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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Uma mulher sabe que está velha

Uma mulher sabe que está velha quando nas duas horas seguintes a ter saído do emprego:
1)Vai à farmácia comprar shampoo
2)Vai à costureira buscar o casaco que precisava de um corte nas mangas
3)Vai ao supermercado comprar sal e chá e sai de lá com bacalhau à Braz congelado e flores
4)Vai à tinturaria levantar a sweater do marido que não pode ser lavada na máquina
5)Vai ao sapateiro pedir que arranje a asa da mala que se descolou
6)Vai ao multibanco levantar dinheiro para pagar à empregada
7)Vai ao quiosque dos autocarros comprar senhas para a mesma empregada
8)Vai à papelaria para comprar envelopes para o dinheiro da empregada e o recibo do segundo emprego
9)Vai aos correios enviar o recido do segundo emprego
10)Vai para casa carregada de sacos a desejar sentar-se no sofá para ver o Patrick Dempsey

Beira-rio

As nuvens parecem correr em fast forward, empurradas vertiginosamente pelo magnetismo da água apressada no rio que sobrevoam.
A cortar o horizonte está um bloco de betão e umas aranhas de ferro recebem os raios amarelo-ferrugem que rasgam um pouco o algodão que se move hoje com estranha pressa.
Duas asas desafiam o movimento no sentido inverso a esta corrida de fim-de-tarde.
O sol vai baixando e ofusca-me com o brilho triplicado pelo vidro por onde chega.
Cesária começa a falar desse caminho longo que deixa saudade.
O perfume das folhas negras do Ceilão aguarda dentro da porcelana que o liberte.
Faço-lhe a vontade e tento abstrair-me do palreio em volta.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Um conde visionário ou a história de Serralves


O segundo Conde Vizela, Carlos Alberto Cabral (1895-1968), para além de ter sido um grande industrial, foi um homem culto e viajado que procurou aos mais renomados artistas do seu tempo para construir, mobilar e decorar a Casa de Serralves.

Entre eles, destaca-se o francês Émile Jacques Ruhlmann, um famoso decorador ao qual recorreu após visitar a Exposição Internacional de Artes Decorativas que teve lugar em Paris, em 1925.

A casa começou a ser construída nesse ano e os trabalhos terminaram só em 1944. Foi "um projecto ambicioso", que o conde conseguiu concretizar ao mesmo tempo que geria a Fábrica de Fiação e Tecidos do Vizela, uma das maiores do seu tempo.

A construção encontra-se amplamente documentada através da correspondência que o Conde Vizela e Ruhlmann mantiveram entre 1926 e 1939, "por vezes quase diária", segundo referiu o director do Museu de Serralves, João Fernandes.

"Tudo vinha de Paris", salientou João Fernandes, observando, no entanto, que "o Conde Vizela é o grande autor da Casa de Serralves", mas com Ruhlmann por trás.

Eurico Cabral ainda se lembra bem do tio, da casa que ele teve em Biarritz, França, e de como Serralves foi o seu "primeiro choque cultural", quando pela primeira vez lá entrou, em 1947.

"O meu tio reuniu praticamente toda a família aqui, quando inaugurou a casa", recorda ainda. Segundo conta, o segundo Conde de Vizela era homem de poucas falas, "sempre muito sério e que vivia muito isolado, sobretudo aqui em Portugal".

Tudo mudava quando se encontrava em Biarritz. "Ia às compras ao mercado, andava sempre sem gravata, coisa que nunca vi aqui, vestido com casacos desportivos, e ia à praia", conta Eurico Cabral, que guardou este acervo "em caixotes" porque se mudou há pouco tempo para Lisboa.

A Fundação de Serralves pretende "pôr à disposição do país" este acervo, de que também fazem parte fotografias tiradas pelo célebre Domingos Alvão, de modo a poderem ser consultado e sobretudo integrado numa "grande exposição" que vai fazer sobre a Casa de Serralves a partir de Julho deste ano.

A exposição integra-se no programa de comemorações dos 20 anos da criação da própria Fundação de Serralves. A propriedade onde se encontram a Casa e o Museu de Serralves foi depois comprada, em 1957, por Delfim Ferreira, Conde Riba d' Ave, a quem se deve a preservação deste património. Em 1986, o Estado português comprou-a.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Caminho junto ao mar

"A vida é o que acontece enquanto recordamos o passado e projectamos o futuro". (Acho que foi um Beatle que disse isto. Um dos que já morreram).

