quarta-feira, fevereiro 13, 2008

afectos [xvi]

"Gosto de ti porque tens coisas que mais ninguém tem. Como ir à cozinha comer às quatro da manhã e voltar para a cama com a maior naturalidade."

terça-feira, fevereiro 12, 2008

as clementinas

Há os hipermercados, os supermercados, as mercearias de bairro. E depois há o cesto a secção x do pasquim. Numa equipa só de mulheres não há grande preocupação com a linha. E as idas ao supermercado resultam em olhares de viés. Diagnóstico médico feito à pressão pelas meninas da caixa. Ou a dúvida entre a bulimia ou a anorexia numa figura de 50 quilos de peso. Gigantescas bolachas de chocolate. Tarteletes de morango. Chocolate de caramelo. Férrero Roche. Tudo serve para encher o cesto da S.. Também já se comeram tremoços às 11 da manhã. Somos a mercearia de um jornal inteiro. Do director aos estagiários. A outra S. acabada de chegar, sentada na mesa da minha eterna estagiária, diz que comemos muito. Também falamos muito. E rimos desbragadamente. A verdade é que existe o receio latente de que possa acontecer qualquer espécie de cataclismo que nos impeça de sair da sala. Armazenamos comida como na iminência de uma III Guerra Mundial. Hoje tenho clementinas em cima da secretária. Estranhamente ninguém lhes tocou…

cores de barcelona






































[La Boqueria, Barcelona, Janeiro 2008]

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

venha o livro e o filho


A minha primeira árvore. Uma oliveira. Vai receber-me todos os dias ao chegar a casa.

o meu projecto

Ainda não é um jardim. É apenas um projecto. De girassóis e margaridas. Com salsa e coentros para apanhar a meio dos cozinhados. Com dois abacateiros vindos de São Tomé. Com a promessa de pequenos-almoços prolongados numa esplanada improvisada. O grelhador já posicionado. Lanternas vermelhas para dar cor as noites que se vão querer quentes. É o meu jardim. Construído do nada. Um terreno atacado por ervas daninhas. Muitas horas [literalmente] de enxada na mão. A descoberta de novos músculos [muito pior do que muitas horas de ginásio]. A ajuda preciosa da A. e do meu pai. Incansáveis. Mas é ainda um projecto. Faltam nascer os girassóis plantados pelo G. “Quando chove para as minhas sementes crescerem?” Faltam as margaridas do F.. Os malmequeres que hão-de vir da serra. Falta-lhe verde. Faltam conversas. Gente à volta do churrasco. Conversas e risos. Então será um verdadeiro jardim.

sábado, fevereiro 02, 2008

Sabores

A paella do Solar dos Presuntos é a melhor de Lisboa! (mas custa-me ter de comer na sala para fumadores que, por causa da lei, está cheia deles, e há mais fumo do que nunca).

quinta-feira, janeiro 31, 2008

The West Wing

Temos visto vários episódios de Os Homens do Presidente. À média de 3 por noite. Jantamos, e juntamos trapinhos no sofá, luz apagada, mantas sobre o peito, pernas elevadas, comandos na mão. Já foram editadas as sete séries que passaram na TV, escritas por um judeu. E cada episódio é genial! Gosto particularmente de Josh, um dos assessores do Presidente. É bem-disposto, trabalhador, sério e humano. Conta histórias e inventa outras, perde-se com a assistente que o adora e que ele respeita, é amigo do seu amigo, e um grande actor. Também gosto de Martin Sheen, o próprio Presidente, Democrata, sempre acompanhado pelo humilde e competente assistente Charlie...

... e ele está à minha espera para começarmos a ver mais um episódio. Falarei sobre isto mais tarde.

Dia D

Hoje foi dia de aumentos. A decepção percorreu os corredores. Não me queixei.

terça-feira, janeiro 29, 2008

adolescência

Nunca ninguém tinha gritado o seu nome no meio da rua. Uma versão urbana do 'oh elsa'. A voz rouca alongando as sílabas. Uma e outra vez. Ela repete a história as amigas e ri como uma adolescente.

Desabafo

Quero uma lipoaspiração!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Regresso ao trabalho

As segundas-feiras já são o que são. E para mim são sempre desastrosas. À moda do Garfield, 'I hate mondays'. Mesmo! Mas uma segunda-feira após duas semanas de folga é obra. E uma segunda-feira, após duas semanas de folga, que corre mal, é ainda pior.

Irritam-me as incompetências mas irrita-me ainda mais que as pessoas não assumam os erros, a culpa, a responsabilidade. E se fico prejudicada com isso, então, fico fora de mim. Hoje foi um desses dias em que tive de arcar com as culpas de outros e, para não incriminá-los, tive de saber receber a crítica, defender-me comedidamente, e não explodir. É chato. Não gosto.

Que mais posso dizer? Amanhã é terça.

Parti o porquinho...

... e comprei dois bilhetes de 70 euros para o Charles Aznavour.

Estatuto

Os meus vizinhos têm todos Audis e BMWs. Mas o meu Peugeot 307 cabe melhor na garagem.

sábado, janeiro 26, 2008

Mordomias

Porque é que a coca-cola sabe melhor numa esplanada, se tenho, no frigorífico, várias latas e, no congelador, tanto gelo?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Contagem decrescente

Daqui a dois dias volto à redacção, às duas reuniões por dia, a ouvir chamar por mim de 5 em 5 segundos; volto a comer na porcaria do bar, volto a chegar cansada a casa, e tarde, volto a ter preocupações nocturnas, e gente para aturar, muitos telefonemas para atender, centenas de e-mails para ler, respostas urgentes a dar, pedidos a fazer; volto a coordenar uma equipa, a decidir alinhamentos, a gerir programas, a decidir reportagens, a definir estratégias, a olhar atentamente para as audiências, a irritar-me, a zangar-me, a morder o lábio de raiva, a calar-me por estar vencida. Daqui a dois dias acabam as minhas férias. E eu não me importo.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Orçamento

Não sei como vivem os que vivem com o salário mínimo nacional, que têm filhos, que até conseguem juntar meia dúzia de tostões ao fim do mês. Não sei como vivem as famílias numerosas, pai e mãe a sustentar uma série de crianças, e ainda dá para cada uma ter uma actividade extra-curricular. E como vivem os que têm uma casa paga ao banco e ganham muito menos que eu e nunca se queixam e limitam-se a ser organizados e poupados, e na organização deles são muito melhores que eu. Chego ao fim do mês (fim???) na penúria, contas extra, saldo negativo, ordenado a rebentar. Mês após mês é assim. A casa, o empréstimo, a luz, o gás, o gasóleo e o seguro do carro; mais o médico e os medicamentos, a tv cabo e a internet, a empregada uma vez por semana e o ginásio aonde não ponho os pés. E ainda ponho de lado para um PPR. Pois, e porque não anulas o ginásio? Não despedes a empregada? Não vês apenas os canais generalistas e não usas a internet do trabalho? Sim, anulo o ginásio, mas não posso deixar de ter uma empregada que, todas as semanas, me tira um peso de cima e faz com que os meus fins-de-semana pareçam mesmo fins-de-semana; e não posso ter só os generalistas ou nem saberei como é o canal para o qual também trabalho, e como passar sem internet se não escrevo no blog senão em casa? Mordomias. Pois. Então, como poupar? O dinheiro voa para os restaurantes onde janto todos os dias, às vezes à borla, outras vezes não. E os pequenos-almoços fora de casa, ainda que não almoce, e o lanche a meio da tarde, mas eu tenho de comer, e que tal cozinhar em casa, mas eu chego tão tarde, mas deixa feito de véspera, mas custa-me jantar sozinha. Então janta fora, mas vai a lugares baratos e não pagues as contas de luxo do Solar dos Presuntos, ou do Las Brasitas, ou ainda do Piazza di Mare. mas eu não pago essas. Só as mais baratas, mas um jantar na Cervejeira, para dois, custa mais de 30 euros, e só como um bitoque e bebo uma cola de pressão, nem sequer como pão e queijinho. Mordomias. Há por aí restaurantes com pratos mais baratos. E viajar, é preciso viajar, ir de férias para fora, estrangeiro, não podes acampar, usar uma casa dos pais, fazer férias cá dentro? Mas se não viajo não conheço, não evoluo, não vejo; e a casa é sempre partilhada e fica mais barato, e acampar eu não me importo mas não arranjo quem o faça comigo. Eu não sei como vivem as pessoas com salário mínimo, mas imagino que essas pessoas, ainda não foram a Barcelona este mês, não comeram fora de casa este mês, não fizeram compras fora dos saldos e as que fizeram foram bem (co)medidas; essas pessoas não pagam um gínásio aonde não vão, bebem o leite de manhã em casa, não fazem lanches a meio do dia, não compraram livros, nem dvds, nem usaram a internet, e não costumam ver a Fox. Essas pessoas podem não ter tudo o que eu tenho, mas também não têm dívidas e noites mal dormidas com a consciência pesada. Porque leve está a carteira. Preciso de um aumento ou de um gestor pessoal!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Medos

