terça-feira, março 21, 2006

No Dia da Poesia

Eu, que não a aprecio, roubei um texto a um amigo, que também é namorado, que também é jornalista... e que hoje escreveu isto, para publicar na 'caixa'.


"O Poeta é um fingidor.
Finge tão completamente,
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente".

Sabe-se com segurança que as estrofes são de Pessoa. O Fernando que era poeta e que tinha vários nomes. Com menos segurança se sabe se o poeta finge, realmente e, a ser verdade, o que finge. Portugal, rectângulo salgado pelo Atlântico, é há oito séculos país... e sempre foi de poetas. Populares como Aleixo, eruditos como Camões, pragmáticos como Gedeão, contemporâneos como Eugénio de Andrade, inconformados como Ary dos Santos, revolucionários como Manuel Alegre.

(...)

Não se sabe também se a Literatura afasta os Portugueses, ou se são os Portugueses que se afastam da Literatura. A verdade é tão mais... verdadeira quanto se fala, de menos, em Poesia. Coisa erudita, dirão uns, inantingível, acusarão outros, inútil rotularão os menos atentos. Porque se o não fossem talvez entendessem que um verso, uma estrofe, uma redondilha, uma rima, uma quadra, não são conceitos de escola, são apenas modos diferentes de ver o que se vê, de dizer o que se diz.

(...)

E assim Portugal pode ser de poetas. Todos dias. Desde que o queiramos. Os livros estão aí, e com eles os autores. Todos os autores; e as palavras deles. Por vezes só faltamos nós. E aquilo que de nós disse Natália Correia:

"Ó subalimentados do sonho.
A poesia é para se comer".

3 comentários:

Carrie disse...

Este gajo é bom!!!!

Leão da Lezíria disse...

Esse gajo tem toda a pinta de gostar de whiskey. Irlandês.

kiss me disse...

O teu mais-que-tudo escreve bem comó caraças! Concordo com o que ele diz. Acho que muitas vezes a análise que somos obrigados afazer nas aulas (e eu que o diga que tirei o curso de Línguas e Literaturas Modernas) só causa a desmotivação dos jovens para a poesia... Felizmente ainda há quem goste!