Faz frio, mas o sol espreita e dá algum brilho ao mar encrespado. No caminho acimentado que o ladeia, desfila um cortejo variado. Alguns diálogos, poucos risos, muitos olhares perdidos. Um casal de meia-idade, de polar e cachecol, ombro com ombro, sem palavra. Um colosso de músculo, de óculos espelhados e camisa de cavas a transpirar as estopinhas. As crianças almofadadas nos joelhos, nos cotovelos, na cabeça, em tons rosa choque ou cinzento, empoleiradas na bicicleta, nos patins, no skate e outros meios de locomoção com pequenas rodas. As amigas pós-aborrecentes de umbigo à mostra e mp3 que falam alto. O velhote de boina, meias brancas e blaser de xadrez que sorri às senhoras de xaile e cabelos brancos. Os namorados de longa data, os de primeiras descobertas e os outros. E ainda os que não passam mas ficam, encostados às canas que vasculham o mar. E os outros que não ficam mas passam, encavalitados nas ondas que desfazem com uma tábua lustrosa. E os representantes do reino animal: os cães em terra e as gaivotas no mar.
Eles e eu, neste início de ano, a recordar o passado. Ou a projectar o futuro. Antes que comece o presente. Quando a vida acontece.

2009 IV

Em 2009 vou manter o peso, depois dos cinco quilos que perdi. Vou ao ginásio três vezes por semana e fazer caminhadas outras duas. Vou comer menos doces e beber mais água. Vai ser o ano de arrumar o escritório, deitando fora milhares de páginas de papel amarelecido. Vou escrever sinopses de documentários e começar a filmar pelo menos um deles. Vou passar da 20ª linha da história que comecei a escrever. Vou estudar francês e espanhol e pensar numa pós-degradação ou amestrado. Vou conhecer pessoas novas e vou ver mais as pessoas que já conheço. Vou ser mais poupada. Vou tentar ganhar mais dinheiro. Vou continuar a ir a espectáculos e a fazer shiatsu. Seria bom poder ir a mais spas e viajar até ao Oriente. Talvez voltar a Nova Iorque. Vou brincar com os meus sobrinhos, treinando para os meus filhos. Vou amar mais. Vou escrever mais nesta cidade virtual. Será?

terça-feira, maio 27, 2008

Viagem no tempo







Depois de 50 anos de ditadura entrámos num clube de ricos que nos ajudou a minorar o que já pareciam séculos de atraso. Mas no velho continente ainda há milhões à espera desse salto em frente. Como na Geórgia, onde os "inimigos" do regresso ao berço europeu estão apenas do outro lado das magníficas montanhas do Cáucaso. (Embora ainda haja catinhos em Portugal onde estas imagens não destoam).

quarta-feira, maio 07, 2008

Boas vindas

Quando me vê chegar os olhos amendoados ficam mais rasgados, a boquinha abre um sorriso doce, as mãos erguem-se. Apalpa o território que é o meu rosto para depois o lambuzar. "És tu", parece dizer quando puxa o cabelo e sorve o aroma da minha pele. Faz uma careta, emite um som esganiçado e volta a sorrir. Enrola-se à volta do meu pescoço, volta a olhar-me, encosta-se ao meu peito. Sinto a confiança, o carinho, a inocência.

Quando me vê chegar os olhos amendoados ficam maiores, o sorriso é franco, os braços abrem-se em arco. Aperta-me o pescoço e esconde-se entre os meus cabelos. "Olá!!!", grita quando enrola as pernas à volta da minha cintura. Dá-me um beijo e pede-me para brincar. Sinto a confiança, o carinho, a inocência.

Ele tem oito meses, ela tem cinco cinco anos e dão-me as melhores boas vindas do mundo. Têm o condão de com elas tornarem o meu dia muito mais feliz.

terça-feira, setembro 11, 2007

10 de Setembro, 14h18, 3870 kgs

Passamos minutos intermináveis a olhar, prendendo a respiração, falando em tom delicodoce, tocando ao de leve no lençol. De repente um som estridente inunda o quarto e um minuto de carícias depois cai o silêncio profundo. Passaram só algumas horas mas o amor começa a desmultiplicar-se em catadupa cá dentro. Foi assim, nos primeiros momentos que partilhei com o Tiago. O meu sobrinho é lindo e a sua vida resume-se por enquanto ao que está no título. Mas vai trazer-nos longos anos de alegrias. Disso não há dúvida.