Teremos todos um medo, qualquer um, nem sempre o desvendamos, nem sempre o partilhamos, mas todos teremos um medo. Eu tenho medo de não ultrapassar, de não vencer este medo que se instalou há 4 anos; o P. tem medo de voar e não fomos a Las Vegas porque sentiu um aperto no coração. Há quem tenha medo de estar doente, de andar de barco, de andar de elevador; há quem tenha medo de encarar uma câmara, quem tenha medo do patrão, do marido, medo de errar. O medo pode gerar o pânico e aí a coisa torna-se física. Há uma dor interna, a cabeça a explodir, o coração a bater ainda mais, as pernas que tremem, os sentimentos baralhados e os gestos sem sentido. O medo é arrebatador, consome-nos, leva-nos para fora de nós e já pensamos que o corpo que temos não é o nosso e não podemos controlá-lo. Há duas maneiras de encarar o medo: aceitá-lo ou enfrentá-lo. Não acho que uma seja melhor que outra, são apenas diferentes. Porque há-de o P. insistir em entrar num avião se não consegue acalmar as palpitações no peito? Porque há-de avançar para lá do check-in se o único medo que tem é este, e não prejudica mais ninguém? Ele que já tem dois anos de tratamento atrás dele, ele que ainda não desistiu de vencer o pânico, que me queria a seu lado para lhe dar uma mão. Não terá já tentado o suficiente? Então e aceitar este medo? Porque não? Há medos com os quais podemos conviver. Vivem numa casa ao lado da nossa, somos vizinhos mas temos horários desencontrados e só nos vemos nas reuniões de condomínio. Mesmo assim ficamos em filas diferentes e só nos vemos de soslaio, sabemos o nome uns dos outros mas nem conhecemos a família. O medo, não um qualquer, mas algum medo, pode ser simplesmente aceite. Arruma-se numa caixa no armário do corredor e não se toca mais. Como nas fotografias de um casamento estragado. Existem, estão por lá, algumas bem bonitas, com sorrisos e esperança, mas nada, não saem do armário. Esses medos fazem-nos mais forte, porque não os vencemos, mas também não nos juntámos a eles. Simplesmente dissemos: ok, tu existes, eu também, e vou conseguir viver com isso. Não há que ter receio por pensar assim. Se podemos vencer um medo, perfeito, e entramos num quarto escuro que antes não queríamos ver, ou subimos à Torre Eiffel quando antes não aguentávamos a varanda de um primeiro andar. Mas se ele é mais forte e não se vence com uma única atitude, então, cheguemo-nos para o lado, ele que se sente, e que fique por lá, quietinho, sem chatear, sem aparecer. Sabemos que o lugar está ocupado, mas limitamo-nos a não empurrar.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Tenho um bloco de gavetas novas e um enorme peso no peito

À Noite

Gosto sempre que venhas, que te sentes comigo no sofá, almofadas a pedir conforto, mantas sobre os corpos frios - porém, vivos - um chá de menta com mel, e, na tv, uma série que gostamos de ver até tarde. Esta noite recomeçaste a tua série de eleição, quiseste partilhá-la comigo, temos sete temporadas para ver de "Os Homens do Presidente", e gosto de te ver rir, vibrar, comentar, fazer chamadas de atenção porque sei que gostas mesmo daquilo, dos actores, da iluminação, dos movimentos de câmara, adoras.

E depois, na cama. Em menos de dois minutos adormeces e eu fico ali, insónias, pensamentos de tudo e de nada, enrosco-me em ti na esperança de encontrar sossego, demoro, demoro-me, não consigo, volto-me para o ouro lado, o meu corpo sempre a tocar o teu, e já dormes. É quando tudo piora. A tua respiração começa por ser ofegante, compassada, marcada, cada vez mais forte, até entar nos meus ouvidos segundo a segundo, e o ruído já não me deixa dormir. E se te viras para o lado de lá e consigo, por momentos, conhecer o sono bom, logo voltas a mudar de posição e acordo, oiço-te toda a noite, não que não goste de ouvir-te, mas prefiro-te acordado e a conversar, e em horas diferentes que não as da madrugada. Não dormi nada, mais uma vez. Não há pensos milagrosos que resolvam o problema, cabeceiras inclinadas, ou outro truque qualquer...

Será sempre assim?

segunda-feira, janeiro 21, 2008

O que é a amizade? (II)

Gostei de te ver. Haverá sempre tempo para nós.

De férias

Hoje saí da cama às 16H. Primeira parte do plano de férias a ser cumprida: dormir.

sábado, janeiro 19, 2008

O que é a amizade?

Andamos desencontradas. Por várias vezes estivemos perto de nos vermos e não deu. Ora uma viagem ao Porto por causa de um romance, ora uma noite bem passada por causa de uma oportunidade, ora uma festa de copos por causa de um aniversário. Ou um encontro. Ou outros amigos. Ou outra coisa qualquer. Até o sono e o cansaço. Não tenho levado a mal. Penso que a amizade passa por isso mesmo: compreender, não cobrar, não julgar. Ainda assim gostava de te ter visto. E preferia que a viagem ao Porto tivesse sido cancelada porque, sabemos agora, não valeu a pena; e que a noite de aventura não tivesse acontecido porque, também o descobrimos, de nada serviu; ou que as saídas para o Bairro Alto, e festas e amigos que não sou eu se encaixassem nesta vida que já foi mais conjunta. Mas não será isto a amizade? Tolerar, entender, contornar... Tem-me custado procurar-te e nunca ser possível. Bem sei que às vezes também adormeço, e viajo, e trabalho. Mas tento não fazer uma troca injusta. Será que já fiz alguma? Que vida social tens tu, minha amiga, que não nos permite um café? (um galão e uma cerveja, como sabes)Que vida fazemos nós para, em três semanas, não criarmos uma oportunidade de encontro? Que amizade cultivámos que já só se faz ao telefone? E aí, ficamos horas, noite dentro e o tempo a passar, o sono a dormir e nós acordadas, despertador à beira da cama e uma voz que sussura cansaço. Mas desliga-se a máquina e eis que as oportunidades se vão. Um encontro tardio, uma manhã que começa mais cedo, uma visita inesperada. Tenho um presente para ti. Não to posso dar por telefone. Aguardo a oportunidade. Amanhã? Depois? Outro dia? É que os abraços têm ficado por dar e esse mar que nos separa não garante secar.

Barcelona II



Gaudí: o arquitecto catalão que nunca casou.

O mal de uns... (II)

...é a tristeza de outros. Não embarcámos. Ganhou o pânico!

sexta-feira, janeiro 18, 2008

O mal de uns...

... é a alegria de outros.Apanho amanhã, às 10h da manhã, um avião com destino a Las Vegas (escala em NY). Visito a cidade domingo e segunda e regresso a Lisboa na terça. Por quanto? Zero. Repito: zero euros. Pagam-me viagem e estadia para ser dama de companhia.

O P. tem pânico de voar, odeia aviões, não consegue pôr um pé no ar, e tem mesmo de ir a Las Vegas. Mas tem medo de recuar, voltar atrás, fazer o check-in e depois ouvir repetidas vezes chamarem por ele nos altifalantes do aeroporto, e ele, agarrado a um café cheio, chávena escaldada, num daqueles bares caríssimos das partidas, sem saber qual é a porta de embarque, sem pensar que vai passar por ela. Teme mandar a bagagem e ficar em terra. E depois atrasa o avião, e os passageiros ficam furiosos e é uma chatice para todos, e para a companhia e assim. Então, eu vou. Vou para lhe dizer é por aqui, para o puxar pela mão e levá-lo à porta sete ou nove, ou 33, para o acompanhar no café com um galão clarinho e depois ele paga e eu falo baixinho porque ele tomou muitos comprimidos e levo o guia top 10 da American Express para podermos seleccionar o que vale a pena. E digo-lhe que ficar lá 15 dias vai ser óptimo, e pode ir ao Grand Canyon, que maravilha, eu adorava, mas não terei tempo, quando muito umas capelas de casamentos e uns casinos, hotéis fantásticos e talvez o Guggenheim. E depois sentamo-nos e ele respira fundo e continuo a distraí-lo, e falo das hospedeiras, coitadas, que emprego da tanga, mas viajam, olha se tu fosses comissário, mas não, estás agora a mudar de emprego e tens de ir a Las Vegas, que sorte, mas se fores ao Japão e tiveres medo leva-me contigo, não me importo nada. Então ele adormece, e eu também, porque durmo bem em aviões e a viagem é longa, e se acordar levo um bom livro para me entreter, e faço uns rascunhos num bloco de notas, e passo pelas brasas outra vez, sempre a controlá-lo, a ver se está tudo bem, calmo, sem palpitações, e depois uns abanões, são poços de ar, não te preocupes, acontece muitas vezes e já estão todos habituados, aperta o cinto, e dorme, continua a dormir sob o efeito dessas drogas que tomaste ontem à noite. E se acordar e quiser conversar já tenho vários assuntos em mente, a minha mudança relativamente à função, e o formato de um novo programa, e que bom, estás quase a ser pai pela terceira vez, logo agora que mudaste de emprego e vai ser tudo novo, os teus filhos são lindos e tens tanta sorte, não te preocupes com o que aconteceu, nem com esta viagem. Chegámos. Sim, já aterrámos, não custou nada pois não, queres esperar para sair ou vamos antes de todos, esperamos, é melhor, sem atropelos, vamos buscar a bagagem, olha já aterrámos e nem se notou, pelo menos aqui não batem palmas como em Portugal e nos países africanos, é mesmo uma coisa que me irrita, queres ir beber um café, chamamos um taxi, boa, chegámos.

