque não anular o anterior casamento? - terceira pergunta, de rajada. Não. Laconicamente respondo. O aviso: e sabes as regras da Igreja? Sei, não sei eu outra coisa. Gosto de ti na mesma, remata. E penso se será verdade. E penso que a Igreja nunca aceitará o meu divórcio, concluo que não vale a pena insistir, eles que preferem que minta a manter a minha integridade. Tudo por uma imagem. Saio da sacristia a pensar no que nunca terei ousado dizer: que se lixe a Igreja dos homens!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O exagero

Dizerem, de Lili Caneças, que é uma actriz!

quinta-feira, novembro 27, 2008

invejosos

Daqui se conclui que os benfiquistas não podem ver nada.