P.S.-A C. é uma mãe e pêras, não fosse ela minha mana!

Arrumações

Eu já tinha lido em qualquer revista feminina, ou visto num programa da Oprah, que se pode aferir muito do nosso interior pela forma como organizamos (ou não!, no caso) os milhentos pormenores da nossa rotina. Achei que era mais uma daquelas metáforas que alguém laboriosamente produz numa redacção onde se publica uma vez por mês ou há 20 produtoras de conteúdos. Mas não são só pérolas da psicologia "de trazer por casa". Notei uma real coincidência, por estes dias, entre a dificuldade em pôr ordem na minha cabeça e na minha secretária (e bagagem do carro, e mesa da cozinha, e armários de roupa, e....uff). Já peguei vezes sem conta em caneta e papel para elaborar daquelas listinhas ordenadas do "a fazer", tanto em matérias de sacos de revistas, camisolas que não uso e embalagens fora de prazo; como com os passos seguintes para a minha vida a muito curto prazo. Claro que tinha a desculpa da falta de tempo para o primeiro caso e de falta de informação para o segundo. Mas não é verdade. Perco algumas horas preciosas em frente ao AXN e Fox e já tenho dados mais do que suficientes sobre o que é expectável para os próximos meses, a nível pessoal e profissional. Mesmo assim, vou adiando as arrumações. Algum dia ainda me caem as revistas no chão ou os sentimentos aos pés. Espero que me venha a fúria das limpezas de Primavera (interna e exterior) antes da dita estação do ano!

quarta-feira, julho 04, 2007

Amanhã na Dinamarca



Uma Casa da Ópera de "luxo", pela simplicidade das linhas de uma infra-estrutura que pode albergar mais de 1500 pessoas, equipada com tecnologia de ponta. Gerações vindouras vão agradecer para sempre ao armador e empresário petrolífero de 92 anos que deixou este tesouro de mais de 3 mil milhões de euros à sua cidade.

Hoje na Dinamarca





Preserva-se e acarinha-se o legado arquitectónico e cultural do povo e dos seus mecenas.

Ontem na Dinamarca




Há mais de um século que, numa linda praça, um português abriu o Café à Porta, na doce Copenhaga. Um tempo em que ainda deixávamos esta marcas de bom gosto.

sexta-feira, junho 15, 2007

Do passado, presente e futuro

Acho que foi o John Lennon (perdoem-me os grandes fãs se estiver enganada) que disse qualquer coisa como: "A vida é aquilo que acontece enquanto recordamos o passado e nos preocupamos com o futuro". As palavras exactas não seriam estas, mas o que interessa é o espírito do "dito". Eu concordo, mas tenho o problema de não conseguir desligar esse fluxo torrencial de pensamento enredado no diálogo entre o que já passou e o que ainda virá. Coisa cansativa e melindrosa esta de reflectir sobre um e perspectivar o outro, esquecendo-se o que está de permeio! Já agora cito mais alguns destes "ditos" - que li num site qualquer sobre emagrecimento e força de vontade - e que me fizeram sorrir. São uma espécie de manual para ansiosos e insatisfeitos (como eu) que deixo ao dispôr.

A) "Felicidade não é ter o que você quer, é querer o que você tem", sentencia Spencer Johnson.
B) "Não se deve lutar por ter sucesso na vida, mas por ter significado na vida de alguém", acho que foi a Oprah.
C)"Somos human beings, não somos human doings", não me lembro do autor.