Barcelona



Em construção... um conceito que me agrada.

Serei frígida?

Na minha qualidade de única-pessoa-à-face-da-terra-que-nunca-tinha-bebido-um-Nespresso preparei-me hoje cuidadosamente para a experiência. Enquanto a A. carregava no botão da máquina, encostei-me à parede branca e preparei-me para o orgasmo. Esperei religiosamente pela chávena, sorvi o primeiro golo lentamente. Deixei que a essência do café me atacasse as pupilas gustativas e, principalmente, aguardei pela explosão. Um gole, dois, três… o fim da chávena à vista e nada. Serei frígida?

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Segue dentro de momentos




Pedimos desculpa pela interrupção mas este blog esteve de férias em Barcelona. Só para quem pode :)

Regeneração



É incrível como umas mini-férias podem ser tão regeneradoras. Brancas, quais brancas? Só ainda não percebi é como é que tiro a tinta da testa...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Dúvida [i]*

Quando termina o prazo legal para desejarmos 'bom ano' a quem ainda não vimos depois de 1 de Janeiro?

[* particularmente pertinente para quem, como eu, se limita a desejar bom ano às pessoas com quem atravessa a meia-noite]

Dúvida

O que fazer quando, por mais que faças, sabes à partida que nunca será suficiente. Que por mais que ultrapasses os teus próprios limites a barreira estará sempre mais alta, a meta a metros de distância. Aceitar as regras ou cumprir os mínimos?

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Coisas realmente importantes

Eu conduzi um Jaguar!

sábado, janeiro 05, 2008

Humilhações

É incrível como às vezes somos capazes de bater no fundo e dizer, e fazer, as mais humilhantes coisas. É impressionante como conseguimos estar lá em baixo e querer afundar mais. Quando uma amiga me contou a experiência da passagem de Ano lembrei-me de mim, noutros tempos... Tempos em que falava a chorar, a suplicar. Tempos em que não acreditava no que via, no que ouvia. Tentava ler nas entrelinhas e procurava sempre o lado bom de uma conversa horrorosa, deprimente, baixa. As mulheres - sobretudo nós, poucas vezes os homens - conseguem sempre humilhar-se mais. E deixamos que nos espezinhem, que nos magoem, perdemos o sentido crítico, a aura, o orgulho. E ali ficamos, a ouvir todo o tipo de crítica, observações sem sentido, pessoas que fazem de nós o que querem. Houve situações em que, praticamente teria rebolado se me tivessem dito: rebola! Lembro-me de vê-lo adormecer calmo, enquanto eu chorava, desesperada. E, quando foi a vez dele de chorar, não lhe consegui fazer o mesmo. Preocupei-me, quis impedir o sofrimento. Nestas coisas dos sentimentos somos pouco dignas. Andamos em busca de um qualquer perdão, de uma festa na cabeça. Somos cachorros desesperados à procura de um dono. E temos trela. Uma trela curta que nos impede de voar, de sermos nós, independentes, pessoas.

Querida R., aquilo por que passaste não é novidade. Eu, e tantas outras passámos pelo mesmo. Importa que isso só nos aconteça uma vez na vida. Não deixes que se repita. Outra vez e outra vez. E não faças de conta que não aconteceu. É importante sabermos que nos aconteceu para que não volte a passar-se o mesmo. Ignorar não é a solução. Importa olhar para trás e aprender. Mesmo que nos pareça horrível aprender com algo - ou alguém - que tanto nos magoou. Mas vale a pena. Vale a pena crescer com essas mágoas e torná-las parte da nossa vida. Para darmos mais um passo. Seguro, forte, firme. Com o tempo vemos melhor as coisas, lá para trás.

Os Pandas amuam?

O meu, sim.
Amua quando não faço exactamente o que ele quer. Mas diga-se que o que ele quer são coisas que, alegadamente, me beneficiam. Por exemplo, ontem comprou-me dois pares de botas (sim, dois, porque acha que as outras estão velhas e já não devo calçá-las), e comprou-me ainda uma saia (da Lacoste. Em saldos, mas da Lacoste), um colar daqueles xpto da swatch... E queria que eu comprasse metade de um casaco lindíssimo, amarelo, na Adolfo Dominguez... (já se vê que fomos ao Freeport!). Disse que não, que não podia dar mais 35 euros por metade de uma casaco - ele pagava a outra metade - que não tenho direito para mais casacos (tenho uns 15, sem exagero...) e que ele já tinha gasto muito dinheiro comigo (uns 200 euros, só num dia, sem nada para celebrar e pouco depois do Natal).
Amuou.
Não falou comigo em todo o caminho que fizemos para casa, e se é longa a Ponta Vasco da Gama, e não me dirigiu a palavra enquanto víamos os três episódios da ordem do 'Boston Legal', nem me pediu para dizer 'Denny Crane' com aquela voz rouca do actor da série e que tanto o faz rir; nem sequer se encostou a mim no sofá, e a sala estava gelada. E esta manhã acordou-me com um simples 'É uma e meia da tarde' (esta manhã é a minha maneira de ver a coisa) e não como costuma, com beijos e abraços e palavras doces, e piadas, e coisas assim. Não gostei.
Tentei falar sobre o assunto e até me vieram as lágrimas aos olhos quando expliquei porque é que o meu dinheiro voa.
Continua amuado.
Porque é que um Panda amua, é a primeira questão... Porque é que amua por causa de meio casaco amarelo, é a segunda. E porque é que mantém o amuo durante sabe-se lá quanto tempo? E, acima de tudo, porque não tenho eu 35 euros para dar por meio casaco?
Agora, amuei.

Coisas que sabem bem...

Ontem, quando o meu irmão mais velho me ligou a dizer que estava apenas a telefonar... porque gostava de mim.
Fazem falta estas demonstrações.
E sabem bem.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Tudo na mesma

É incrível como continuas na mesma passados 4 anos.

É incrível como continuas a mentir, a ser falso... como continuas a disfarçar.

Fez-me bem falar contigo. Só para ter a certeza que não és a pessoa certa.

Não tinha de ser, disseste tu. Não, não tinha. Apenas porque somos pessoas diferentes. E eu sou exigente. E tu, de facto, não me serves.

Não sei se fico decepcionada, se com pena. Não sei...

Mas fico aliviada. Por tudo ter acabado.

Que tudo te corra bem.

Eu prossigo melhor assim.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Em 2008...

Vou ao ginásio,
Vou emagrecer,
Vou ao médico,
Vou poupar dinheiro,
Vou estar mais tempo com a família,
Com os amigos,
Vou trabalhar menos horas,
Vou pedir aumento,
Vou ser melhor pessoa,
Melhor profisional,
Vou mais vezes ao teatro,
ao cinema,
a espectáculos,
Vou ler mais,
Vou fazer boas acções...

Em 2008...
Volto a fazer uma lista de intenções. Para 2009.

domingo, dezembro 30, 2007

Ainda o Natal...

Pela primeira vez, em 34 anos, faltei à missa no dia de Natal. Não fui à do Galo, não pus os pés em nenhuma outra. Adormeci, acordei mal, não dormi bem. Mas que mal me senti por não ter ido à missa no dia de Natal. Eu sou católica, nada praticante desde que me desiludi, mas acredito. Acredito mesmo. Não tenho dúvidas existênciais nem religiosas. Penso todos os dias na minha fé, e naquilo em que acredito, e agradeço aquilo que considero bençãos, e peço por mim e por todos os que sei precisarem de ajuda. Rezo. Às vezes distraio-me a meio de uma oração, e lá volto ao princípio, ou penso noutra e tento concentrar-me. Eu já não cumpro as regras e tornei-me numa daquelas católicas que a Igreja não aprecia. Já não tenho paciência para os sermões do Pe. L. ou do I.. Estão velhos e sem sentido. Mas também não vou à procura de outros. Nunca fui à missa aqui a Belas, por exemplo. E também não acredito na amizade sã dos que comigo cresceram na fé. Alguns abandonaram-me quando precisei deles, outros fizeram de conta que o problema não existia. Poucos se preocuparam. E esses, mantenho-os como meus amigos. Os outros não merecem sequer um telefonema, uma mensagem personalizada pelo Natal. Porque eu não mando mensagens iguais para toda a gente. Não gosto. Nem de recebê-las. Eu já fui feliz a acreditar. Já passei por experiências fantásticas ao lado de um Deus em que acredito. Há uns 4 anos deixei-me disso. É uma coisa entre nós. Não demonstro, não provo. Falto à missa no dia de Natal. E sinto-me culpada por isso. Gostava de ter beijado o Menino, naquele pé que limpam com um paninho depois de cada beijo molhado, às vezes de uma velha beata, às vezes de uma criança simples de cabelos dóceis. Gostava de ter entoado os cânticos, tal como fiz no carro, sozinha. Tal como noutros tempos em que organizava concertos de Natal e juntava o grupo para a cantoria, e teatros, e outras coisas que pagavam para ver. Eu já não sou praticante. Às vezes custa-me. Mas não o suficiente para voltar.

Mais cidade que sexo

Esperaram pela hora tardia a que cheguei a casa da Carrie. Estava já seca a massa, metade com queijo, metade sem, para agradar a quatro bocas apenas. Comemos, acompanhámos com vinho ou coca-cola ou água e ice tea. Somos afinal tão diferentes. Mas nem se nota. Comemos os pastéis comprados em Belém, deliciámo-nos com o açúcar e canela que cada cobertura pede. E comemos salada de fruta para disfarçar. Trocámos presentes. Gostámos de ler as escolhas da Charlotte, de vestir o que pediu a Miranda, de usar o que viu a Carrie, de admirar o que me entusiamou. Gostámos da troca, dos sorrisos, dos espantos, da experiência e de experimentar. De vestir, de tirar, de pôr e de exclamar. E foi a conversa noite dentro, sem que o relógio nos dissesse a que horas já estávamos. Sem pressa. Sono da Carrie. Conforto. Confidências, conselhos. E sempre a amizade. A 15 dias de uma viagem que ficará para sempre; passados anos desde o dia em que entrámos pela mesma redacção e nos tornámos amigas. Assim, parecidas com as de uma série qualquer. Mais cidade do que sexo. Obrigada!

quinta-feira, dezembro 27, 2007

O Pai Natal existe

E chegou a 26 de Dezembro.

[Cabe agora à Dia explicar porquê...]

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Um doce natal

entre o bolo de caramelo, as azevias, as filhoses e antes do bacalhau chegar a mesa, passo por aqui de fugida para desejar um excelente e doce Natal a todos.

Feliz Natal

Aos que não acreditam no Nascimento, a Paz.
Aos que crêem que a vida mudou, o Dia.
Aos que sabem partilhar a época, o Amor.
Aos que podem dar sem receber, a Alegria.
Aos que não podem sentir o espírito, a Ternura.

Aos amigos, aos que estão doentes, à família, aos mais próximos, aos que esperam, aos que sofrem, aos que não suportam cada Natal.

A todos, a eterna felicidade de uma quadra de afectividade.

Ainda gosto de gostar do Natal!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

A pergunta que se impõe

Porque raio não trabalho numa repartição de finanças?

[onde é que entrego o cv?]

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Estou em falta

Estou em falta. Com pessoas importantes para a minha vida. Com tarefas para cumprir. Estou em falta com a minha cama. Em falta com os postais de Natal. Sinto que exigem de mim mais do que consigo dar. Duvido de todas as minhas capacidades. Puxo por mim até ao limite e só me apetece parar. E apetece-me Natal. Por tudo o que representa. As horas de leitura. Azevias de batata-doce. Dormir em frente à lareira. Filhóses. Horas de brincadeira. ‘Roupa velha’ bem avinagrada. Bolo do Natal*. Passeios pela quinta com o nariz congelado. E dormir mais ainda. E passar o dia a comer. E brincar com os meus putos. Porque é Natal.

[*de caramelo e nozes, que dás tanto trabalho a fazer que só consigo fazê-lo especialmente para a quadra]

Mulheres

Women are meant to be loved, not to be understood.
O. Wilde

[A sabedoria dos Baci, ou uma questão de conceitos.]

terça-feira, dezembro 18, 2007

sofrimento em formato mensal [ii]

O problema é que tem um nome do tempo da outra senhora. A dada altura [não sei se ainda existe] havia numa parede do Tertúlia o retrato de uma mulher, já entrada na idade, um ar muito composto de tia solteira, a quem ela sempre chamava pelo seu próprio nome. O problema é que ela tem nome de gaja [re]conhecida noutros tempos. E por isso, muitas vezes, lhe trocam os apelidos. E como hoje, ela lá ficava a pensar que devia ter levado o xaile e uma jarra de vinho da taberna da rua de baixo. A questão é que dificilmente arranjaria guitarras.

domingo, dezembro 16, 2007

[...]

O prognóstico é reservado. A cria, ainda por cima quase órfã, é bem capaz de não chegar aos três anos. Pela parte que me toca tenho pena.

Hobbies [ii]

O termómetro do carro marca 7º. No relógio passam poucos minutos das nove. Se alguém me dissesse, há um mês, que iria acordar a um sábado com a disposição que tenho naquele momento seria alvo de fortes gargalhadas. Tenho muito tempo antes de me fazer à marginal. Hoje é a sério. Sem rede. Sem ambiente controlado. Chego muito antes da hora. Sento-me em frente ao mar. Um azul imenso. Está frio. Doem-me as mãos do vento gelado. Ponho as protecções. Testo o capacete, prenda recente de quem ‘gosta muito de ti’ [presumo que seja uma forma de me dizer que o capacete é bom, resistente]. De repente sinto que tenho dois pés esquerdos. O que é muito mau no meu caso. Já pensei em cortá-lo. Ao pé esquerdo. É incapaz de fazer o que lhe mando. Estou quase em pânico quando me ponho em cima de oito rodas. Por alguma razão, de repente tudo aquilo me parece uma péssima ideia. Contranatura. A cabeça uma folha em branco. Ver o Luís funciona como um xanax. Dez minutos e estou a rolar como nunca. Estar junto ao mar obriga-me a descer. A subir. A fazer curvas com pouca visibilidade. Obriga-me a lidar com os outros. Um vento sul demasiado frio obriga-me a abrir os olhos. Faz-me sentir viva. Cair também ajuda. Rio-me. Não tenho outro remédio. Cair sem saber como ajuda ainda mais. Obriga-me a pensar no que faço. Onde ponho os pés. E fazer tudo bem ajuda-me a perceber o controlo que consigo ter sobre aquelas oito rodas. Ando hora e meia para trás e para a frente. Canso-me. Canso-me muito e sei que amanhã não me mexo. E gosto. Desde que deixei o ioga que nada me fazia sentir tão bem.

sábado, dezembro 15, 2007

Entre um blog e outro*

Ainda estou para perceber como é que algo tão simples como tu e eu se tornou, subitamente, em algo tão complicado.

[* em versão depois-de-ter-descoberto-que-fomos-
separadas-à-nascença-descubro-alguém-que-escreve-o-que-me-vai-na-alma]

O joaquín cortés vestiu-se

O Joaquín Cortés vestiu-se. E nós, a bem da verdade, até agradecemos. Nem todos, mas o plural majestático soa-me bem. O Joaquín Cortés vestiu-se porque engordou. Mas apesar das circunstâncias continua a fazer suspirar muita mulher. Que o diga a cinquentona, a atirar para os 60, atrás de nós na fila das reclamações[*], que antes lamentou o facto, enquanto refrescava as faces rosadas abanando os bilhetes em frente à cara, apesar do vento frio, a atirar para o negativo, que entrava pela porta principal do Campo Pequeno. “Pena que se tenha despido pouco.” Foi bonita a festa cigana, mas faltou-lhe a sinceridade que vi há uma década [Jesus!] na fila da frente de uma praça Sony em delírio. O homem escultural que vimos nessa noite de Verão fazia vibrar pela fluidez de movimentos, arrancava aplausos da plateia pela sensualidade. O Joaquín Cortés vestiu-se porque envelheceu. Pena que Cortés não seja um Porto Vintage. O frenesi que vi com a Charlotte [soará menos mal se disser que foi há dez anos?!] era natural. A cada passo, a cada reviravolta, a cada bater dos saltos, Cortés enchia a noite e dizia com o corpo muito mais do que muitos discursos, do que muitas palavras conseguem traduzir. Ontem faltou-lhe espontaneidade. E a cada passo, a cada reviravolta, a cada bater dos saltos, Cortés pedia a aprovação do público. Actores, músicos, dançarinos, whatever, quando são bons valem pelo que fazem. Outros valem pelo público que têm. É pena.


[foto retirada de http://porbulerias.com]


[* O que dizer de uma empresa como a portoeventos, ou seja lá quem for o responsável pela disposição da sala no espectáculo de ontem, venda bilhetes para lugares com visibilidade nula? Foi uma espécie de jogo do gato e do rato. Agora temos Cortés, agora não temos. Certamente que a portoeventos não imaginava que o homem ia usar o palco todo para actuar. Foram assim os primeiros minutos do espectáculo até que nos sentamos na escada de cimento a meio de sala. No final foram uns bons 40 minutos na fila para preencher o livro de reclamações. Cenas!]