PS- Samantha desfruta os sons, cheiros e sabores cariocas com a cara metade. Há-de voltar radiosa, em versão mel: no tom da pele, no dengue dos gestos, no doce das palavras. Viva o Rio e viva o Panda!

terça-feira, junho 12, 2007

A expressão física da angústia

Hoje tive um dos piores ataques de angústia de que me lembro. Normalmente vem na forma de um vazio que é preciso preencher. Desta vez, optei por engolir uma fatia de tarte de amêndoa num minuto. Como nunca antes, experimentei as consequências: estômago inchado e uma tremenda dor de cabeça. O arrependimento agravou a coisa. Telefonei ao meu marido: "Estou cheia de angústia". Respondeu-me: «Não estejas. És linda». E como por artes mágicas, simplesmente, o buraco evaporou-se. Por agora, porque sei que há-de voltar. Quando acontecer, vou ter mais razões para o combater. A existência de quem me disse aquela simples e revolucionária frase é uma delas.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

A Charlotte casou-se... e depois foi o Natal

Casar a 9 de Dezembro, trabalhando numa empresa que nos faz optar por uma semana de descanso no Natal ou no Ano Novo, estava bom de ver. A lua-de-mel foi adiada para Janeiro e os dias pós-noite de núpcias (no delicicoso Hotel Palácio Seteais) foram passados entre lojas nos breves intervalos das horas de labuta profissional. Neste primeiro dia de férias (que se prolongarão por três santas semanas) aproveito para dizer que as minhas damas de honra (não as pequeninas sobrinhas que entraram à minha frente, mas as três fabulosas co-autoras deste blog) estavam lindas de morrer e, queridas como são, fizeram-me sentir ainda mais linda de matar! Obrigada pelas palavras neste blog, mas sobretudo pelas que me disseram junto à face naquele dia.
Quanto ao Natal, apesar da correria e do trabalho, passou-se bem, numa consoada apenas com o maridinho e com o almoço no dia seguinte com os meus pais. E as palavras de felicidade da minha afilhada ao telefone, bem longe, a dizer que o Pai Natal lhe trouxe a "mala das doutoras" para tratar do Nenuco. E que me dava muitos beijinhos no dia seguinte. Ainda ontem me disse, assim de repente, que o meu casamento foi muito bonito. Doces 4 anos, há lá melhor prenda de Natal?!?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Dor, incredulidade, saudade

A notícia da morte de alguém que me é próximo já me acompanha desde os 14 anos. Foi precisamente no dia desse meu aniversário que tive consciência de que tudo está preso por fios e que, quando se partem, provocam uma dor enorme e uma saudade que não se apaga. Mas nunca a perda de alguém me tinha causado uma dor tão intensa, não só emocionalmente falando, mas sobretudo do ponto de vista físico. Todo o meu corpo se enrodilhou num nó, o estômago estava em chamas, os músculos doridos de tão tensos. Penso que, com a partida abrupta da minha querida Zé, tive, pela primeira vez, a consciência da minha própria morte. E dei-me conta de que sou tantas vezes egoísta e insensível com as pequenas coisas do dia-a-dia, magoando as pessoas por nada, queixando-me sem ter razão. A Zé era o sorriso mais doce que eu conhecia, mesmo sabendo eu que passou por grandes perdas e algumas duras mágoas. Mas mantinha o sorriso doce, o olhar límpido, a voz afável de quando a conheci há 15 anos na Universidade. Houve depois um tempo em que nos encontrávamos amiúde profissionalmente e depois veio um tempo em que a distância se instalou. Agora partiu para sempre e ainda não o consigo aceitar. Dizem-me que é a fase da negação. Não sei. Sei que espero de Deus algum conforto e que aprenda a honrar a vida e tudo o que ela tem de bom, mesmo nas coisas mais singelas, como fazia a minha querida Zé. Que Deus a guarde em paz, que eu a guardarei no meu coração, sempre.

terça-feira, agosto 22, 2006

Experiência

O importante é gostar, mesmo que se tenha medo. O medo não importa nada, o medo faz parte e não se deve desprezar. Aliás, só se está inteiro quando se aceita esse medo, essa irrazoabilidade. O ideal é não deixar nunca o medo, o cansaço, a fragilidade para trás. Porque isso leva a que se acabe por dar demais, a estar sempre pronto, a nunca dizer não. Com enorme custo, com o desgaste que essa prontidão implica. Por isso, há que gostar e ter medo. Aproveitar o balanço do gostar e entregar para Deus o medo. Faz-se o melhor que se pode, se sabe e se quer. E aprende-se com isso.

quinta-feira, julho 20, 2006

O tempo tem....