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Lisboa engalanada

Longas faixas [muito] coloridas nas principais avenidas. Procuro na memória notícias que falem de um mega evento da Ilga. Leio em letras pequenas no topo das faixas ‘Tratado de Lisboa’. Ah!

terça-feira, dezembro 11, 2007

Natal

Ainda não me encontrei com o Natal. Acho que andamos a brincar às escondidas. Ao princípio culpei o tempo. Ninguém [pelo menos, não por cá] festeja o Natal de t-shirt e roupa leve. Eu bem via, à hora que saia do trabalho, as pessoas carregadas, a sair do Corte Inglês. Viam-se embrulhos, com ar de gozo, a espreitar pelos sacos de compras. Viam-se enfeites nas lojas. Grandes bolas natalícias. Vermelhos. Dourados. Prateados. Mas Natal, nem vê-lo. Sentada no meu tapete vermelho, em frente à lareira, ficava atenta ao mais leve dos sons, não fosse ganhar coragem e bater à porta. Nada. Na sexta enchi-me de coragem e pensei em procurá-lo nas luzes do Chiado, aquelas que a Dia não encontrou porque chegaram mais tarde. Talvez andasse pelas ruas do Chiado. Também o procurei nas lojas. Na vontade de encher o sapatinho dos miúdos. Nem isso, foram compras [quase] automáticas, com a certeza que iam gostar de cada escolha. Outra foi comprada há mais de um mês. De impulso. Sei que vai gostar. Hoje, enchi-me de coragem à hora de almoço, decidida a arrastar a C. de loja em loja. Na segunda já tinha perdido a esperança. Falta-me encontrar o Natal para que os presentes façam sentido. Sem isso, não passarão de embrulhos de conveniência. E isso não é Natal.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

há um mês


[e tanta vida aconteceu desde então]

sábado, dezembro 08, 2007

Anjo da guarda

Às vezes acontece-me. Vem um anjo da guarda cá a casa e deita-se na minha cama. Hoje entrou chorosa e mal disposta. Ficou mais rabujenta quando percebeu que a mãe tinha saído, continuou a chorar mesmo quando lhe pus 50 peças de Lego à frente. Não gostou de nenhuma cor, não viu nenhuma peça interesante, não construiu um castelo. Chorou como se tivesse sido esbofeteada, agredida, insultada. Dorme agora, o anjinho, depois de uma sopa no 'Manel', depois de beijos e carinhos e um empurrão no baloiço do jardim infantil cá do BCC. Dorme depois de ter depenicado as minhas batatas fritas e de ter comido parte do meu hambúrguer no pão. Dorme depois de me ter deliciado com o cheiro dela, depois de a ter envolvido nos meus braços, depois de a ter agasalhado e de a ter posto na cama como quem deita o Menino Jesus. Dorme depois de lhe ter mudado a fralda, de lhe ter repetido vezes sem conta 'está aqui a tia'. Este anjo da guarda não ficará muito mais tempo. Mas sei que vai voltar. E eu gosto.

Regresso


Adoro voltar ao centro do mundo.

Em Setembro...



... foi assim que vi a Islândia. Akureiry, a norte!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Entre um blog e outro*

Às vezes não compreendes o porquê, nem qual a origem deste mal-estar que nunca acaba, deste desconforto que faz com que tu sintas que há sempre algo que não está bem. Talvez porque aquilo que procuras só existe no fundo dos sonhos, num país chamado imaginação.

[* em versão eu-podia-ter-escrito-isto]

Hobbies

Tenho um novo. Estou a divertir-me com'o caraças.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Afectos XV

- Não me olhes assim.
- Assim como?
- Como se eu fosse a mulher mais bonita do mundo.

Ele sorria. Olhava-a directamente nos olhos. Ela perdia sempre. Não suportava a ideia de que ele podia ler-lhe o pensamento. Mas guardava aquele sorriso e aquelas palavras. Guardava aqueles momentos na caixinha verde alface, no terceiro compartimento da esquerda a contar da pálpebra direita. Passou o tempo. E de um momento para o outro o olhar dele mudou. Já não brilhava. Ela foi ficando. À espera de uma declaração de amor que substituísse o olhar em falta. Até que se limitou a abrir a porta e sair. Ele ficou no mesmo sítio. Não se mexeu. Ela presume que ele ainda lá esteja. Nunca veio à procura dela.

Como se me tivessem tirado as palavras da boca

Eu também quis ser repórter de guerra. Em Portugal não há espaço para isso. E, onde trabalho, o quotidiano acaba por não ser muito diferente de um dia mau em Bagdad."

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Há dias mais difíceis que outros. Em que se perde a garra. A coragem. Perde-se até a raiva. Incapaz de levantar a voz. De recriminar uma injustiça. Dirimir argumentos. Dias em que se aceita um ‘porque sim’. As frases que se odeiam. Perder o poder. A vontade. A emoção. Os sentidos. Perder a inspiração. A vocação. A inércia pela inércia. Cumprir os mínimos. Respirar. Apenas isso. E esperar que tudo passe depressa.

o 'meu' bairro

Gosto deste meu bairro. Das casas antigas. Da roupa estendida nas varandas. Do vizinho de trás que por vezes vem à janela em boxers [continuo a achar que o senhor nos poderia poupar a este triste espectáculo]. Das conversas das vizinhas. Das tascas e dos restaurantes. Gosto da calçada portuguesa, do largo com jacarandás. Gosto dos bancos de pedra, das mesas ali ao lado que convidam a jogar sueca [penso muitas vezes nos velhos do jardim da estrela quando aqui passo em dias soalheiros]. Gosto dos turistas. Dos sonos dos diferentes linguarejes. Mas gosto principalmente da familiaridade do bairro. É aqui que trabalho. Onde passo a maior parte do meu tempo. Talvez por isso me sinta em casa. Com os ‘bons dias’ da senhora do bazar. Com a família da mercearia e até com o mau humor do senhor Z. do café da frente. À parte destes não conheço a maior parte das pessoas com quem me cruzo todos os dias, mesmo assim, há sorrisos, acenos de cabeça e ‘bons dias’ como vizinhos que se cruzam todos os dias na escada.

domingo, dezembro 02, 2007

À espera

[Henri Cartier-Bresson, 1947]

sábado, dezembro 01, 2007

Dor

[a três tempos]

Pago para que me ensinem a cair. Sem dor ou ossos partidos. Por momentos eu sou eu de novo. Ensinam-me que não posso baixar os patins a dois tempos. Dizem-me para flectir as pernas, inclinar as costas. É uma questão de centro de gravidade. Faço tesouras. Sou incapaz de virar à direita. Travo. E caio. Caio como nunca cai de cima dos patins. Faço carrinhos. Rio-me. Rio-me muito. Rio com vontade. E eu sou de novo eu. Desligo o piloto automático da última semana e deixo-me ir. Sem rede. Para cair à vontade. Nem sempre nos partimos quando vamos ao chão.

Trabalho durante a tarde entre o riso do G e os enfeites de natal. Despacho em meia hora metade do trabalho que me atormenta há três meses. Sem dor.

Dói-me a garganta do frio e de gritar pelo Benfica. Dói-me a alma de pensar em tudo menos em futebol de cada vez que o número 6 toca na bola.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Greve Geral

Gostava de ter feito greve. Não queria ser funcionária pública, nem tão pouco aproveitar um fim-de-semana prolongado à conta de quaisquer reinvindicações. Gostava, simplesmente, de não ter trabalhado hoje. Serão muitos os que, como eu, tiveram hoje de levantar-se, desligar o despertador, tomar banho e pôr a chave na ignição ou apanhar o metro. Serão muitos os que não puderam, numa sexta-feira que, de manhã, me pareceu ter sol, ficar sossegados na cama por mais duas horas, tomar um chá numa esplanada ou ler o jornal na relva. Foram muitos. Mas dizem que 80 por cento da função pública pôde fazer tudo isto. Outros dizem que apenas 20 quiseram aderir à ideia. Eu não gosto de greves e não concordo com nenhuma. Mas hoje teria feito greve, se pudesse. Hoje teria dormido, teria aproveitado o dia fora da redacção, teria lido um pouco o novo Harry Potter (ainda nem comecei e apetece-me muito), teria estreado a minha máquina de imprimir fotografias. A cores. Mas não. Como numa sexta-feira normal vim trabalhar. E nem a enxaqueca matinal me fez desistir. Eu não gosto de greves. Já aqui o disse, não já? Dirão muitos que eu não sei o que é viver mal por causa do estado do Estado, que não sei o que é viver sob a égide governamental, que não sei o que é ter mínimos quando são exigidos médios. Enganam-se. Sei muito bem. As empresas privadas não oferecem melhores condições que o Estado e, nelas, temos de trabalhar mais. E não há cá concursos nem estudos que nos valham. Conta o trabalho, o empenho, a entrega e as horas que damos à casa. Greve? Eu queria fazer greve. Mas não concordo com nenhuma.

quinta-feira, novembro 29, 2007

eu não sou eu


Há cinco dias em piloto automático...

Quiosque

[ainda Santiago do Chile]

quarta-feira, novembro 28, 2007

sofrimento em formato mensal

Existe uma ligeira diferença entre 18 mil e 18 milhões de passageiros. Mas eu estava tão gira que ninguém reparou.

terça-feira, novembro 27, 2007

o natal*

[...] Ontem, a Carolina pediu para ir ver o Natal. E saímos, chave na ignição, travão-de-mão desengatado, à procura dele pelas ruas de Lisboa, já o vimos nos Centros Comerciais, nos anúncios do Intermarché, e da Pópota e Leopoldina, mas nas ruas não o encontrámos.

Procurámo-lo em Alvalade, e nada, seguimos pela Almirante Reis, tudo às escuras. No Rossio tínhamos que o encontrar, pensámos. Não. Timidamente lá o conseguimos vislumbrar na Rua do Ouro e no Chiado. Os olhos e as mãos da Carolina não se colaram ao vidro. Não deu pulinhos e risinhos de felicidade absurda. Pelo contrário, lançou:

"A Lisboa está feia, não está, mamã?", e esta pergunta doeu-me mais do que um parto sem epidural.

Não se mente às crianças, não se deve mentir às crianças, está feia sim, filha - no meio, um suspiro, uma pausa, para a voz se recompor. As mães não choram pelas luzes de Natal que não se acenderam, que este ano não se vão acender. [...]

[*Pela melhor escritora da blogosfera]

segunda-feira, novembro 26, 2007

Estás no Ar!

A primeira vez é a mais difícil, mas custa mais pensar no que se vai fazer que fazê-lo, realmente. O assunto era-me familiar e estava à vontade para falar de Rock in Rio. Sabia as datas de todos os festivais até 2014, e quam está já confirmado, e que este ano há duas edições, e mais não sei o quê, e tinha a entrevistada ao meu lado. Ao repórter de imagem pedi paciência e uma lição antes do momento H. Ao pivot pedi paciência e um lançamento simples. Ao coordenador pedi paciência e uma voz doce ao meu ouvido. Lá estava eu, bem vestida, pintada a preceito, sem brilhos que a Câmara não gosta. Lá estava eu sem ter decorado nada porque esse é um erro crasso. Lá estava, frente à câmara, passo ensaiado para a entrevista, início encaminhado e despedida na ponta da língua. Tens minuto e meio, oiço no meu ouvido. E escuto no auricular palavras ditas na reportagem que antecede a minha entrada. Contagem decrescente e a peça acaba. O pivot apresenta-me e oiço o meu nome na televisão. É agora. Sorrio. A luz fere-me os olhos mas tenho de encarar o bicho. Esqueço-me de mim para dizer o que sei e faço um ar sério, endireito-me para o ecrã, pego no microfone cuidadosamente. Estás no ar. Fala. Falo e só me calo para ouvir a resposta às minhas perguntas. E minuto e meio passa a correr. Não custa nada. Penso nas lições de quem é já experimentado, penso porque é que só agora me aventurei nesta 'vida', se há 15 anos vejo como se faz, penso que sou capaz. E sou. Fecha. O ouvido diz-me o que fazer. E faço. Obedeço à voz que me chega via éter. Volto a sorrir. Fico quieta em two-way. Saíste. E respiro fundo. O primeiro directo é que custa mais. Depois de aceitar a câmara a primeira vez tudo se faz. Os olhos abertos pela luz. O microfone a tapar a boca. Mas tudo direitionho, no dizer. Passou a mensagem. Agradeço à entrevistada. E preparo-me para o próximo. Afinal, fui mesmo capaz!

queria ser tábua rasa. folha em branco. cassete virgem sem risco sem medo memória rancor raiva ou dor.

domingo, novembro 25, 2007

A minha irmã

Hoje quero fazer um elogio à minha irmã. A melhor irmã do mundo. Nunca nos demos bem. Discutíamos por tudo. Por nada. Andávamos à porrada. Eu perdia sempre. Era uma questão de tamanho. Lembro-me de ela me agarrar pelo pescoço, os meus pezinhos abanar a centímetros do chão. Lembro-me de andarmos à bulha com sonasol verde e pasta dos dentes. De discutirmos porque uma não queria apagar a luz e a outra queria dormir. De nos batermos [mais do que uma vez] por uma camisola, umas calças, whatever...

Nunca nos demos bem. Nunca, mas nunca, soubemos estar uma sem a outra. Sempre nos protegemos nas primeiras escapadelas. Mais dela do que minhas. Fui uma privilegiada. Ela teve as brigas e abriu-me o caminho. Lembro-me da primeira noite em que ela dormiu em casa de um namorado. Devia estar a trabalhar. Lembro-me da minha mãe reparar que o despertador que ela deveria ter levado tinha ficado em casa. Do pânico de ela poder ser descoberta. Das mentiras para que nada disso acontecesse. Lembro-me das horas passadas em frente ao Spectrum. Das noites de riso interminável. Das brincadeiras sempre conjuntas. Das primeiras saídas. De ela dizer ao meu pai ‘foi o jantar que lhe caiu mal’ depois de eu descer as escadas da Assembleia para vomitar mesmo em frente ao carro. Nunca, mas nunca, soubemos estar uma sem a outra. Aproximamo-nos ainda mais quando ela casou.

A A. é uma mulher extraordinária. Separam-nos 16 meses e um dia de existência. Ela veio primeiro, e foi das melhores coisas que a minha mãe alguma vez fez na vida. A minha irmã trabalha de manhã à noite fora de casa. É altamente bem sucedida profissionalmente. Provam-no as promoções quase constantes dos últimos dois anos [e que me parecem não ter acabado]. E tem dois filhos. Perfeitos, lindos de morrer, mas cada um deles uma dor de cabeça à sua maneira. Que trata carinhosamente. Com quem brinca enquanto faz o jantar. [concedo. Tem aqui uma ajuda preciosa do marido]. A quem lê histórias antes de adormecerem. Com quem vai andar de bicicleta ao fim-de-semana. E quando os putos estão a dormir ela senta-se no sofá. E o que faz? Colares, pulseiras e afins, que ajudam a engrossar o pé-de-meia. A A. é uma verdadeira fada do lar [sim, e aqui incluem-se também todos os afazeres que uma gaja tem com a casa]. Antes da mania dos colares foram os lençóis e coisinhas para bebé. Tudo porque a minha irmã não sabe estar quieta. E quando não sabe o que fazer inventa. A A. tem mãos de fada. E tem mão para o tempero. Cozinha como ninguém. E adora ter a casa cheia. De receber os amigos com quem partilha a cozinha. A A. gosta de rir. E ri muito. A minha irmã é organizada. No trabalho como na vida. E no meio disto tudo irradia uma serenidade que eu invejo. Tem sobre ela uma aura de quem tem tudo sobre o controlo. Nas mãos da A. tudo saí sempre bem. Claro que tem os seus problemas. Tem os seus dias difíceis. Mas passa por eles com a certeza de quem sabe o que faz.

A minha irmã nem sempre concorda comigo. Mas está sempre cá para mim. Obrigada.

sábado, novembro 24, 2007

Hiroshima meu amor [iii]

Ela. - Contei a nossa história.
Esta noite enganei-te com aquele desconhecido.
Contei a nossa história.
Vês como era possível contá-la.
Há catorze anos que não experimentava o sabor do amor impossível.
Desde Nevers.
Vê como te esqueço.
Vê como te esqueci.
Olha-me.

[Hiroshima meu amor, Marguerite Duras]

o chile numa imagem

[Santiago do Chile]

sexta-feira, novembro 23, 2007

Hiroshima meu amor [ii]

Ele. – És como mil mulheres juntas...
Ela. – É porque não me conheces. É por isso.
Ele. – Talvez não só por isso, apenas.
Ela. – Não me desgosta isso de ser mil mulheres juntas para ti.

[Hiroshima meu amor, Marguerite Duras]

Hiroshima meu amor

É um equilíbrio precário. As costas contra a corrente do baloiço. Sentada de lado. As pernas esticadas sobre o baloiço da frente. Levo longos segundos a estabilizar. Espero. Se olhar agora para as páginas do livro vou ficar enjoada. Estraga-se o prazer mesmo antes de começar. O corpo almofadado por duas camisolas e o casaco do futebol. Está-se bem enquanto as nuvens não tapam o sol. Leio Duras. Tento pela segunda vez entrar na história de um amor em Hiroshima. São-me estranhos os guiões de cinema. Falta-me a imaginação para criar ambientes. Por isso só falo sobre mim. Ou então escrevo notícias. Nunca tive pretensões de escritora. Preciso da matéria bruta dos factos. Da realidade. Boa ou má. Leio Hiroshima meu amor até as mãos enregelarem. Transporto-me para a lareira. Continuo a ler até devorar todas as páginas.

quinta-feira, novembro 22, 2007

[pseudo]superioridade intelectual

Cada vez que venho à serra descubro um novo mundo: a tvi.

os tons da serra

1600 metros por debaixo da terra. E de repente a serra ao fundo. Uma enorme nuvem cinzenta, sobre um fio branco de neve, contradiz o azul profundo em redor. Há nuvens espalhadas por todo o lado, mas o sol tímido transforma-as em enormes montes brancos de algodão doce. Olho para elas à procura de algo mais. Animal. Cara. Forma geométrica. Desisto rapidamente. Não estou para jogos. Canto [desafino] o ‘In a Little While’ mais alto que o próprio Bono. Falta pouco. Não chega nem a um CD. É esta a medida de uma viagem. Três noticiários, um ‘Vertigo’ e dois ‘All that you can't leave behind’ ouvido em modo repeat. Venho devagar. Mais lentamente que o costume. Em modo de poupança de gasóleo. Entro na estrada nacional e aproveito os últimos quilómetros. Desço o vidro. O ar cheira a lareira e a frio. Do céu caem confeitos. Pedaços cor de ferrugem que se espalham pelo chão. A serra, a minha serra, está verde e dourada.