/O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem; e o tempo respondeu ao tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem./
Houve alguém que me ensinou isto na minha meninice, mas embora seja um bom destravador de língua, não é lá muito verdadeiro. A elasticidade do tempo é algo inversamente proporcional aos meus estados de espírito. É só eu estar com ganas de fazer uma data de coisas, para nesse dia não ter tempo para nada. Depois vêm os momentos mortos, que podiam ser preenchidos com milhentos escritos, telefonemas, cozinhados e caminhadas, e não há há pachorra nem para mexer o dedo mindinho. A este propósito, no outro dia, assustei-me com o meu horóscopo (sim, lembram-se que um dos meus posts - que se conta pelos dedos da mão - foi sobre isso) e suas previsões. Dizia que por causa de um acontecimento inesperado eu ia passar a dar importância a cada minuto da minha vida. Fiquei um bocado em pânico, porque pensei logo numa desgraça. Espero que o cosmos não me reserve nada assim tão grave. Eu prometo fazer um esforço para melhor usar o tempo que o tempo.

quarta-feira, julho 12, 2006

Dias de remanso

Dias de vento, de sol envergonhado, de caminhadas e de muita leitura. Camarões, atum, bacalhau, salmão e outros frutos do mar. Noites bem dormidas. Conversas gostosas. Um certo alheamento do mundo que a tecnologia nos despeja quotidianamente. São dias que correm doce, leve, suavemente. Alguns só na companhia dos meus botões, com quem converso distraidamente. Notas num caderno a preparar um regresso para os planos que sempre venho adiando. Promessas de novas rotinas, de maior cultivo das amizades. Estas quatro semanas de férias permitem cumprir mais uma das etapas do calendário (com o aniversário e a passagem de ano) em que me reinvento e penso que se abre mais uma página em branco. Para começar tudo de novo, melhor, sem medos. Como o mar, que parece ser sempre o mesmo mas que sempre se renova em cada onda, eu procuro refrescar-me interiormente, sabendo que no fundo há muita coisa que é de natureza permanente. Não há volta a dar: adoro balanços. O deve e o haver deste trimestre não é muito equilibrado mas no Verão o azul e o dourado dão-me alento. Ainda estou em pause e rewind, mas em breve será tempo de voltar ao play. Até lá, vou aproveitando os dias de remanso.

sexta-feira, abril 14, 2006

E para um assunto completamente diferente...

Já disse várias vezes que gosto de revistas femininas. Não estas publicações a imitar uma "Maria" ou "Crónica" mais sofisticadas, mas aquelas que, além de me colocarem a par das últimas modas em roupa, maquilhagem e acessórios, têm algumas reportagens, artigos e entrevistas interessantes e, sobretudo, fotografias belíssimas (para descansar os olhos). Eu, aliás, leio tudo o que é revista (o que me tira tempo precioso para os livros, mas que fazer!) num vício que se reparte pelas que são suplementos dos jornais, as de informação generalista, as de viagens, as minhas adoradas National Geographic e GEO, e por aí fora com alguns exemplares estrangeiros.
Mas vinha tudo isto, a propósito de uma crónica do Luís Fernando Veríssimo no Expresso (já li o livro que compila as crónicas e é delicioso sobre estes lugares comuns da nossa vida moderna). Com o título "Teste", dizia o marido para a mulher:

"É por isso que eu não gosto de revistas femininas. Não têm o menor interesse em homem, a não ser como objecto sexual. São feitas por mulheres para mulheres. E o que é que mulher mais gosta de ler, ouvir e ver? Outras mulheres. Alguém já viu um homem na capa de uma revista feminina? Nunca. É tudo narcisismo. Delas para elas. Até os testes".

O teste, está bem de ver, é daqueles sobre como reagiria a sua "cara metade" se a)b)c)d). Atrevo-me a ver nestas declarações do cronista um alter-ego ofendido. Ora eu recordo-vos do post da "fofa da capa". Não são também mulheres as que aparecem na capa das revistas masculinas? Porque é que eles (sim, são homens que as escrevem!) não escolhem homens para as capas? Objecto sexual? O que é que nós fomos durante toda a história da Humanidade? Ora façam-me um favor e deixem-nos com o nosso "narcisismo", que o vosso já nos dá muito que fazer há séculos!