Coisas que uma mulher é obrigada a ouvir [ii]

"Lembro-me de outra conferência em que o Scolari tratou mal uma jornalista. Chamou-lhe de tudo. Se calhar a senhora é solteira e não tem marido para a defender."
José Manuel Palhaço*, pintor da construção civil in Fórum TSF

[O homem não se chamava palhaço, não fixei o nome, mas provavelmente, com comentários destes, devia.]

quarta-feira, novembro 21, 2007

meteorologia

Eu estava só a brincar. A meteorologia escusava de ser tão agressiva. De levar tudo tão a sério. O frio não precisava de ser tanto. O mercúrio não tinha de descer tão depressa, correndo o risco de partir os termómetros, confusos na rápida mudança de humores. E logo com chuva à mistura. Usar sobretudo e guarda-chuva, tudo ao mesmo tempo, ao fim de tantos meses baralha os sentidos. Faz mal a alma e à pele. Salva-me a desculpa de usar sapatos novos. A gabardina resgatada nos saldos de Verão [há coisas fantásticas] da Zara. Dar asas a uma ânsia consumista que as gajas da secção apelidam de crise de afectos. Não vale ler nas entrelinhas. É mal generalizado. Abrimos os sacos e trocamos ‘cromos’ à chegada do almoço. Continuo a encontrar as melhores pechinchas. Acho que tenho mesmo alma de pobre. Gosto de exibir o vestido curto que faz virar cabeças, não porque me fica muito bem, a meia de ligas espreitar junto da bainha, mas porque foi uma pequena bagatela. O mesmo para a mala. O casaco azul com uma enorme flor. Amanhã não trabalho. Não posso. Não tenho nada para estrear.

Devia haver uma forma simples de descrever os almoços de sushi. Mas não se fala com a boca cheia. E rir só com a mão à frente da boca. Para repetir, no sítio do costume, [no mínimo] uma vez por semana.

domingo, novembro 18, 2007

a minha saída

[metro de Santiago do Chile]

[Não me recordo do nome da estação. Já dei voltas à cabeça e à net, mas não há meio. A geografia de Santiago não me ficou nos sentidos. Apenas uma ligeira impressão de ruas que não foi suficiente para evitar que nos perdessemos no último fim de tarde. A saída de metro ficava longe do hotel, e como se não bastasse teimei em ir na direcção contrário. Andamos o dobro. ]

sexta-feira, novembro 16, 2007

Banda Sonora em versão festa de garagem

When the day is long and the night, the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts sometimes

Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life, well hang on

'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone

If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on

Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts. You are not alone

[Everybody hurts, R.E.M. Live]

Provocar

[Reuters]

quarta-feira, novembro 14, 2007

A pot belly

Fabienne: I was looking at myself in the mirror.
Butch:
Uh-huh?
Fabienne:
I wish I had a pot.
Butch: You were lookin' in the mirror and you wish you had some pot?
Fabienne: A pot. A pot belly. Pot bellies are sexy.
Butch:
Well you should be happy, 'cause you do.
Fabienne:
Shut up, Fatso! I don't have a pot! I have a bit of a tummy, like Madonna when she did "Lucky Star," it's not the same thing.
Butch: I didn't realize there was a difference between a tummy and a pot belly.
Fabienne:
The difference is huge.
Butch:
You want me to have a pot?
Fabienne:
No. Pot bellies make a man look either oafish, or like a gorilla. But on a woman, a pot belly is very sexy. The rest of you is normal. Normal face, normal legs, normal hips, normal ass, but with a big, perfectly round pot belly. If I had one, I'd wear a tee-shirt two sizes too small to accentuate it.
Butch:
You think guys would find that attractive?
Fabienne:
I don't give a damn what men find attractive. It's unfortunate what we find pleasing to the touch and pleasing to the eye is seldom the same.

Maria de Medeiros e Bruce Willis, Pulp Fiction, [1994]

terça-feira, novembro 13, 2007

Esquizofrenia

Pela janela, a mesma por onde durante a tarde entrou o cheiro a castanhas, chega agora o cheiro de sardinhas assadas. Estamos em Novembro e continua calor. Esta semana subo à serra à procura de equilíbrio. Faz-me falta o cheiro das chaminés que adocicam o ar. O aroma das lareiras. Os pinhos queimados. As labaredas. As torradas tostadas nas brasas e regadas com azeite. O cheiro do forno a lenha para o bolo de noz. O pão acabado de fazer. O javali tostado com batatas à lavrador. Faltam-me os diospiros de roer. Os cachecóis e casacos grossos. Faz-me falta o frio. Esta semana vou à procura do equilíbrio.

Banda sonora

I don’t want you to be no slave;
I don’t want you to work all day;
But I want you to be true,
And I just wanna make love to you.
…Love to you…
…Love to you…Ooooohhooh…
…Love to you…

All I want to do is wash your clothes;
I don’t want to keep you indoors.
There is nothing for you to do
But keep me makin’ love to you.
…Love to you…
…Love to you…Ooooohhooh…
…Love to you…
And I can tell by the way you walk that walk;
I can hear by the way you talk that talk;
I can know by the way you treat your girl
That I can give you all the lovin’ in the whole wide world!
All I want you to do is make your bread!
Just to make sure you’re well-fed!
I don’t want you sad and blue!
And I just wanna make love to you.
…Love to you…
…Love to you…Ooooohhooh…
…Love to you…Ooooh.

And I can tell by the way you walk that walk;
And I can hear by the way you talk that talk;
And I can know by the way you treat your girl
That I could give you all the lovin’ in the whole wide world!
Oh, all I wanna do - All I wanna do is cook your bread!
Just to make sure that you’re well-fed!
I don’t want you sad and blue,
And I just wanna make love to you.
…Love to you…
…Love to you…Ooooohhooh…
…Yeah, love to you…Ooooh.
…Love to you…

[No pasquim não me deixam ouvir "Lady Sings the Blues". Ameaçam atirar-se pela janela. Salva-se a Bobbie Gentry, com “son of a preacher man” ou “Fever” da Peggy Lee. Aos primeiros acordes de Summertime da Ella Fitzgerald, já a estagiária está agarrada à janela a dizer que salta. Mas esta foi a minha banda sonora do dia.]

domingo, novembro 11, 2007

Um pouco mais eu

Penso na noite em que fui branca e medo. Nos jogos de palavras que me transformaram em cidade africana. Em capital europeia do século XXI. Eles sem saberem que sou [me sinto] Nova Iorque. Lembro-me do riso e na incredulidade perante as palavras dos outros. Por estes dias “rejuvenesci”. Não sou eu que o digo. Mas percebo no imediato o que querem dizer. Não foi o calor primaveril do outro lado do mundo. O sol [temporariamente] abrasador. A vista do Pacífico. A poesia, de que não aprendo a gostar. Os cheiros. As avenidas largas com gente cosmopolita. A pobreza desbragada dos bairros de lata. A luz. Os espaços verdes. Passeios largos em ruas estreitas. Daquelas que deixam viver a cidade. Não foi o Lingura com os retratos dos mortos, como lhe chama a Dia, nas paredes. Muito menos terá sido a salsicha engolida a custo na mesma noite. [torna-se difícil a vida quando não sabemos ler uma ementa e seguimos conselhos locais] É bom sair da casca. Das quatro paredes do ‘open space’ do Chiado. Foram as pessoas. As conferências. A mochila pesada. Computador às costas. Escrever milhares de caracteres. Esquecer-me que estou confinada ao tamanho da página de jornal. E depois cortar para encaixar o texto. Tinha-me esquecido de como gosto disso. Como isso me faz um bocadinho mais eu. Rejuvenesço e deixo que os olhos brilhem o tempo todo.

Pag 161

Regresso à leitura de blogs para descobrir que a Isa anda a meter-me em trabalhos, desculpa, em correntes. Não gosto. Mas como é sobre livros, aceito. Diz ela para pegar num livro próximo, abrir o dito pela página 161 e procurar a 5ª frase completa. O primeiro acaba na página 115. O segundo, do qual ainda não li nem a primeira linha e que espera o fim dos assassinos do Wilson, reza assim: “Bin Laden pura e simplesmente não conseguia tolerar o facto de haver comunistas no governo de coligação” [A Torre do Desassossego, Lawrence Wright, Casa das Letras].

Estou tentada a quebrar a corrente. Mas deixo-me levar. Passo por isso à Samantha, Miranda e Charlotte. Sempre lhes dou um motivo para escrever. Os outros três leitores do Mais Cidade, podem sempre responder por comentário...

sábado, novembro 10, 2007

Inocente

Levámos mais de 20 minutos para deitá-la. Ali estava, numa camisa de noite cor-de-rosa e com umas meias quentes nos pés que estavam gelados. E, na cabeça, o duro golpe, fruto da queda daquela manhã, quatro pontos, cabelo molhado pelo sangue seco, ferida à vista, tudo à mostra por causa do cabelo fraquinho.

A minha avó de 92 anos passou um dia no hospital à espera de um TAC. Ela não vê bem, não ouve bem e está velhinha. As pernas já se furtam a um andamento compassado e custa-lhe estar de pé. Mesmo assim, uma auxiliar do Amdora-Sintra quis tirar-lhe a cadeira de rodas onde, durante horas, esperaria por um médico nas Urgências. Queriam roubar-lhe o assento. A uma velhinha indefesa. O que fazem estas pessoas que trabalham nos hospitais? O que as faz ser tão duras e incpazes de sentir algo por alguém? O que aconteceu à vocação quando se fala de profissões onde é preciso gostar do que se faz?

Não se deita do lado esquerdo porque acha que é cardíaca e não pode dormir sobre o coração. Não é. Mas não se deita sobre o lado esquerdo. A ferida na cabeça é do lado direito. Dói-lhe. Pergunta o que tem na cabeça. Digo-lhe que caiu, que levou pontos, que passou o dia no hospital. Não se lembra. Está muito cansada e olha para mim com um ar inocente. Passo-lhe a mão sobre os olhos e fico ali a fazer-lhe festas. Agradece-me os carinhos. Aperto-a com força.

A minha avó adormeceu e fiquei a vê-la dormir por uns instantes. Os velhos são como as crianças.

coincidências

conto com a escrita inteligente para escrever mensagens sem olhar sequer para o teclado. depois de teclar 'poesia' tenho escrito no visor 'sofria'. achei piada à coincidência.

Café chileno

No Chile bebe-se “Café com pernas’. E por muito que se estranhe não chega a entranhar-se. Conta a história que estes bares mais ou menos requintados foram criados durante a década de 90 para dar algum colorido à vida dos pobres chilenos oprimidos pela ditadura. O Haiti, um de muitos, é um espaço amplo, paredes-meias com o palácio presidencial, de porta aberta para a rua. De uma ponta a outra, diagonalmente à entrada, há um balcão que começa a [mais ou menos] um metro do chão. No espaço deixado vago vêem-se as pernas, sempre elegantes, das empregadas que servem cafés. Os vestidos, em azul e branco, são [muito] curtos. Mas há pudor na forma como o tecido lhes cobre o colo.

Naquele fim de tarde frio há pouco mais de duas dezenas de pessoas por ali. Encostados ao balcão, quase todos na idade da reforma. São talvez os que ainda têm memória do tempo em que está era a única forma de exercitar a imaginação. É um local turístico, mas algum pudor pelas pernas desnudas das moças, fez com que não tirasse fotografias. Arrependo-me. A realidade faz parte do colorido local e merece ser retratada. A alguns metros de distância, temos a versão menos recatada do “café com pernas”. O balcão é semelhante e a arquitectura rege-se pelos mesmos princípios. Mas aqui as pernas serão, talvez, o menos interessante. É tudo uma questão de gostos. Os tais que não se discutem. O espaço é muito pequeno e a porta está ‘encostada’ para a rua. Não há porteiro nem restrições à entrada. Lá dentro há muito fumo, mas não o suficiente que impeça de ver as mulheres, com minúsculos fios dental e saltos de 15 centímetros, que servem atrás do balcão.

Estas miúdas têm horário de função pública. Trabalham entre as 8 e as 21h [é a isenção de horário], não servem bebidas alcoólicas e ganham pelo que vendem e pelas fotografias [as que se deixam fotografar] que os turistas queiram pagar. Ninguém ficará rico por vender coca-colas e sumos de fruta... Elas não explicam – também não dizem quanto ganham de ordenado, limitam-se a sorrir quando perguntamos se é pouco –, mas calculo que a falta de álcool seja uma forma de evitar desacatos. Se querem bater que batam na mulher logo que chegarem a casa. Se não houver razão, que seja pelo facto da mesma, a mulher, não vestir aquela lingerie. E se veste, por ficar um verdadeiro estafermo!



sexta-feira, novembro 09, 2007

Ops... [ii]

Gosto de vinho chileno. E de Pisco Sour também.

Não admira que o homem escrevesse bem


[A Isla Negra não é uma ilha, mas apenas um pequeno pedaço de paraíso em frente ao Pacífico. Recebeu-nos numa tarde muito fria a ameaçar chuva. Aqui fica uma das três casas de Pablo Neruda. Não visitei a casa museu, cheia de quinquilharia. Tive pena. Haverá uma próxima?]

Te quiero

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

Pablo Neruda: Cien sonetos de amor

[Ouvido hoje em Isla Negra]

Descubra as diferenças

[Berlim, 1939 ou Santiago do Chile, quarta-feira à tarde?!]

A banda a tocar ao longe. E eu acabada de chegar, com vontade de ver tudo. A cidade, as ruas que interessam, ali ao lado pela primeira vez desde que aterrei. A estátua de Allende ali tão perto. Eu a querer fugir da comitiva. A boca seca do calor. Da antecipação. A banda a tocar cada vez mais perto e as figuras oficiais a dizerem-nos para entrar. É agora ou nunca. Está chegar a esfinge com quem não me consigo conciliar. É uma questão de pele. Empurram-nos para dentro do palácio. E eu a querer ver a praça. A querer sentir a vida. Eu de máquina em riste. A J. a dizer-me que pareço uma turista. Eu a fazer ar de ofendida. Que não. Que já mandei trabalho e mais virá logo que o homem bote discurso. O calor que aperta na sombra do Pátio de los Cañones. A banda que se cala e o homem que não chega. Agora ninguém nos deixa sair. Está calor. Tenho os lábios a ameaçar gretar, quero uma água e só me falam de protocolo. Os militares perfilados à nossa frente, mais o outro que espreita pela janela com ar de enfado. Está quente e sei que na próxima hora isto não dará em nada. A cidade que chama do outro lado do protocolo. Fico porque não tenho alternativa. Os passos que se calam sobre a passadeira vermelha. As honras militares e outros tantos salamaleques. Vou aonde não devo. Estou dentro do palácio porque tenho a mania que percebo de fotografia. Oiço a mulher em elogios de circunstância. E eu só penso em água. Passo pelos militares que se espalham pelos corredores do palácio. Chego à rua. Tenho uma boa meia hora para fazer o que quiser. Volto já.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Ops...

[...]

E agora vou dormir que o despertador toca às 7h00...

Postais do Chile

Passada a primeira prova. Escritos os primeiros caracteres que atravessarão os Andes, e depois o Atlântico, antes de serem impressos, saio para a rua com meia hora para matar a fome. É muita. O pequeno-almoço [frugal, como são todos em hotéis de duas ou três estrelas] passou há horas. Respiro fundo e deixo que se entranhe o cheiro quente dos destinos exóticos. Já ontem, mal se abriu a porta do A330, percebi que estava no ar. O cansaço, de mais de 13 horas de voo, só deixou que estranhasse o calor de Verão. Em Portugal está apenas calor, aqui é Verão [ou quase]. São coisas completamente diferentes. Vou senti-lo na pele e nos sentidos nos próximos dias.

Sento-me numa esplanada deste bairro de escritórios. Não tenho a menor noção da geografia de Santiago. Há montanhas em todas as direcções. Não me sai da cabeça a sensação de estar dentro de um ninho. Ou então de um vulcão. A cidade no meio. Aconchegada. Aos poucos, a cidade entranha-se. Facilmente me mudava para um país da América Latina. Gosto do ar cosmopolita e europeu desta cidade. Gosto apesar das tendências hitlerianas deste povo. Gosto do verde das avenidas, das árvores e arbustos em cada uma delas. Lembra-me Porto Alegre. Faz-me pensar em viagens com borboletas. Gosto dos cheiros. Dos sons. Das cores. Gosto da Plaza de Armas. Lê-se o futuro nas palmas da mão. Escolhe-se o destino em cartas de tarot, enquanto se fazem tranças em cabelos negros. Pinta-se o Che em cores garridas. A tradição espelhada na modernidade. A catedral reflectida num prédio que todos os dias se queixa porque se sente desenquadrado. Lá em cima, muitos metros acima do chão, cinco homens cobrem de verde uma estrutura metálica. Terá o Chile a maior árvore de Natal da América do Sul? As ruas repletas de gente. Gosto do ar despreocupado. Há malabaristas com bolas num parque de cidade. Casais que se comem à vista de todos. São despudorados os sul-americanos. Vi o mesmo, há uns anos, no México. Gosto dos pormenores que fotografo de cinco em cinco minutos. A S. chama-me picuinhas. Talvez. Sei que hoje tirei a fotografia que valerá por toda a viagem. E gostei.

A room with a view

[Av. Vitacura, 2929 - Santiago do Chile]

sexta-feira, novembro 02, 2007

Coisas que uma mulher é obrigada a ouvir

"Conheço quatro ou cinco tias de Cascais que se matavam umas às outras para ir a este jantar."